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São Paulo

Marido da prefeita, secretário de Bauru é preso por suspeita de corrupção

Renato Purini é alvo de investigação que apura supostos casos de corrupção na gestão de resíduos sólidos de Bauru

16/10/2026 11:24, atualizado 16/10/2026 11:27
Divulgação/Prefeitura de Bauru
Imagem colorida mostra secretário e marido da prefeita de Bauru preso em operação. Metrópoles

São Paulo — O secretário municipal de governo de Bauru, no interior de São Paulo, Renato Celso Bonomo Purini, foi preso preventivamente nesta sexta-feira (16/10) durante uma operação contra supostos casos de corrupção na administração da cidade. A investigação, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), apura um contrato de R$ 5,2 bilhões para a concessão dos serviços de resíduos sólidos.

Além de secretário, Purini é marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD). Ela não é alvo da operação.

A ação desta sexta-feira é um desdobramento da Operação Cavalo de Troia, deflagrada no início de setembro, quando as autoridades obtiveram acesso a mensagens dos investigados. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPSP, também cumpriu mandados de busca e apreensão na Prefeitura de Bauru, além de endereços na capital paulista.

Em nota, a administração municipal confirmou a operação, mas informou que não foi oficialmente comunicada sobre os motivos da investigação. “A Prefeitura permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com o que for necessário e prestar os esclarecimentos eventualmente solicitados”, diz o comunicado.

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O Metrópoles tenta contato com a defesa de Renato Purini.

Investigação sobre esquema milionário na prefeitura

Deflagrada em 9 de setembro, a operação Cavalo de Troia apurou um esquema de fraude na concessão do sistema de gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos pela administração municipal.

Segundo o Gaeco, a estratégia do esquema consistia em inserir, no centro da administração, uma secretária que mantinha vínculos profissionais e econômicos com a empresa que recebeu direcionamento na licitação.

A partir dessa posição, os interesses particulares passaram a influenciar a condução do procedimento, o que permitiu a articulação de propostas públicas com representantes empresariais.

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A contratação tem previsão de durar 30 anos, com valor global estimado em cerca de R$ 5,2 bilhões em números de fevereiro de 2026. Trata-se da maior contratação pública já projetada na história de Bauru.


Núcleo com agentes públicos

  • Elementos reunidos na investigação indicam que o esquema teria sido construído por camadas.
  • Primeiro, a a concepção da concessão e a elaboração dos estudos técnicos. Depois, a definição das exigências de habilitação e pontuação, passando pela contratação de consultorias, a preparação de documentos oficiais, além da reação diante de impugnações e potenciais concorrentes.
  • A finalidade era assegurar vantagem indevida à empresa investigada.
  • As apurações apontam, ainda, a existência de um núcleo formado por agentes públicos, dirigentes e funcionários da empresa privada, consultores e intermediários, com divisão de funções e atuação coordenada.
  • O MPSP também identificou indícios de pagamentos e vantagens para reduzir a competição e garantir o direcionamento da licitação, além da cooptação de agentes públicos para neutralizar mecanismos de controles.
  • “Os investigados chegaram a levantar informações pessoais de um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, supostamente relacionado à relatoria de procedimento naquele órgão”, afirmou o órgão.

Com as operações, o MPSP busca aprofundar a investigação dos crimes de fraude ao caráter competitivo da licitação, corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, falsidade ideológica e associação criminosa.

Na época, a Prefeitura de Bauru havia informado que respeita a atuação do MPSP e que iria colaborar com as autoridades competentes. “A Prefeitura reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o interesse público e prestará todo o apoio necessário para o completo esclarecimento dos fatos”, disse.