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São Paulo

Em SP, Moraes critica influencers: "Não sabem do que estão falando"

Ministro Alexandre de Moraes disse que influenciadores digitais "desacreditam a mídia tradicional" e têm mais audiência que telejornais

24/08/2026 15:03
Reprodução/TCM-SP
Alexandre de Moraes, ministro do STF - Metrópoles

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes afirmou que influenciadores digitais “desacreditam a mídia tradicional”. A fala aconteceu durante cerimônia realizada no Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCM-SP), na capital paulista, nesta segunda-feira (24/8).

“Hoje, o influencer, que ninguém nunca ouviu falar, o pessoal não tem a mínima ideia do que tá falando, fala da Guerra na Ucrânia até a derrota lamentável do Corinthians para o Coritiba ontem. Sabe comentar tudo. Esse influencer tem mais audiência do que o Jornal Nacional, do que todos telejornais. Isso foi trabalhado para desacreditar. Quantas pessoas vocês conhecem que não acreditam mais na mídia tradicional? E que seguem como se fosse uma religião fanática tudo o que a bolha passa como notícia. Lavagem cerebral”, disse Moraes.

Durante sua palestra do evento, o ministro também havia dito que, durante a campanha, os eleitores podem ser tratados como consumidores, e os candidatos são “produtos a serem vendidos”. “Essas big techs usaram os mesmos algoritmos, a mesma estratégia para explorar os recalques dessas pessoas [que adotam o discurso da extrema direita contra programas sociais do governo]. [Essas pessoas] achavam que foram prejudicadas porque os demais [mais pobres] saíram da fome. Só que não são só algumas autoridades que pensam isso, são várias pessoas. E os algoritmos sabem disso, e exploram isso.”

Diploma para jornalista

Na última semana, o ministro Alexandre de Moraes, juntamente com o ministro Flávio Dino, defendeu que o STF volte a discutir a obrigatoriedade de diploma para o exercício da profissão de jornalista. A exigência foi derrubada pelo STF em 2009.

As declarações ocorreram durante julgamento na Primeira Turma sobre o direito de resposta concedido a uma clínica médica denunciada em reportagem exibida pela TV Globo sobre denúncias de abusos sexuais.

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Ao devolver pedido de vista no processo, Moraes afirmou que a decisão de 2009 tornou mais complexo o debate sobre as garantias asseguradas à imprensa, especialmente diante do crescimento das redes sociais. O ministro disse respeitar o entendimento firmado pela Corte, mas defendeu que o tema seja novamente analisado.

“Está na hora de refletirmos sobre a questão do diploma de jornalismo. […] Hoje, com as redes sociais, qualquer pessoa acorda e diz: ‘A partir de hoje, eu sou um jornalista’ e começa, no seu blog, a ofender a honra de inúmeras pessoas e se escudar na liberdade de imprensa e, claramente, nós não podemos normalizar isso e tratar essas pessoas como a imprensa séria, o jornalismo sério”, disse o ministro.

O debate ocorre em meio à ação de busca e apreensão, determinada por Moraes, contra o ex-secretário de Estado Raimundo Cutrim, apontado como a fonte do jornalista Luís Pablo, no Maranhão.