
Pavanato diz nas redes sociais que não aceitará derrota e ameaça Zanin
"Querem 'ganhar' no tapetão? Tentem a sorte!", diz Pavanato. Mais cedo, Flávio Bolsonaro também defendeu prorrogar a votação até às 19h
25/10/2026 20:45

São Paulo — O deputado federal eleito, Lucas Pavanato (PL), afirmou, no X (antigo Twitter), que o partido e aliados do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro não irão aceitar uma possível derrota nas urnas. Pouco antes, o parlamentar também havia criticado e ameaçado ministro Cristiano Zanin por assinar a decisão de prorrogar as votação deste domingo (25/10) do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em outra publicação, Pavanato alegou que a campanha do Partido dos Trabalhadores estava tentando ganhar por meio da decisão do STF: “Querem ‘ganhar’ no tapetão? Tentem a sorte!”
A declaração foi feita às 18h34, na reta final da votação estendida por decisão do STF. Mais cedo, porém, a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) pediu neste domingo (25/10) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que prorrogasse a votação do segundo turno até as 19h em 17 municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

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Ver todasA defesa de Flávio alegou que chuvas, alagamentos e interdições dificultaram a chegada de eleitores às urnas. O caso foi direcionado ao presidente da Corte Eleitoral, ministro Nunes Marques.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPO candidato também pede que a divulgação dos resultados da eleição presidencial só comece depois do encerramento da votação nos locais beneficiados.
Uma hora e meia depois de Pavanato alegar que vai negar o resultado em caso de derrota, o parlamentar voltou a publicar. Dessa vez, acusando aliados da campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva de afirmarem que não aceitaram a derrota nas urnas.
O Metrópoles entrou em contato com a equipe de Pavanato, mas ainda não obteve retorno sobre esclarecimentos da declaração.
Veja as publicações:
Quem é o deputado Lucas Pavanato?
O candidato eleito para deputado federal com mais voto em São Paulo, Lucas Pavanato (PL) diz ter três “boas referências” na política. São elas: o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o ex-vereador Fernando Holiday (PL) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL). Para ele, a “direita veio para ficar” e quem não gosta de seu “jeito de fazer política” terá de “aceitar”. Seu primeiro ato, após assumir o cargo, será brigar pela CPI das ONGs que atendem a moradores de rua em São Paulo.
Pavanato recebeu 3.038.185 votos com 99,98% das urnas apuradas. Com esse número, ele se tornou o candidato a deputado federal mais votado da história de São Paulo e o segundo mais votado na história do Brasil, perdendo apenas para Nikolas Ferreira, que obteve 3.113.221 votos em Minas Gerais nas eleições deste ano.
Aos 26 anos, ganhou projeção política como militante do Movimento Brasil Livre (MBL), com o qual rompeu, e abraçou o bolsonarismo. Em 2024, ele foi eleito como o vereador mais votado da cidade de São Paulo, com 161.386 votos.
As principais pautas que Pavanato pretende levar para a Câmara dos Deputados é proibir terapia hormonais de transição de gênero em menores de 18 anos, fim das cotas raciais, cotas de gênero e cotas para a população trans, fim da maioridade penal em crimes hediondos, acabar com o aborto, privatização de empresas estatais e proibir pessoas trans em banheiros diferentes do sexo biológicos.
Com um estilo provocador, parecido com o de Nikolas, Pavanato concordou dividir “princípios” com Nikolas e tê-lo como um “amigo”, mas diz ter uma personalidade “distinta” e rejeita o apelido “Nikolas de São Paulo”.
Nesse pleito, Pavanato protagonizou uma rivalidade com a deputada federal reeleita Erika Hilton (Psol) — que se tornou a mulher mais votada na história da Câmara e projetava o topo do ranking paulista.
Atribui sua alta votação à presença forte do conservadorismo em São Paulo. “Então, por se identificarem com seus princípios conservadores, a população paulistana deu o recado de que a cidade está virando mais para a direita, hoje ela é uma cidade mais conservadora , e para pessoas que não gostam do nosso posicionamento político, não gostam do nosso jeito de fazer política, eles vão ter que aceitar, porque a direita veio e veio para ficar”, diz ao Metrópoles.
Nas redes sociais, Pavanato mirou Hilton com vídeos a chamando de “travesti do Lula” e faz uma série de afirmações sobre a deputada. O caso chegou à Justiça Eleitoral depois que Erika questionou o conteúdo e afirmou que o vídeo apresentava informações falsas ou gravemente descontextualizadas, além de alegar violência política de gênero. Inicialmente, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) solicitou a remoção do conteúdo. O bolsonarista recorreu e a Corte entendeu que n
Pavanato recorreu ao TRE-SP, e a maioria dos magistrados adotou outro entendimento, concluindo que a publicação não apresentava falsidade ou distorção grave suficiente para justificar a remoção.
O novo deputado federal também ganhou popularidade por provocar estudantes da Universidade de São Paulo (USP) com questões políticas. O parlamentar costuma montar uma mesa com cartazes. Em maio de 2025, o tema era “Bolsonaro é melhor que Lula! Prove o contrário”.
O vereador, inclusive, já foi condenado a indenizar uma estudante em R$ 8 mil que apareceu em um dos vídeos do parlamentar. Na gravação, feita em 2023, antes dele ser eleito, Pavanato questionou alunos sobre Karl Marx e Alan Smith.
O que Pavanato fez como vereador?
Na posição de vereador, ele apresentou 100 projetos de leis. Desses, apenas seis foram aprovados, outros 94 seguem em tramitação. Veja três dos seis textos aprovados: a criação do Dia da Música Clássica nas escolas municipais; a troca de nome do viaduto Bresse-Romualdo Hatty para viaduto Bispa Keilla Ferreira; e inclusão na agenda da cidade o Dia Municipal de Combate a Violência Infantil;
um projeto de lei propondo a regulamentação do serviço de transporte de moto por aplicativos na capital paulista. O projeto foi apresentado no mesmo dia em que a prefeitura da capital obteve uma vitória na Justiça, que negou uma liminar da empresa 99 que buscava manter a oferta da modalidade. Um decreto do município proíbe o serviço desde janeiro de 2023. A alegação da Prefeitura é que a liberação aumentaria os riscos de acidentes de trânsito.
Em seu primeiro dia na Câmara Municipal, Pavanato disse ao Metrópoles que abriria ofensiva contra atuação de ONGs e movimentos sociais por moradia, mais identificados com a esquerda. “Meu projeto, que eu coloco como mais importante, seria a CPI das ONGs para investigar para onde está indo esse dinheiro e para onde está indo tanta grana e não resolve o problema”.
Outro tópico importante na carreira política de Pavanato é o ataque à população transgênero. Em janeiro de 2025, ele propôs que atletas, ao se inscrever em competições esportivas, indiquem o gênero apenas a partir do “sexo biológico atribuído no nascimento”
Texto do novo deputado federal sugeria proibir em São Paulo que hospitais, clínicas e estabelecimentos de saúde financiem ou realizem tratamentos hormonais, tanto indutores quanto bloqueadores, ou procedimentos cirúrgicos de redesignação sexual em menores de 18 anos — mesmo com o consentimento dos pais.
Ainda contra a população trans, Pavanato queria estabelecer o sexo de nascimento como o único critério para o acesso a banheiros em escolas, espaços públicos, estabelecimentos comerciais e ambientes de trabalho.
Em março de 2026, ele protocolou proposta para acabar com as cotas raciais em concursos públicos municipais. Em substituição, seria colocado cotas para pessoas em situação de vulnerabilidade econômica.






