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São Paulo

Quem são advogados e empresas suspeitos de fraude bilionária no ICMS

Autoridades de SP deflagraram operação contra escritórios de advocacia suspeitos de envolvimento em esquema bilionário de sonegação

15/07/2026 08:36, atualizado 15/07/2026 11:07
Reprodução/ Instagram
Quem são advogados e empresas suspeitos de fraude bilionária no ICMS

Escritórios de advocacia e consultorias jurídicas são alvos de operação do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira/SP) contra esquema bilionário de sonegação de impostos. Ao todo, 38 mandados de busca e apreensão são cumpridos nos estados de São Paulo e Paraná nesta quarta-feira (15/7).

A Operação Distrato tem como alvo agentes ligados aos grupos econômicos de Nelson Wilians (à direita, na foto de destaque, ao lado da esposa Anne, também investigada), Alpha DMC. Esses agentes, segundo a investigação, eram responsáveis por captar clientes, formalizar contratos e operar as fraudes nos pagamentos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

O Cira identificou infrações em 752 empresas e sonegação de um montante que supera a casa dos R$ 3,8 bilhões.


Alvos de operação contra fraude no ICMS

Grupo econômico NW (Nelson Wilians):

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  • Pessoas jurídicas
    • DPAW Assessoria em Cobrança ltda.
    • Strategi Intermediação Corpotativa ltda.
    • Valestra Assessoria, Auditoria e Gestão ltda.
    • Valestra Negócios e Investimentos ltda.
  • Pessoas físicas
    • Aiche Ibrahim Abou Nassif
    • Fernando dos Santos Andrade Cavalvanti (à esquerda na foto de destaque)
    • Leticia Anastacio Céu
  • Sociedade de advogados e advogados
    • De Paula Advogados e Consultoria Jurídica
    • Nelson Wilians Advogados (filial Campinas)
    • Andre Luis Buialto de Godoy
    • Anne Carolline Willians Vieira Rodrigues
    • Flavio Pierro de Paula
    • Leonardo Rangel Pestana
    • Mayra Fahur de Paula
    • Nelson Willians Fratoni Rodrigues
    • Wilmara Lourenço Santos

Grupo econômico Alpha:

  • Pessoas jurídicas
    • Alpha Consulting Gestão de Ativos ltda
    • Alpha Group Gestão de Créditos e Serviços de Apoio Empresarial ltda
    • Beta Comércio de Atacados ltda
  • Pessoas físicas
    • Geraldo Gefesson de Sousa
    • Marcelo Guimarães do Santos

Grupo econômico DMC:

  • Pessoas jurídicas
    • DMC Energy Intermediações de Negócios ltda
    • T.C. Agropecuária S.A
  • Pessoas Físicas
    • Daniel Mansur Cury
    • Tatiana Freire Cury

Em relação ao grupo econômico Alpha, o Cira detalhou que os créditos comercializados eram essencialmente apresentados aos contribuintes como supostamente derivados da massa falida da empresa Nortel Networks Telecomunicações do Brasil Ltda com o objetivo de sustentar a alegada disponibilidade e segurança das compensações tributárias.

Já no caso do grupo econômico DMC, os investigados alegavam a existência de direitos creditórios decorrentes de uma ação judicial de desapropriação relacionada à Usina Santa Rita na década de 1970.

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“Embora os agrupamentos apresentem características próprias e fundamentos distintos para a alegada origem dos créditos, todos figuram associados a operações que resultaram na inserção de créditos de ICMS posteriormente considerados irregulares pela Administração Tributária”, afirmou o órgão.

Metrópoles tenta contato com os envolvidos e aguarda retorno. O espaço segue aberto para manifestações.

Entenda o esquema

Segundo a investigação, os escritórios e consultorias ofereciam, a empresários paulistas, a possibilidade de pagar menos ICMS por meio da compra de supostos créditos tributários vendidos com desconto. Os intermediários afirmavam que esses créditos eram legais e haviam sido autorizados pela Secretaria da Fazenda, apresentando a operação como forma legítima de planejamento tributário.

Os créditos, no entanto, não eram autorizados pelo Fisco e estavam vinculados a empresas inaptas, massas falidas ou sem lastro econômico real.

Após aderir ao esquema, as empresas deixavam de pagar parte do ICMS devido ao Estado e repassavam aos intermediários comissão que podia chegar a 70% do valor do imposto economizado. As autoridades destacam que os recursos que deveriam ser destinados aos cofres públicos eram desviados para os estelionatários.

A operação cumpre, nesta quarta-feira, 38 mandados em São Paulo, Campinas, Jundiaí e Ribeirão Preto, além das cidades paranaenses de Londrina e Cambé, com o objetivo de reunir novos elementos probatórios, identificar beneficiários econômicos e responsabilizar os envolvidos nas esferas administrativa, cível e penal.

O Cira é formado pela Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP), Ministério Público de São Paulo (MPSP) e Procuradoria-Geral do Estado (PGE/SP), com apoio das polícias Civil e Militar.