Sastre confessa ingerir álcool antes de acidente com Porsche e se arrepende
Sastre confessa pela primeira vez ter ingerido bebidas alcoólicas na noite em que matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana

São Paulo — Durante depoimento no segundo dia de julgamento no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), o empresário Fernando Sastre, confessou, pela primeira vez, ter ingerido bebida alcoólica antes de dirigir Porsche que matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, na noite de 31 de março de 2024, na Avenida Salim Farah Maluf, no bairro do Tatuapé, zona leste da capital.
Antes de começar a narrar a sequência cronológica dos fatos, Sastre afirma que se arrepende de ter bebido um drink no restaurante, antes de ir para uma jogatina de poker com os amigos.
“Eu sofri muito e ainda sofro todos os dias. Tenho muita vergonha e arrependimento. Eu nunca saí de casa para causar um acidente. Ninguém precisava passar por isso”, declara Sastre.
O promotor de Justiça questionou se Sastre também bebeu na casa de jogos. O réu negou e explicou ter ciência que não poderia dirigir em alta velocidade alcoolizado.
No primeiro dia de julgamento, Marcus Vinicius Machado Rocha, que estava de carona no Porsche 911 de Fernando Sastre quando ele causou um acidente que matou Ornaldo, contou que foi intimidado e abandonado pelos amigos após dizer o que acredita ser a verdade sobre aquela noite. O estudante fraturou quatro costelas e perdeu o baço em razão do acidente causado por Sastre, que dirigia bêbado.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPEle declarou que amigos de Sastre o pediram para mentir ou aliviar para o empresário. No entanto, Marcus recusou e foi chamado de traidor, antes de ser esquecido pelos amigos. Na versão do sobrevivente, Sastre e a então namorada Giovanna brigaram pelo fato dele querer dirigir embriagado.
A acusação questionou Sastre sobre o bullying sofrido pelo amigo por contar que o réu dirigiu embriagado. O empresário prontamente respondeu: “Eu não tenho o controle sobre o bullying que as outras pessoas fizeram, mas eu sempre reprovei isso e isso eu sempre falei para a minha família.”

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Em depoimento prestado à Justiça na tarde desta quarta-feira (29/10), Sastre detalhou a própria versão cronológica dos acontecimentos.
Segundo o relato de Sastre, a programação da noite de 24 de março teve início em sua residência, de onde partiu acompanhado da namorada, Giovanna, para um jantar com o casal de amigos Marcus e Juliana. O grupo chegou ao restaurante por volta das 20h, ocupando uma mesa na área externa. Na ocasião, foram consumidos aperitivos, água e bebidas alcoólicas — momento em que o réu admite ter ingerido um drink.
Por volta das 23h, com o encerramento das atividades do estabelecimento, o grupo decidiu se deslocar para uma casa de poker. O trajeto foi realizado em dois veículos: o réu seguiu em seu automóvel acompanhado de Marcus, enquanto Giovanna e Juliana foram juntas no outro carro.
Já no estabelecimento de jogos, após o pagamento da taxa de entrada, o Sastre e Marcus dirigiram-se às mesas de torneio, enquanto as companheiras acomodaram-se em uma área próxima ao buffet. Em sua declaração, o acusado afirma que não consumiu bebidas alcoólicas no local, limitando-se ao consumo de água e água tônica.
Aproximadamente às 2h, Giovanna manifestou o desejo de ir embora devido ao cansaço. Diante da insistência do réu em permanecer no local, o casal discutia sobre o que fazer. Para encerrar o impasse, ficou acordado que deixariam o estabelecimento, mas com o compromisso de convidar os amigos para jogarem sinuca na residência de Sastre, proposta que não agradou à namorada.
Após o episódio, Giovanna decidiu ir para a própria residência acompanhada de Juliana. Marcus, por sua vez, aceitou o convite para a partida de sinuca e embarcou no Porsche com o réu.
Durante o trajeto de retorno, o veículo percorreu vias do bairro até acessar a Avenida Salim Farah Maluf. O réu reconhece ter realizado a ultrapassagem de um automóvel pela faixa da esquerda e parado em um semáforo que sinalizava luz vermelha.
A respeito do momento exato do acidente, o acusado alegou ter lapsos de memória: “Depois é uma memória muito fragmentada. Me lembro de ter visto o carro na minha frente, tento frear, mas aí eu tenho de repente um apagão. Aí não tem mais nada”.
Sastre declarou que, ao retomar a consciência, já se encontrava fora do veículo e percebeu o amigo Marcus ferido e com dores, entrando em estado de choque e confusão mental. Na sequência, um morador que presenciou a cena o auxiliou a se sentar junto a uma parede, orientando-o a não deixar o local devido à gravidade do acidente.
Em seu depoimento, o réu afirmou que tinha ciência de que o motorista do outro veículo, Sr. Ornaldo, havia se ferido, embora não o visualizasse diretamente de onde estava, mantendo o foco no atendimento ao amigo.
Por fim, o acusado justificou sua saída da cena do acidente alegando que uma policial militar teria autorizado o seu desligamento do local sob os cuidados de sua mãe. A mulher argumentou com a equipe policial que o conduziria a uma unidade hospitalar. Sastre confessou, contudo, que não buscaram atendimento médico imediato, dirigindo-se diretamente para a sua residência, onde tomou banho.

















