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São Paulo

Secretário contesta 27 tiros contra jovem: "Quatro projéteis no corpo dele"

Gustavo Munis, de 20 anos, foi morto em SP durante uma abordagem da PM no último sábado (10/10). Pelo menos 45 disparos foram efetuados

14/10/2026 07:00
Montagem Metrópoles
Secretário contesta 27 tiros contra jovem: “Quatro projéteis no corpo dele”

São Paulo — Secretário de Segurança Pública do estado de São Paulo, o ex-delegado Osvaldo Nico Gonçalves colocou em dúvida o número de tiros que atingiram Gustavo Munis, de 20 anos, morto na madrugada do último sábado (10/10) durante uma abordagem da Polícia Militar (PM) na qual quatro agentes dispararam pelo menos 45 vezes contra o jovem.

Segundo informado por ele em entrevista ao Metrópoles, durante a análise dos legistas foram encontrados apenas quatro projéteis no corpo de Gustavo, o que difere do número apresentado em análise preliminar no boletim de ocorrência do caso, no qual constava que o jovem teria sido vítima de 27 perfurações, dentre os 45 disparos realizados com pistolas calibre .40 pelos policiais.

Para Nico, o número registrado inicialmente pode ter sido tão alto por conta de possíveis contagens duplas, no caso de projéteis que tenham atravessado o corpo de Gustavo e resultado em duas perfurações para uma única bala, por exemplo. Ele foi atingido na cabeça, no tórax, nas pernas e nos braços.

Em relação ao número de disparos, confirmado a partir da quantidade de cápsulas recolhidas no local, o secretário adotou cautela e afirmou que é “cedo para afirmar” se houve excesso, apontando que os laudos ainda não foram finalizados, o que deve acontecer nos próximos dias.

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Gustavo Munis de Santana trabalhava como jovem aprendiz, não tinha antecedentes criminais e morava com a mãe e irmãs em Moema, na zona sul de São Paulo. Descrito por amigos como uma pessoa leal e alegre, ele foi sepultado no Cemitério Congonhas na tarde de segunda-feira (12/10).

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8 imagens
Tiros furaram portão em endereço onde Gustavo foi morto por policiais militares
Marcas de sangue no endereço onde Gustavo foi morto
Portão e paredes de estabelecimento onde Gustavo foi assassinado guardam marcas dos disparos
Estabelecimento onde Gustavo Munis foi assassinado com 27 tiros por policiais militares
Marcas dos disparos nas paredes e portões do endereço onde Gustavo foi morto
Gustavo Munis de Santana, jovem de 20 anos morto a tiros pela PM
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Gustavo Munis de Santana, jovem de 20 anos morto a tiros pela PM

Reprodução/Redes Sociais
Tiros furaram portão em endereço onde Gustavo foi morto por policiais militares
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Tiros furaram portão em endereço onde Gustavo foi morto por policiais militares

Jessica Bernardo / Metrópoles
Marcas de sangue no endereço onde Gustavo foi morto
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Marcas de sangue no endereço onde Gustavo foi morto

Jessica Bernardo / Metrópoles
Portão e paredes de estabelecimento onde Gustavo foi assassinado guardam marcas dos disparos
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Portão e paredes de estabelecimento onde Gustavo foi assassinado guardam marcas dos disparos

Jessica Bernardo / Metrópoles
Estabelecimento onde Gustavo Munis foi assassinado com 27 tiros por policiais militares
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Estabelecimento onde Gustavo Munis foi assassinado com 27 tiros por policiais militares

Jessica Bernardo / Metrópoles
Marcas dos disparos nas paredes e portões do endereço onde Gustavo foi morto
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Marcas dos disparos nas paredes e portões do endereço onde Gustavo foi morto

Jessica Bernardo / Metrópoles
Policiais deram 45 tiros contra Gustavo
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Policiais deram 45 tiros contra Gustavo

Jessica Bernardo / Metrópoles
Gustavo Munis de Santana, jovem de 20 anos morto a tiros pela PM
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Gustavo Munis de Santana, jovem de 20 anos morto a tiros pela PM

Reprodução/Redes Sociais

“Legítima defesa”

À reportagem, Nico também afirmou que vê a ação dos policiais como “legítima defesa”. Para ele, que defendeu que as pessoas se coloquem no lugar dos policiais, foi uma reação condicionada pelas circunstâncias — pelas imagens do caso, registradas por uma câmera de segurança no local, é possível ver que o jovem avançou em “posição tática”, empunhando o celular como uma arma, o que teria confundido os agentes da PM.

Ainda de acordo com o secretário, a iluminação precária do ambiente — a ocorrência foi durante a madrugada — também teria colaborado, assim como o fato de Gustavo ter, segundo o boletim de ocorrência, resistido a uma ordem de parada emitida anteriormente pelos PMs.

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Nas imagens abaixo, é possível ver o momento em que Gustavo se esconde em uma área escura. Os policiais militares se aproximam e, nesse momento, ele saca o celular, aponta para os policiais e começa a avançar contra eles. Mesmo após ser contido, o jovem continua sendo baleado na região das costas.

Veja:

Nico também afirmou que lamenta profundamente a situação, e que “ninguém queria que isso acontecesse”. Segundo ele, os quatro agentes que realizaram os disparos estão “muito abalados”, e vão receber assistência psicológica durante o período de afastamento.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) confirmou que o caso é investigado pelas polícias Civil e Militar e que a conduta dos agentes é apurada por meio de um Inquérito Policial Militar.

“A SSP não tolera desvios de conduta dos seus agentes e, constatadas irregularidades, os profissionais serão punidos com rigor. As armas dos policiais e o celular da vítima foram apreendidos para perícia. As imagens registradas pelas câmeras corporais durante a ação também foram solicitadas para análise”, diz a nota.


Cronologia do caso

  • Agentes da PM foram acionados por volta das 3h do último sábado para atender a uma ocorrência de tentativa de suicídio na Avenida Moreira Guimarães, no bairro Indianópolis, zona sul da capital.
  • A denúncia era de que o jovem estava transtornado e ameaçava atirar contra si mesmo, ainda que não estivesse armado.
  • No local, encontraram Gustavo sobre uma passarela e com a mão na cintura em “postura ameaçadora”.
  • Na sequência, o jovem teria saído correndo e ignorado ordens de parada dos policiais.
  • Ao chegar na Alameda dos Guaramomis, ele se abrigou em uma área escura à frente de um imóvel, momento em que os policiais acionam outras três viaturas para atender à ocorrência.
  • Após alguns momentos, Gustavo sai da sombra e avança contra os policiais empunhando um “objeto escuro” como se fosse uma arma, e é atingido por diversos disparos dos PMs. Posteriormente, viu-se que o objeto era um celular.
  • Segundo o B.O., um dos soldados efetuou 14 disparos; outro, 13; um terceiro, 12; e o quarto agente, seis disparos.