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Saúde

Comer em uma janela de até 9 horas pode proteger o cérebro na velhice

Um estudo apresentado na NUTRITION 2026 observou melhora em testes cognitivos entre mulheres que concentraram as refeições em até nove horas

27/07/2026 10:40, atualizado 27/07/2026 10:48
Jayk7/ Getty Images
Foto de prato com talhares e relógio - Metrópoles

Limitar a alimentação a uma janela de oito a nove horas por dia pode trazer benefícios para o cérebro durante o envelhecimento, além daqueles já proporcionados pela perda de peso. É o que sugere um estudo apresentado na NUTRITION 2026, encontro anual da Sociedade Americana de Nutrição, realizado entre os dias 25 e 28 de julho, nos Estados Unidos.

Na pesquisa, mulheres com sobrepeso ou obesidade que concentraram todas as refeições nesse intervalo tiveram melhor desempenho em alguns testes cognitivos do que aquelas que distribuíram a alimentação ao longo de cerca de 12 horas por dia.

Segundo os pesquisadores, a estratégia pode contribuir para preservar funções como planejamento e resolução de problemas.

Como o estudo foi feito

O estudo acompanhou 47 mulheres com idades entre 50 e 79 anos durante seis meses. Todas participaram de um programa de emagrecimento e receberam orientação para reduzir o consumo diário em 500 calorias.

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Desse total, 26 participantes também foram orientadas a consumir todos os alimentos em um período inferior a nove horas por dia. Na prática, a maioria fazia as refeições entre 10h e 18h. As demais mantiveram uma rotina mais comum, distribuindo a alimentação ao longo de aproximadamente 12 horas.

Ao final do estudo, as participantes dos dois grupos perderam praticamente a mesma quantidade de peso, cerca de 7 kg em média.

Diferença apareceu nos testes cognitivos

Embora o emagrecimento tenha sido semelhante, as mulheres que restringiram o horário das refeições apresentaram melhor desempenho em testes que avaliavam planejamento espacial e resolução de problemas. Elas também cometeram menos erros em avaliações relacionadas à memória e ao aprendizado. Nesse caso, porém, a diferença não foi suficiente para ser considerada estatisticamente significativa.

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Já os testes de tempo de reação e multitarefa não mostraram diferenças entre os grupos.

“A simples perda de peso já ajuda a retardar parte do declínio cognitivo relacionado ao envelhecimento, e esses dados sugerem que pode haver benefícios adicionais se você parar de comer quatro horas antes de dormir e reduzir a ingestão de alimentos para oito a nove horas por dia”, afirmou a pesquisadora Sue Shapses, da Universidade Rutgers.

Por que isso pode acontecer

Os pesquisadores ainda não sabem exatamente por que concentrar as refeições em menos horas pode beneficiar o cérebro. Uma das hipóteses é que o horário da alimentação influencie processos relacionados ao relógio biológico, à inflamação, ao metabolismo e à forma como o organismo utiliza os nutrientes.

Apesar dos resultados, a equipe ressalta que o estudo envolveu um número pequeno de participantes. Além disso, a pesquisa foi apresentada em um congresso científico e ainda não passou pela revisão por pares exigida para publicação em uma revista científica.

Segundo os autores, serão necessários estudos maiores para confirmar se a estratégia realmente ajuda a preservar a função cognitiva durante o envelhecimento.