Foragido sancionado pelos EUA pede habeas corpus ao TRF-3
Advogado de Victor Shimada, sancionado pelos Estados Unidos e foragido da Polícia Federal (PF), apresentou habeas corpus na Justiça Federal

A defesa do empresário Victor Shimada, foragido após ser alvo da Operação Exchange, deflagrada pela Polícia Federal (PF) no último dia 3 de julho, entrou com um pedido de habeas corpus, antes mesmo de ele ser localizado pelas autoridades. Shimada foi sancionado pelo Departamento de Tesouro dos Estados Unidos por vínculo com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
O advogado Yuri Cruz disse que o pedido não versa sobre as investigações em andamento nem o mérito da denúncia, que será analisada “no momento processual pertinente”. Segundo ele, a petição questiona apenas a forma do pedido de prisão preventiva. O processo corre em sigilo no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3).
“O HC tem por objeto exclusivo o controle de legalidade da fundamentação da prisão preventiva decretada em desfavor do Paciente, buscando demonstrar, com base na Constituição Federal, no Código de Processo Penal e na jurisprudência consolidada dos Tribunais Superiores, que a decretação da custódia cautelar, da forma como fundamentada, não observou os requisitos legais exigidos para a medida extrema”, disse o advogado em nota.

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Ver todasShimada avalia se entregar
Como mostrou o Metrópoles, Shimada tem avaliado se entregar à PF. Segundo a defesa, a soltura de outros alvos da diligência policial não interferiu nas considerações do cliente sobre o assunto.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPNa terça-feira da semana passada (7/7), Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, que também foi sancionada pelos Estados Unidos, foi solta por decisão da 7ª Vara Criminal Federal. As autoridades esperavam que a soltura fosse um incentivo para os foragidos – além de Shimada, Amauri Henrique de Oliveira, Ygor Fokin Saviolli e Amauri Henrique de Oliveira não foram encontrados pela polícia. A defesa afirma que Shimada cogita se apresentar espontaneamente às autoridades antes da determinação da Justiça.
“É algo que ele já vem avaliando desde o início, mas que evidentemente tem as suas precauções. Criou-se um personagem em cima dele por conta da sanção dos EUA, de ele ter vínculo com o PCC, que não é a realidade, a própria Polícia Federal afirma isso. E, por conta de todo esse cenário, ele está sendo exposto.”
As empresas de Shimada, Victory Trading e Wave Intermediações, fazem parte de uma teia de negócios de várias origens ilícitas. Inclusive, os CNPJs de Shimada se conectam às cadeias de lavagem de dinheiro originadas na farra do INSS e no escândalo do caso Master.
Shimada também foi alvo do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), no escândalo da Vai de Bet, que desviaria os recursos de um patrocínio para o Sport Club Corinthians Paulista.
Relembre o caso
- Em 1º de julho, o Departamento de Tesouro dos Estados Unidos sancionou o empresário Victor Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, além das empresas Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda, Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda, Wave Construções Inteligentes Ltda e a portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Ltda, por envolvimento com o PCC.
- A medida do governo de Donald Trump antecipou uma operação que estava sendo montada pela PF. Os mandados de busca e apreensão já haviam sido emitidos, mas os agentes esperavam o melhor momento para capturar o alvo.
- A Operação Exchange saiu às pressas na sexta-feira (3/7) e não encontrou o principal alvo, Victor Shimada, o tio dele, Amauri de Oliveira, e Ygor Saviolli, que teve o celular apreendido nos Estados Unidos. As conversas extraídas do aparelho deram origem às investigações americanas.
- Nesta semana, alvos como Stella Stefanie de Oliveira e João Gilberto Codognotto, apontado como operador financeiro, foram soltos.













