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São Paulo

Veja quais bairros de SP tiveram aumento nos roubos de celular em 2026

Apesar da queda em geral, um em cada cinco distritos policiais da cidade de São Paulo tiveram alta no número de roubos de celular neste ano

10/08/2026 03:00
William Cardoso/Metrópoles
Imagem mostra celular na rua em São Paulo - Metrópoles

Apesar da queda em geral (14,8%), um em cada cinco distritos policiais da capital paulista teve alta no número de roubos de celular no primeiro semestre deste ano, em comparação com igual período de 2025, segundo os dados da própria Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP).

São 18 bairros que, em sua maioria, têm duas características predominantes: pertencem a regiões relativamente centrais de maior poder aquisitivo ou estão na periferia da zona sul. Na cidade como um todo, foram mais de 26 mil ocorrências dessa natureza, ante pouco mais de 31 mil no ano passado.

Número e Nome da Delegacia – %

  • 102º DP Socorro – 41
  • 11º DP Santo Amaro – 34
  • 29º DP Vila Prudente – 19,5
  • 14º DP Pinheiros – 17,8
  • 96º DP Monções/Brooklin – 16,7
  • 27º DP Campo Belo – 10,6
  • 15º DP Itaim Bibi – 10
  • 92º DP Pq. Santo Antônio – 8,8
  • 34º DP Morumbi – 8,6
  • 08º DP Brás – 8
  • 33º DP Pirituba – 7,2
  • 04º DP Consolação – 6,6
  • 05º DP Aclimação – 6
  • 78º DP Jardins – 5,6
  • 47º DP Capão Redondo – 4,7
  • 58º DP Vila Formosa – 4,4
  • 98º DP Jardim Miriam – 4,3

Para chegar até os números, a reportagem utilizou a metodologia recomendada pela própria SSP. Foram excluídos os registros duplicados por nome de delegacia, ano e número de boletim de ocorrência. Também se optou por considerar apenas os crimes ocorridos e registrados exclusivamente no ano analisado.

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Insegurança e medo

A sensação de estar sendo caçado nas ruas impera entre quem vive o trabalha em bairros que tiveram alta nos roubos de celular.

A área do 11º DP (Santo Amaro) foi uma das que apresentaram alta na quantidade de roubos de celular e quem circula pela região reclama da insegurança.

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A cozinheira Iraci Rodrigues de Jesus, 65 anos, conta que escapou correndo de uma tentativa de assalto nas proximidades do Largo 13 de Maio, com os ladrões interessados em seu celular. “Vieram para cima de mim, perguntando sobre coisas para me distrair. Logo eu vi que não tinha nada a ver e saí fora”, afirma.

Para a cozinheira, a perda de um bem material é grave, mas não o pior que pode acontecer.

“O problema é quando eles te enfiam a faca, canivete ou dão um tiro, porque a vida não tem retorno. O celular, você compra outro”, diz Iraci.

A situação na Vila Olímpia também tira o sossego das pessoas. Há vias do bairro que fazem parte de dois dos 18 distritos policiais que tiveram aumento nos roubos de celular.

Durante este ano, a auxiliar de cozinha Íris Silva, 28 anos, já teve que escapar de assaltos em ruas estão tanto na área do 15º DP (Itaim Bibi), quanto no 96º DP (Monções/Brooklin).

Íris trabalha em um restaurante no shopping que leva o nome do bairro e pega o trem da Linha 9-Esmeralda. No caminho, já se livrou de assalto tanto na Rua Fidêncio Ramos, na área do 15º DP, quanto na Gomes de Carvalho, em parte no 96º DP.

Em uma delas, a auxiliar de cozinha gravava um áudio no meio da rua quando percebeu a aproximação de um suspeito. “Corri para o meu amigo, ele [suspeito] ficou sem graça e foi embora”, diz. Na outra, o ladrão chegou a tentar pegar o celular que estava no bolso de uma jaqueta, sem conseguir o objetivo. Hoje, Íris leva o aparelho na mochila. “Dá para esconder ou jogar em algum lugar”, diz.

O que diz a SSP

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) diz que não é correta a comparação de indicadores criminais de ruas, bairros ou distritos policiais, pois cada localidade possui características populacionais, sazonais e geográficas distintas, que impactam nos indicadores criminais e não trazem a real perspectiva da segurança pública na cidade.

A pasta também afirma que intensificou o enfrentamento aos roubos e furtos de celulares na capital por meio de ações integradas de inteligência, investigação e policiamento ostensivo.

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“Entre as medidas adotadas, destacam-se operações específicas para combater roubos, especialmente na modalidade ‘quebra-vidro’, com ações direcionadas à prevenção de abordagens contra motoristas e ao reforço da segurança nas principais vias com ocorrências”, afirma, em nota.

Segundo a pasta, durante o primeiro semestre deste ano, os roubos de celulares na capital paulista caíram 14,8% em comparação com o mesmo período de 2025.

Os roubos e furtos em geral também apresentaram queda de 12,6% e 2,3%, respectivamente. “No mesmo intervalo, mais de 23 mil criminosos foram presos ou apreendidos na cidade de São Paulo, e 1.426 armas foram retiradas de circulação. Além disso, desde 2023, mais de 85,2 mil celulares foram recuperados em todo o Estado. Deste total, cerca de 50% já foram devolvidos aos proprietários”, diz, em nota.