Nunes nega irregularidades em contrato de Wi-Fi da prefeitura alvo da Civil
Prefeito Ricardo Nunes também negou quaisquer relações com Karina Ferreira da Gama, produtora do filme bolsonarista Dark Horse

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), comentou a operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (10/9) que investiga Karina Ferreira da Gama, produtora do filme bolsonarista Dark Horse e ligada ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG com a qual a prefeitura firmou um contrato — investigado pela Polícia Civil — para instalação de pontos de Wi-Fi.
A jornalistas, Nunes afirmou que o contrato “não tem nenhuma irregularidade” e que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) “está acompanhando” o caso. O prefeito aproveitou, ainda, para atacar o ex-prefeito e candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT), dizendo que o contrato de Wi-Fi do petista era, sim, irregular.
“O nosso não tem nenhuma irregularidade. Obviamente, a gente faz o monitoramento contínuo. Como temos feito em qualquer contrato nosso, se aparecer alguma irregularidade, a prefeitura vai agir de forma muito enérgica”, declarou Nunes.
Citado pelo atual prefeito, Haddad enviou posicionamento ao Metrópoles por meio de sua assessoria. Na nota, afirmou que Nunes “tenta enganar a opinião pública e mudar o foco ao citar um contrato que expirou em 2020 e foi renovado por ele mesmo, antes de Karina Gama entrar em cena, portanto sem nenhuma relação com a operação de hoje”, esta sim tendo “relação direta com a administração dele [Nunes]”.
“A campanha reforça que a operação de hoje tem como um dos alvos um contrato fechado por ele mesmo”, finaliza a nota da equipe de Haddad.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPAinda na coletiva, o emedebista também negou quaisquer relações com Karina Ferreira da Gama, produtora do filme Dark Horse e ligada ao ICB, mas afirmou que a prefeitura cumprirá qualquer decisão judicial — antes de autorizar a operação da PF nesta quinta, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu dados da investigação em SP.
“Essa questão do filme e do Instituto, não tem relação nenhuma com o contrato que a Prefeitura tem de Wi-Fi.[…] Se for identificada alguma irregularidade, a prefeitura vai tomar suas ações, mas não podemos nos antecipar e fazer um pré-julgamento. Não seria coerente, correto. Volto a falar, o contrato que a prefeitura tem, não existe nenhuma irregularidade. Estamos pagando por um serviço que está sendo prestado”, acrescentou Nunes.

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Em junho deste ano, a dona da produtora GoUp Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, foi alvo da Operação Wi-Fi Livre por suspeitas de que parte da produção cinematográfica tenha sido financiada por contrato público firmado entre a ONG e a Prefeitura de São Paulo.
As autoridades apuram possíveis irregularidades no termo de colaboração firmado entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) e o ICB para a contratação e instalação de Wi-Fi em comunidades periféricas da cidade. As investigações apontaram uma série de falhas consideradas graves e indícios de conduta ilegal desde a origem da contratação.
- Falta de capacidade técnica: a polícia apontou que o chamamento público para fornecimento de Wi-Fi teve a participação exclusiva do ICB, entidade considerada sem experiência no setor de telecomunicações, com atuações somente em feiras de livros e eventos religiosos.
- Superfaturamento: enquanto a empresa pública Prodam cobrava R$ 306 pela manutenção mensal por ponto, o acordo com o ICB estipulou o pagamento de R$ 1.800 fixos por ponto, um valor injustificadamente superior aos parâmetros de mercado.
- Descumprimento de metas e fraude em aditivos: a entidade instalou apenas 3.200 dos 5.000 pontos previstos. Para ocultar a demora, foram celebrados três termos aditivos em intervalos de poucos dias.
- Pagamentos indevidos e antecipados: a administração municipal teria realizado a antecipação de R$ 26 milhões sem a devida contraprestação. Foram identificados repasses relativos a 3.200 pontos, quando, na realidade, apenas seis funcionavam no período.
Conforme publicado pelo Metrópoles, a gestão Nunes informou ter pagado R$ 114 milhões para a instalação e manutenção de pontos de Wi-Fi em um contrato com o ICB.
De acordo com os dados enviados pela prefeitura, os valores foram divididos entre R$ 68 milhões a título de instalação e manutenção de pontos entre julho de 2024 e junho de 2025. Depois, foram mais R$ 45 milhões para manutenção entre julho do ano passado e maio de 2026.
O Metrópoles procurou a defesa de Karina da Gama e de Mario Frias e aguarda retorno.



