MPSP denuncia vereador do PT e mais 20 por lavar dinheiro para o PCC
Segundo o MPSP, o vereador Senival Pereira de Moura (PT) e mais 20 investigados estão envolvidos em um esquema envolvendo PCC e ônibus

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou o vereador de São Paulo Senival Pereira de Moura (PT) e mais 20 suspeitos de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de empresas de ônibus.
A denúncia surge após uma operação apontar que Senival é o líder oculto da empresa Transunião. Ele chegou a ser preso no dia 25 de junho, mas foi solto no início de agosto, após a Justiça aceitar um pedido de habeas corpus, e responde às acusações em liberdade.
Além de Senival, estão entre os denunciados:
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- Jair Ramos de Freitas (“Cachorrão”): apontado como autor do homicídio de Adauto Soares Jorge e articulador da lavagem de dinheiro.
- Leonel Moreira Martins: operador financeiro e elo entre a empresa e o núcleo familiar beneficiário.
- Lourival de França Monário: atual diretor-presidente formal da Transunião, envolvido em movimentações financeiras incompatíveis.
- Devanil de Souza Nascimento (“Sapo”): apontado como operador e suporte de Senival Moura.
Ao Metrópoles, a defesa de Senival afirmou que o vereador é inocente: “Senival Moura reafirma que jamais integrou organização criminosa, jamais manteve vínculo com o PCC e jamais participou de qualquer esquema destinado à lavagem de dinheiro ou à ocultação de recursos provenientes de atividades ilícitas”, diz a nota divulgada pelo advogado Márcio Sayeg.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPO advogado ainda disse que o vereador segue colaborando com as investigações e acredita que “a análise técnica e imparcial das provas permitirá o completo esclarecimento dos fatos”.
Já Jair Ramos de Freitas, por meio de nota, negou veemente ser autor do homicídio de Adauto Soares Jorge: “Nenhuma testemunha presencial apontou ele como autor do delito, por isso responde ao processo solto. Sobre ter a acusação de lavagem de dinheiro e organização criminosa também não procedem, nunca ocorreu ocultação de valores e todo dinheiro operado em sua conta era de origem lícita, qual seja, da SPTrans, que vieram de contratos firmados com o poder público municipal para a prestação regular de serviço público de transporte coletivo. Cuida-se de receita de natureza pública, sujeita à fiscalização do município e à auditoria da própria companhia, com plena rastreabilidade em todas as suas etapas. No curso do processo também ficará provado sua inocência”.
Papel de comando
Segundo materiais da operação, realizada pelo Ministério Público e pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Senival é identificado como uma “instância superior de comando” em um esquema de lavagem de dinheiro do PCC usando transportes públicos. Trocas de mensagens revelaram que repasses financeiros e decisões empresariais dependiam da anuência do petista, tratado pelos codinomes “presidente”, “véio”, “velhinho” e “vereador”.
Planilhas internas também mostram que Senival era o beneficiário real de, ao menos, 13 ônibus que estavam em nome de terceiros ou da própria Transunião. Os CPFs do político e de familiares, como esposa e filhos, aparecem vinculados aos ativos.
A investigação identificou ainda que ele movimentou mais de R$ 8,7 milhões entre 2019 e 2022, sendo que R$ 2,47 milhões não têm origem declarada. Além disso, o vereador possui um patrimônio imobiliário de alto padrão, considerado incompatível com sua remuneração oficial.

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Ver todasSegundo o documento da polícia, Senival seria o principal responsável por instrumentalizar a Transunião para a lavagem de dinheiro em favor de indivíduos ligados ao PCC.
O homicídio de Adauto Soares Jorge (ex-presidente formal da empresa), em 2020, teria ocorrido porque integrantes do PCC acreditavam que Adauto estava desviando valores em benefício de Senival.
A investigação também aponta que assessores vinculados ao gabinete de Senival na Câmara Municipal ocupavam simultaneamente cargos estratégicos na administração da Transunião e de outras empresas do grupo, sugerindo a instrumentalização para garantir os interesses do vereador.
A autoridade policial ressalta que Senival exerce atualmente os cargos de 1º Secretário da Mesa Diretora e Presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica na Câmara Municipal de São Paulo, o que lhe confere poder de fiscalização e regulamentação sobre o próprio setor em que a Transunião opera.
Em diligências realizadas no escritório do petista, a polícia apreendeu diversos documentos e dispositivos digitais relacionados à operação da Transunião. Devido a esses indícios, a autoridade policial representou pela sua prisão temporária e pela busca e apreensão em seus endereços.








