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São Paulo

"Se prostitui por cargo", insinua Eduardo Bolsonaro sobre Simone Tebet

Ex-deputado federal comparou fala descontextualizada de Tebet com nomeação a ministério para apontar contradição da candidata ao Senado

28/09/2026 23:19, atualizado 29/09/2026 13:29
Reprodução/YouTube
Eduardo Bolsonaro participou de programa na imprensa argentina

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) – que teve o mandato cassado na Câmara Federal – reagiu, na noite desta segunda-feira (28/9), às declarações da candidata ao Senado Simone Tebet (PSB) sobre a desistência de Ricardo Salles (Novo) em meio à disputa pelas duas vagas de São Paulo em aberto no Senado. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) chamou a ex-ministra de “vassala do Lula” e insinuou que ela “se prostitui por cargo”.

A declaração foi feita em vídeo publicado nas redes sociais do ex-parlamentar que, atualmente, mora nos Estados Unidos. Veja:

“Isso aqui é inacreditável”, começa Eduardo. “Nunca subestime a capacidade do bicho político achar que você é otário.”

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Na sequência, ele menciona o pronunciamento feito por Tebet no começo do dia, quando a candidata afirmou que Salles “se rendeu ao Centrão”, ao desistir da candidatura. Ela também defendeu que sua candidatura e a de Marina Silva (Rede) são as únicas com “independência e coragem para defender São Paulo no Senado Federal”.

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Eduardo então rebate Tebet afirmando que “o Salles não se rendeu ao Centrão”, e que “apenas reconhece que o principal que poderia acontecer é os votos da direita se dividir (sic) entre três candidatos”, o que abriria caminho para que candidatos de esquerda como Tebet, “vassala do Lula”, pudessem representar o estado. O ex-deputado acrescenta que vê “patriotismo” no ato de Salles, ex-ministro do Meio Ambiente no governo de seu pai.

Na sequência, Eduardo afirma que a crítica da direita ao Centrão é em função de ele ser “uma coisa durante a eleição” e outra após o pleito. Nesse momento, o vídeo exibe uma fala descontextualizada de Tebet, feita aparentemente em 2022, quando ela era candidata à Presidência pelo MDB.

Na ocasião, ela afirmou que o então candidato e adversário Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não tinha a “capacidade de fazer um mea culpa como grande orquestrador do, até então, maior escândalo da história da República”, em referência ao Petrolão. Ela também defendeu que “seu MDB” era o da “ética, responsabilidade, redemocratização”, e citou nomes históricos da sigla.

Após a exibição dos trechos, Eduardo termina a fala afirmando que, “quando passa a eleição, [o Centrão] faz tudo ao contrário; se prostitui por cargo, ministério“. A fala é acompanhada pela imagem de uma manchete anunciando a nomeação de Tebet como ministra do Planejamento, após a vitória de Lula.

Procurada pelo Metrópoles, a campanha de Simone Tebet repudiou, em nota, as declarações de Eduardo Bolsonaro. Segundo o comunicado, a fala “ultrapassa todos os limites do debate democrático”.

“Atacar uma mulher com uma insinuação de natureza sexual para tentar desqualificá-la politicamente é uma forma abjeta de violência política contra a mulher. Não é crítica e muito menos divergência, é uma tentativa de intimidar uma mulher que ocupa espaço de poder”, continua a mensagem.

A campanha afirmou, ainda, que irá acionar a Justiça Eleitoral e o Ministério Público Eleitoral contra o ex-parlamentar, a fim de conseguir a remoção do vídeo e a responsabilização criminal de Eduardo.

“Não é a primeira vez que sofro violência política de gênero e, infelizmente, não será a última. Mas não me intimido. Lamento o nível, mas não me surpreende quando vem de um contumaz condenado pelo Supremo Tribunal Federal, que já foi condenado por coação no curso do processo e acaba de ser condenado novamente por difamação contra outra mulher”, afirmou Tebet. “É um covarde que ataca protegido pela distância e por um exército digital propagador de discurso de ódio.”