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Eleições 2026São Paulo

"Vale-tudo": candidatos ao Senado por SP reagem após desistência de Salles

Ex-ministro do Meio Ambiente anunciou sua saída da disputa ao Senado na manhã desta segunda-feira (28/9), após articulação de Tarcísio

28/09/2026 16:34, atualizado 28/09/2026 17:30
Reprodução
Candidatos ao Senado por SP

O deputado federal Ricardo Salles (Novo) desistiu da candidatura ao Senado por São Paulo. O anúncio foi feito durante agenda com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) nesta segunda-feira (28/9) e confirmado ao Metrópoles pelo próprio Salles.

Em questão de horas, os outros principais candidatos às duas vagas no Senado — os aliados Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), assim como as adversárias Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), reagiram à decisão do ex-ministro em suas respectivas redes sociais.

A também ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva afirmou em publicação que a decisão de Salles foi um “desrespeito” com os eleitores e categorizou a ação como um “vale-tudo” por parte da direita.

“Sempre digo que a forma como se ganha determina a forma como se governa”, acrescentou a candidata. “Este é um tempo difícil que exige coerência para dizer, em atitudes práticas, que não vale tudo para ganhar uma eleição.”

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Simone Tebet, por sua vez, foi breve em suas palavras. No pronunciamento publicado nas redes sociais, ela afirmou que “Salles se rendeu ao Centrão” e defendeu que sua candidatura, bem como a de Marina Silva, são as únicas com “independência e coragem para defender São Paulo no Senado Federal”.

Guilherme Derrite publicou um vídeo ao lado de Salles. No material, ele afirma que a desistência do ex-ministro foi por um “bem maior” e declarou “admiração” e “respeito” por Salles. Ele também indicou que a decisão foi articulada pelo governador Tarcísio de Freitas, com o intuito de “evitar que qualquer uma das candidatas do PT possam ter sucesso aqui em São Paulo”.

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Ao lado do ex-secretário, Salles reiterou o papel de Tarcísio na articulação e afirmou ter certeza de que Derrite será “o melhor senador do Brasil”.

André do Prado, por fim, publicou um vídeo ao lado de Derrite e Tarcísio, mas sem a presença de Salles. Os dois são desafetos e têm um histórico de divergências e troca de acusações, de maneira que Prado sequer mencionou o ex-ministro. A maior parte do vídeo é protagonizada pelo governador, que categorizou como “muito importante” a decisão de Salles, tomada por “grandeza”.

“A gente precisa dar as mãos, não dividir, mas somar”, afirmou Tarcísio. “Agora nós temos os nossos dois candidatos que, nesta reta final, precisam de todo apoio, de todo esforço para que a gente possa afastar o risco do PT.”

Na sequência, Derrite reforça a “admiração e respeito” por Salles, mencionados em seu próprio vídeo. Prado fica em silêncio até o final, quando diz apenas “vamos juntos, unidos, por São Paulo e pelo Brasil”.

Atritos entre Prado e Salles

Durante a campanha, Salles acusou Prado, também postulante a uma vaga de senador, de ter mantido um estuprador como chefe de seu gabinete na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), em referência a José Renato da Silva.

“O André do Prado tem outros problemas. Tem problemas relacionados ao seu ex-chefe de gabinete, que estuprou não só a filha, como as netas, mais de 700 vezes. Isso está nos jornais. Ou seja, como é que alguém teve um chefe de gabinete, durante 13 anos, que foi uma pessoa que estuprou a filha e as netas. Foi condenado a 40 anos de prisão”, disparou Salles em entrevista ao Metrópoles.

Em nota à época, Prado repudiou “qualquer tentativa de distorcer os fatos” e lamentou que Salles tente “explorar politicamente o drama vivido por uma família para obter vantagem eleitoral”.

“José Renato da Silva era funcionário da liderança do partido. Assim que o partido tomou conhecimento da denúncia, ele foi imediatamente demitido. Antes disso, jamais havíamos tido conhecimento dos fatos relatados que, segundo a própria denúncia, ocorreram no âmbito familiar”, dizia a nota.

Em agosto, ainda na pré-campanha, Salles também havia perdido uma disputa para Prado no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), quando precisou remover uma publicação de suas redes sociais na qual criticava o deputado estadual.

O post em questão afirmava que “não pode o maior colégio eleitoral votar no André do Prado”, o que o TRE entendeu como sendo um pedido de não voto, tão irregular quanto o pedido de voto na fase de pré-campanha.

Na semana passada a essa decisão, inclusive, o TRE-SP já havia aplicado duas multas no valor de R$ 5 mil a Salles por propaganda eleitoral antecipada e por impulsionamento de conteúdo negativo contra o adversário André do Prado.

Os dois também trocaram ataques durante o primeiro debate entre os candidatos ao Senado por São Paulo, há pouco menos de três semanas. Na ocasião, Salles questionou Prado sobre seu histórico de alianças e colocou em dúvida as credenciais do candidato do PL como representante do campo conservador. Prado reagiu, lembrando antigas relações políticas de Salles com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

Já no segundo debate, os embates entre os dois voltaram a acontecer. Em um momento de tensão, Salles disse que Prado é uma “marionete do Valdemar Costa Neto”, presidente do PL, “conhecido no Brasil como uma das pessoas mais corruptas da política brasileira”. O presidente da Alesp rebateu argumentando que é “ficha limpa”, enquanto Salles é réu no STF [por supostamente beneficiar contrabando de madeira].

Acordo por desistência

Aliados de Salles e de Tarcísio especulam um possível acordo para que, em troca de desistir da candidatura ao Senado, o ex-ministro do Meio Ambiente tenha o apoio do grupo político do governador nas próximas eleições. Outra possibilidade seria a indicação de Salles para algum cargo na gestão estadual.

Antes da desistência, ao longo da campanha, Salles já afirmava a interlocutores que, caso não fosse eleito, seu objetivo era disputar a Prefeitura de São Paulo em 2028, quando Ricardo Nunes (MDB) encerrará seu segundo mandato e não poderá disputar a reeleição.

Desde 2024, quando Salles teve a candidatura preterida pelo PL, que decidiu apoiar Nunes, o deputado e o prefeito são desafetos. Por causa disso, alguns correligionários consideram remota a chance de o deputado do Novo ter o apoio para a sucessão do atual prefeito.

Caso conseguisse uma das cadeiras ao Senado na atual eleição, Salles avaliava a aliados a possibilidade de tentar o governo de São Paulo em 2030, possivelmente contra Ricardo Nunes, que mantém o desejo de disputar o Palácio dos Bandeirantes daqui a quatro anos.