Vereadora cobrou Prefeitura de SP sobre prevenção 4 meses antes de temporal
As fortes chuvas desta semana deixaram alagamentos, congestionamentos, desabamentos e uma morte. A gestão Nunes não detalhou ações

São Paulo — A vereadora Marina Bragante (PSB), eleita deputada estadual, questionou medidas de prevenção e mitigação em São Paulo aos impactos do fenômeno climático El Niño, quatro meses antes das fortes chuvas que atingiram a cidade nesta semana.
Em meio ao temporal que atingiu a capital paulista nessa quarta-feira (14/10), uma mulher morreu soterrada. Além disso, foram registrados congestionamentos, desabamentos, motoristas ilhados, caos em estações de metrô, fechamento parcial do Aeroporto de Congonhas e alagamento do Túnel do Anhangabaú.
“Se o sistema de drenagem não foi capaz de impedir o alagamento de um túnel no centro de São Paulo, mesmo com as bombas funcionando, quais medidas a prefeitura está adotando para proteger a população diante da possibilidade de chuvas ainda mais intensas?”, questionou a vereadora, após o episódio recente. “Precisamos saber se São Paulo está realmente se preparando para os eventos climáticos extremos ou se continuará apenas reagindo às emergências”, destacou Bragante.
Protocolado em 16 de junho, o requerimento encaminhado por Bragante solicitou esclarecimentos sobre a existência de um plano de contingência, assim como mecanismos de integração com órgãos estaduais e federais e as ações destinadas à proteção de pessoas vulneráveis.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPEm resposta à vereadora, no entanto, a gestão de Ricardo Nunes (MDB) não detalhou ações tomadas. “A Prefeitura de São Paulo se prepara anualmente para o período de chuvas, independente se há projeções de fenômenos climáticos”, disse a Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas ao citar o Plano de Prevenção às Chuvas (PPC).
A administração municipal também informou que havia intervenções em 109 áreas de risco cadastradas pela Defesa Civil, mas também não especificou o estágio de execução das medidas de proteção. “Nesses locais, as equipes realizam o monitoramento permanente com vistorias técnicas e ações junto às comunidades e coordenam o atendimento a ocorrências e apoio à população em situações de emergência”, afirmou a prefeitura.
A resposta oficial também não esclareceu de que forma o município articula suas medidas preventivas com as estratégias estaduais e federais de enfrentamento aos eventos climáticos extremos. Embora tenha informado que o Plano de Prevenção às Chuvas reúne 13 órgãos municipais, a gestão não detalhou os mecanismos de cooperação externa solicitados pela parlamentar.

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Ver todasMPSP pediu explicação
Após o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) dizer que o túnel do Anhangabaú deveria ter sido fechado durante o temporal da última quarta-feira (14/10), o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmar que, se fechar o túnel sempre que houver alerta de chuva, vai paralisar o local.
“Você acha que a Prefeitura vai falar: ‘Vai encher de água, eu não vou fechar’? Óbvio que não. (…) A gente teve pouquíssimos minutos. Em 3 minutos [o nível de água] chegou em mais de 1 metro”, afirmou.
O prefeito disse que não é um negacionista climático e que a gestão já investiu mais de R$ 11 bilhões em obras de drenagem, contenção de encostas e piscinões.
Nunes também criticou o promotor Marcus Vinícius, da Promotoria de Habitação e Urbanismo do Ministério Público de São Paulo (MPSP). O órgão quer que a prefeitura explique, no prazo de 48 horas, quais medidas foram tomadas para deflagrar o plano de contingência contra enchentes.
“Eu vou parar a minha equipe para pegar esse relatório todo de tudo que a gente já está fazendo, coisas concretas, e vou mandar para ele lá se divertir”, afirmou. Em nota ao Metrópoles, o MPSP informou, a respeito da declaração do prefeito, que “aguardará o pronunciamento judicial”.





















