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Eleições 2026São Paulo

Por que a Segurança Pública se tornou o principal tema das eleições de 2026

No último vídeo da série Na Boca da Urna, especialistas explicam por que o tema da segurança pública pode definir o resultado deste pleito

30/09/2026 02:00
Lara Abreu/Arte Metrópoles
Por que a Segurança Pública se tornou o principal tema das eleições de 2026 - Metrópoles

A sensação de insegurança vivenciada cotidianamente pelo brasileiro pode definir o rumo do país nas eleições de 2026. Os dados alarmantes da segurança pública (veja abaixo) justificam esse sentimento, o que levou candidatos de diferentes espectros políticos a apostarem no tema como principal capital eleitoral da disputa.

Nesta quarta-feira (30/9) a série Na Boca da Urna traz um vídeo sobre o assunto. Veja:

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Segundo o último Anuário Brasileiro da Segurança Pública, publicado em agosto, houve um roubo e celular a cada 38 segundos no país no ano passado, além de um estelionato ou golpe digital a cada 14. O relatório também mostra que foi registrado um estupro a cada seis minutos, um homicídio a cada 13, e uma mulher foi vítima de feminicídio a cada cinco horas e meia.

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“Eu diria que a gente está num combo. O brasileiro está mais inseguro do que nunca e os patamares de crime e violência seguem altos, preocupando a população e, portanto, acaba sendo um baita capital político para ser usado aí nas eleições”, explicou Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, ao Metrópoles.

Além de alarmantes, os índices de violência são cotidianos, e afetam as rotinas dos brasileiros. “Por isso que ele tem essa proeminência na agenda de preocupação do cidadão. E, obviamente, durante a campanha eleitoral, vira um dos temas centrais pra que qualquer candidato possa debater também”, apontou Marco Teixeira, cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A pesquisa Nexus/BTG, de julho deste ano, mostrou que quase 30% dos brasileiros consideram a segurança pública, a violência e a criminalidade como principais pontos de preocupação nacional. Em seguida, aparece a corrupção (24%) e a saúde (23%), temas que já foram prioridade do eleitorado.

Candidatos focam na segurança pública

À direita ou à esquerda, candidatos apostam na segurança pública para ganhar o voto do eleitor.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por exemplo, sugere a criação de um ministério específico para o tema. Flávio Bolsonaro (PL) reforça que pretende definir internamente as facções criminosas como organizações terroristas, seguindo a classificação feita pelos Estados Unidos.

Augusto Cury (Avante) focou parte das propostas no combate à violência contra a mulher, e Renan Santos (Missão) quer replicar o modelo adotado por Nayib Bukele em El Salvador, entre outros candidatos.

Independente da ideologia, os candidatos têm o dever de apresentar suas propostas com responsabilidade, analisou Felippe Angeli, coordenador de advocacy do JUSTA. “[Que elas] sejam baseadas em evidências, e que busquem solucionar, de fato, o problema da sociedade, e não apenas encantar eleitores, apenas para [o candidato] ser eleito e depois esquecer desses eleitores e eleitoras”, destacou.

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Como escapar do medo e escolher um candidato

Quando o assunto é segurança pública, o medo – resposta emocional e fisiológica natural do organismo – é um dos fatores mais decisivos na tomada de decisão. “O sentimento de medo é algo que engaja socialmente o indivíduo pela força do sentimento”, apontou Angeli.

O relatório Os Gatilhos da Insegurança, do Fórum Brasileiro da Segurança Pública, é bem incisivo: é o medo, e não dados ou argumentos racionais, que vai determinar as escolhas na urna em outubro.

Mas, em uma disputa eleitoral que vai definir o futuro do país, é preciso se apegar à racionalidade e abandonar as questões emocionais, argumentaram os especialistas ouvidos pela reportagem.

“A primeira coisa, eu gosto de dizer é: se o seu candidato grita, bate na mesa ou então diz ‘estamos em guerra, vamos para cima’, desconfie. Muito possivelmente, ele vai apresentar duas ou três ideias como uma grande solução quando, na verdade, ele precisa apresentar questões um pouquinho mais difíceis de explicar”, exemplificou Carolina.

Teixeira indica que o eleitor fuja de candidatos que apresentam “soluções fáceis”, já que o tema da segurança pública “é um emaranhado de complexidade muito grande”.

“O que o eleitor precisa saber também é que a responsabilidade pela segurança pública é do governo do estado, não é da Presidência da República e nem da prefeitura”, esclareceu.

O cientista político lembrou, no entanto, que o presidente pode elaborar um plano nacional e ajudar a debater o tema da segurança nacionalmente. “Sem esquecer que o Brasil é um país muito diferente. Ou seja, violência, estrutura e tecnologia nem sempre estão presentes da mesma forma nos mesmos lugares”, apontou.


Confira aqui todos os vídeos da série Na Boca da Urna: