Associação da PM confirma amizade entre coronel e operadores do PCC
Entidade reconhece vínculo pessoal, mas diz que não havia suspeitas; PF aponta contatos mantidos após operação policial

A Associação dos Oficiais da Polícia Militar de São Paulo (AOPM) confirmou que o coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins mantinha amizade com Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza, suspeitos de operar movimentações financeiras para integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Em nota (leia íntegra abaixo), a entidade afirmou que, quando as relações ocorreram, “sobre elas não pairavam quaisquer suspeitas de todos ao seu redor”. A AOPM acrescentou que Pereira Martins “não tem sobre si qualquer indício de práticas ilícitas” e não aparece como indiciado.
A cronologia apresentada pela associação, porém, não corresponde integralmente às datas registradas pela Polícia Federal (PF).
Cléber e Robson foram alvo da Operação Fractal em outubro de 2022. Mesmo depois da ação policial, continuaram trocando mensagens, planejando viagens e encontrando Pereira Martins, segundo relatório da investigação policial obtido pelo Metrópoles.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPRelação após operação
A PF identificou conversas entre o coronel e os operadores até novembro de 2023. Em uma delas, Pereira Martins convidou Cléber para sair com “amigos da minha turma de coronéis”.
O relatório define o oficial como “grande amigo” dos dois e afirma que ele “parece abrir portas na corporação PMESP para Cléber e o grupo”.
Pereira Martins também aparece em mensagens tratando do uso das colônias da AOPM. Em setembro de 2023, quase um ano após a Operação Fractal, Robson perguntou se a unidade de Boraceia estava reservada para o feriado. O coronel confirmou.
O documento não afirma que as reservas tenham sido irregulares.
Operação Janus
Cléber e Robson foram presos no último dia 21 durante a Operação Janus, do Ministério Público de São Paulo (MPSP). A AOPM se manifestou, no site da entidade, na tarde desta terça-feira (28/7), exatamente uma semana após a ação da Promotoria.
Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o grupo mantinha uma estrutura clandestina para receber dinheiro vivo e devolver os valores por transferências feitas por empresas e contas de terceiros. O esquema teria entre seus clientes integrantes do PCC.
Pereira Martins não foi preso nem aparece entre os acusados de integrar o núcleo financeiro.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP
Frequência de envio: Diário
Ver todasO que dizem PM e SSP
A PM e a Secretaria da Segurança Pública afirmaram anteriormente que não compactuam com desvios de conduta e que a Corregedoria pediu acesso ao material para avaliar eventuais medidas, nos âmbitos criminal e administrativo.
A reportagem não localizou Pereira Martins. O espaço permanece aberto para manifestação.
O Metrópoles havia encaminhado anteriormente um e-mail à associação, no qual também solicitou um posicionamento sobre como é feito o controle de acesso, de não associados, em instalações da AOPM. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço segue aberto.
Leia íntegra da nota da Associação dos Oficiais da PM
“Diante das recentes reportagens veiculadas por diferentes veículos de comunicação acerca da Operação Janus, a Associação dos Oficiais da Polícia Militar do Estado de São Paulo (AOPM) observou que o nosso Diretor, Coronel PM Luiz Carlos Pereira Martins, não tem sobre si qualquer indício de práticas ilícitas, conforme informado nas próprias reportagens jornalísticas.
Todos os fatos apontados nas reportagens demonstram que o Coronel Pereira mantinha relações sociais e de amizade com pessoas num período em que sobre elas não pairavam quaisquer suspeitas de todos ao seu redor, só vindo a ser divulgados dados de uma investigação sobre eles anos depois.
Ainda assim as próprias notícias apontam que nosso Oficial não figura como indiciado e sobre ele não há qualquer suspeita de que tenha agido em contrariedade com a lei.
Confiamos no nosso Diretor, que sempre demonstrou lisura e competência na sua atuação por anos a fio na Diretoria desta Associação.
A AOPM continuará acompanhando os desdobramentos do caso e manterá seus canais institucionais abertos para prestar os esclarecimentos necessários aos associados, divulgando as eventuais informações pertinentes que venham a surgir, com a transparência que sempre norteou sua atuação.
São Paulo, 28 de julho de 2026.
Diretoria Executiva
Associação dos Oficiais da Polícia Militar do Estado de São Paulo – AOPM”


















