
Tarcísio e Haddad trocam farpas sobre educação, segurança e Bolsonaro
Petista questionou desempenho no Ideb e criticou combate ao PCC e avanço do Comando Vermelho; Tarcísio rebateu e citou o combate a fraudes

O primeiro debate eleitoral entre os candidatos ao governo de São Paulo, na Band, começou marcado por troca de críticas entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) sobre educação e segurança. Os dois também trocaram provocações ao citar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Os adversários começaram o debate respondendo sobre os resultados mais recentes do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O município de São Paulo ficou abaixo da média nacional no principal indicador de qualidade da educação básica do país e apareceu entre as capitais com pior desempenho nos anos iniciais do Ensino Fundamental.
Tarcísio foi o primeiro a responder. No púlpito, o governador falou sobre projetos para a educação e, em seguida, destacou o esvaziamento da Cracolândia, uma das principais bandeiras de sua gestão.

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Ver todasNa sequência, Haddad foi ao centro do palco e criticou o desempenho do governo Tarcísio na educação pública. “O Tarcísio herdou o estado de São Paulo na terceira colocação em termos de qualidade do ensino médio e está entregando o Estado na décima posição”, afirmou.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPO primeiro embate direto entre os candidatos ocorreu na discussão sobre segurança pública. Haddad elevou o tom ao criticar a gestão de Tarcísio e Guilherme Derrite (PP), ex-secretário de Segurança Pública do governador e atual candidato ao Senado por São Paulo na chapa do Republicanos.
“Não é verdade que está tendo combate ao PCC. O Comando Vermelho entrando no estado. Uma das coisas mais graves da história da PM: coronéis vinculados ao crime organizado. Teve que afastar o comando geral sem falar o motivo”, declarou Haddad.
Derrite, que acompanhava o debate na plateia, reagiu com risadas.
Tarcísio rebateu as críticas e citou ações de combate a crimes financeiros. “Combatemos as fraudes e a lavagem de dinheiro no setor de combustíveis”, afirmou. O governador também mencionou o vereador petista Senival Moura, preso em uma operação que investiga um esquema de lavagem de dinheiro do PCC envolvendo uma empresa de ônibus de São Paulo.
Haddad também criticou a relação do governo estadual com os municípios do interior de São Paulo, região que concentrou parte significativa dos votos que elegeram Tarcísio na eleição passada. O petista afirmou que a gestão estadual investiu bilhões na nova sede administrativa, mas criou entraves para realizar repasses às cidades do interior.
“Você não apoiou [os prefeitos do interior] com a mesma generosidade que recebeu”, afirmou.
Relação com Bolsonaro
A relação entre Tarcísio e o ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado do governador, também entrou no debate durante uma discussão sobre a renegociação da dívida de São Paulo. Tarcísio pediu que Haddad “esquecesse Bolsonaro”. O petista respondeu: “Você tem vergonha do Bolsonaro?”.
“Gratidão não se prescreve”, rebateu Tarcísio. O governador argumentou que Haddad deveria deixar Bolsonaro de lado porque a disputa entre os dois ocorreu em 2018, quando o petista foi derrotado pelo então deputado federal na eleição presidencial.
Na parte final do bloco, os candidatos passaram a discutir a política econômica nacional. Ao citar dados sobre o endividamento das famílias, Tarcísio perguntou qual conselho Haddad daria ao próximo presidente da República.
“Não nomear o Roberto Campos Neto como presidente do Banco Central”, respondeu Haddad, em referência ao economista indicado por Bolsonaro para comandar a instituição. A gestão de Campos Neto foi marcada por críticas públicas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aos juros.



