Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Eleições 2026São Paulo

Tarcísio defende urnas eletrônicas e impeachment de ministros do STF

O candidato à reeleição foi sabatinado na manhã desta quarta-feira (20/8) e comentou assuntos nacionais além dos abordados no estado

20/08/2026 12:32, atualizado 20/08/2026 16:29
Jessica Bernardo / Metrópoles
Tarcísio defende urnas eletrônicas e impeachment de ministros do STF

O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse, nesta quinta-feira (20/8), que não tem dúvidas sobre a segurança das urnas eletrônicas, apesar dos ataques de Flávio Bolsonaro (PL) ao modelo.

“Eu confio absolutamente na segurança das urnas. Isso não é mais pauta, não deve ser”, afirmou Tarcísio. A declaração foi dada durante sabatina da Rádio CBN, em parceria com os jornais O Globo e Valor Econômico.

Na entrevista, Tarcísio também respondeu a temas nacionais, como o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O candidato disse que “a gente não pode personalizar o debate” sobre o impeachment, mas que o instrumento é “válido”.

“Se um presidente da República pode sofrer um impeachment, um ministro também pode”, afirmou. O tema tem aparecido com frequência em discursos de Flávio e de outros candidatos bolsonaristas, que querem tirar da Corte o ministro Alexandre de Moraes.

Tarcísio defendeu ainda que o país passe por uma reforma política, com a instituição do voto distrital e o fim da reeleição.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

“A reforma política talvez seja a mãe de todas as outras reformas”, disse Tarcísio, afirmando que existe um “consenso sendo formado” sobre o tema no país. O candidato argumentou que o voto distrital pode melhorar a representação no Congresso e que o fim da reeleição “é fundamental”.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP

Questionado se Flávio Bolsonaro tinha feito uma sinalização a ele ao defender o fim da reeleição, Tarcísio disse que o recado era para “todo o grupo” e negou que estivesse de olho em 2030. “O gesto do Flávio não sinaliza para mim, sinaliza para todo o grupo. Não dá para pensar agora em 2030, tem muita água para rolar.”

Apesar da fala, o governador tem abordado temas nacionais em sua campanha. O próprio vídeo de apresentação da sua candidatura traz Tarcísio como um “exemplo para o Brasil”.

Câmeras corporais

Ao falar sobre os temas estaduais, o governador disse que, se reeleito, vai manter o modelo de câmeras corporais dos policiais contratado atualmente, apesar dos questionamentos do Ministério Público (MPSP) sobre o tema.

“Vai [ser mantido]. Não é diferente do que acontece em outros países do mundo. […] A câmera que está em uso em São Paulo é a mesma câmera que está em uso em Paris”, afirmou.

Questionado sobre a alta de feminicídios no estado e os cortes nas verbas voltadas à Secretaria de Políticas para a Mulher, Tarcísio negou que tenha cortado investimentos voltados às mulheres. O político alegou que a Secretaria da Mulher é uma pasta responsável por coordenar ações com outras secretarias, mas não por executá-las. “É uma secretaria transversal.”

Privatização do transporte

Ao ser perguntado sobre os problemas registrados após a concessão das linhas 11, 12 e 13 de trens à iniciativa privada, Tarcísio defendeu a Trivia, empresa contratada para assumir as linhas.

“A Trivia faz parte do grupo Comporte, é um grupo muito grande, da família Constantino”, disse ele, citando que a empresa opera, entre outros, o metrô de Salvador e Belo Horizonte.

O governador afirmou, ainda, que a decisão de rever o contrato da Linha 17-Ouro, passando o monotrilho para a responsabilidade do metrô, é uma “jogada financeira”.

“A gente começa a ver ali uma oportunidade. O metrô está operando bem e essa linha já está concedida, faz parte da concessão da linha 5 da Motiva. Se eu retirar isso da Motiva, eu gero um reequilíbrio financeiro a favor do estado, porque aquela linha é deficitária, aí eu gero um excedente de valor. Com esse excedente de valor, eu posso transformar isso em investimento. Eu vou ajudar a pagar a conta da extensão da Linha 5 até o Jardim Ângela”, afirmou.

Na educação, o governador confirmou que quer ampliar o número de escolas cívico-militares no estado caso seja reeleito, mas não se aprofundou no tema, evitando dizer quantas unidades gostaria de criar. O modelo é questionado por especialistas.