
STF e privatizações pautam debate presidencial Metrópoles/Inteligência Ltda
Samara Martins (UP), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) participaram de debate nesta sexta-feira (18/9)

São Paulo — A crise no Supremo Tribunal Federal (STF), o reajuste do Bolsa Família anunciado pelo governo Lula (PT) e as privatizações na educação foram alguns dos temas que pautaram o debate de presidenciáveis organizado pelo Metrópoles em parceria com o podcast Inteligência Ltda, nesta sexta-feira (18/9).
Primeiro evento desta eleição a ter a presença de uma candidata de esquerda, Samara Martins (UP), o debate foi também o primeiro com a participação de Romeu Zema (Novo), que faltou ao debate promovido pela Band, no início de agosto.
Samara e Zema protagonizaram os maiores embates da noite, discutindo sobre assuntos como educação, política externa e modelos econômicos. Terceiro participante do evento, Augusto Cury (Avante) fez dobradinha com Zema para criticar o STF e Lula.
Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) cancelaram a participação de última hora e não compareceram. Já Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), também convidados, não responderam ao convite e faltaram ao evento.
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A primeira parte do debate foi marcada pelos embates entre Samara e Zema. A candidata da UP fez uma fala em defesa dos povos da Palestina e de Cuba, e perguntou ao ex-governador de Minas Gerais como trataria a questão da soberania nacional caso fosse eleito.
Zema saiu pela tangente e defendeu que o Brasil deveria combater a forte dependência do comércio com a China. “Nenhum país do mundo deveria representar mais do que 10% das vendas que o Brasil faz. E hoje a China representa 30%”, disse o candidato, prometendo que, se eleito, irá tirar o Brasil do BRICS.
Samara, então, afirmou que as privatizações, entre elas as que foram feitas por Zema em Minas, iam contra a defesa da soberania. “É uma entrega da nossa soberania porque grande parte dessas privatizações é para empresas estrangeiras”, disse.
Zema se incomodou e alegou que defende as privatizações porque é o que deu certo no mundo. “Talvez você venere, goste, de Hugo Chávez, Nicolás Maduro […] Parece que a sua receita é exatamente a mesma”, afirmou, atacando a adversária.
Minutos depois, os dois voltaram a debater privatizações, desta vez, na área da educação. Samara criticou a concessão de escolas à iniciativa privada feita por Zema em Minas.
“Defendemos a educação como um direito e não como uma mercadoria”, disse ela. “Não tem nada melhor para as pessoas do que a concorrência. O que muita gente quer é pasteurização para poder doutrinar”, retrucou Zema.
Durante o debate, Samara também foi alvo de Cury. Usando uma estratégia de tentar desqualificar a adversária, Cury questionou, em diversos momentos, se Samara sabia dados específicos, como a quantidade de microempreendedores no país e qual o percentual de juros pagos a mais por mulheres do que homens.
Ao término do debate, a candidata criticou a postura: “É quase impossível para eles que uma mulher tenha condições intelectuais, condições políticas de estar nesses espaços.”

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Zema e Cury tentaram angariar os votos de eleitores mais ligados à direita, fazendo críticas ao STF. O ex-governador de Minas disse, ainda em sua apresentação, que o Supremo virou um “balcão de negócios”. Em outro momento, aproveitando uma dobradinha com Cury, Zema afirmou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, é um “acovardado” por não colocar em votação pedidos de impeachment de ministros do Supremo.
Cury, que começou o debate chamando a sessão do STF da última terça de “teatro”, disse que era preciso restringir os mandatos dos ministros a oito anos. Ele também defendeu mudanças na indicação dos magistrados.
Os dois candidatos voltaram a se unir nas críticas ao aumento do Bolsa Família anunciado por Lula, com Zema chamando a medida de “politiqueira”. Cury disse que a atitude é como “usar a dor dos outros para ganhar eleição”, chamando a decisão de irresponsável. Já Samara defendeu a medida e disse que, se eleita, pretende dobrar o salário mínimo.
Em outra parte do debate, Samara e Zema discutiram sobre o fim da escala 6X1, com a candidata da UP dizendo que o mineiro era contra a medida por ser rico. O ex-governador de Minas afirmou que defendia o fim do modelo atual da CLT, com a aplicação de uma remuneração por horas.



