
Salles dispara contra adversários na corrida ao Senado, mas poupa Derrite.
Em entrevista ao Metrópoles, Ricardo Salles criticou Marina Silva, Simone Tebet e André do Prado. O ex-ministro falou sobre bolsonarismo

Candidato ao Senado, Ricardo Salles (Novo) disparou contra os principais adversários no pleito, Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB) e André do Prado (PL), mas poupou Guilherme Derrite (PP). Em entrevista ao Metrópoles, em São Paulo, o ex-ministro do Meio Ambiente disse que, apesar da disputa acirrada, ele acredita na alteração do cenário até as eleições.
“As duas [Marina Silva e Simone Tebet] não têm nada a ver com São Paulo. Estão fingindo que tem alguma relação com São Paulo, mas não têm nenhuma relação. Além de tudo, são candidatas de um governo que está levando o Brasil para o buraco, principalmente a Simone Tebet. Ela e o [Fernando] Haddad são os responsáveis pela crise econômica que nós estamos vivendo. A Marina, por outro lado, é inimiga pública número 1 do agro. E São Paulo é um estado do agro”, afirmou.
Salles também chamou André do Prado de “cria do Valdemar da Costa Neto [presidente do PL]” e “candidato típico do Centrão”. “É alguém que apoiou Dilma Rousseff, [Aloizio] Mercadante, [Eduardo] Suplicy, [Alexandre] Padilha, se juntou ao Márcio França, fez o ‘Fecha Tudo’, a economia a gente vê depois com o João Doria, se juntou com o PT para ser presidente da Assembleia Legislativa. Ou seja, se tem uma coisa que ele não é, é direita ou conservador. Esteve sempre e continua estando de mão dada com o PT”, apontou.
Por outro lado, ao ser questionado sobre casos de corrupção policial em meio à atuação de Guilherme Derrite como secretário da Segurança Pública de São Paulo, Salles preservou o concorrente. “Não é fácil combater a corrupção, mas é muito importante”, divagou. “Um secretário não consegue fazer tudo, porque você também depende de orçamento, que aí é a Secretaria da Fazenda. Se você não tem orçamento, não consegue fazer”, completou.
Advogado, Ricardo Salles foi ministro do Meio Ambiente durante o governo Jair Bolsonaro (PL), entre 2019 e 2021. Também foi secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo de 2016 a 2017, no governo Geraldo Alckmin (PSB). Atualmente, Salles é deputado federal por São Paulo.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPNeste mês, Ricardo Salles foi multado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) por propaganda eleitoral antecipada e por impulsionamento de conteúdo negativo contra André do Prado. Além disso, o adversário tem o maior tempo de propaganda eleitoral no rádio e na TV, enquanto Salles não tem direito ao horário gratuito devido à cláusula de barreira não atingida pelo Novo.
“Evidentemente, vai ajudar o candidato, mas não é determinante. Hoje em dia, com rede social, com internet, com WhatsApp, com entrevistas, com debates, ele [André do Prado] vai ter muita dificuldade de se colocar. Primeiro, porque é muito despreparado. Tem essas contradições de andar a vida inteira de mão dada com a esquerda. Por outro lado, representa o centrão, que é o câncer do Brasil. A corrupção do Brasil é sinônimo de centrão, e ele não vai conseguir se desvencilhar disso”, avaliou Salles.
Em relação à disputa presidencial, Salles reafirmou o apoio ao candidato do Novo, Romeu Zema. “Eleição em dois turnos serve para a gente escolher no primeiro turno aquele candidato que de alguma forma representa mais o que a gente pensa ou o que a gente quer. O meu partido tem um candidato, que é um bom candidato”, elogiou.
“[Ronaldo] Caiado é um bom candidato, eu vi agora que até o Augusto Cury cresceu na pesquisa, e o Flávio [Bolsonaro] também tem o eleitorado dele. (…) No segundo turno, obviamente, qualquer um que passar, terá o meu apoio, inclusive o Flávio”, acrescentou Salles, que é crítico ferrenho do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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No Metrópoles Entrevista, Ricardo Salles destacou que ainda se considera um aliado de Jair Bolsonaro, condenado e atualmente preso por tentativa de golpe de Estado. No entanto, avaliou que o bolsonarismo tem sido “infiltrado” pelo “Centrão corrupto”. “O Valdemar continua mandando e desmandando no PL. O PL não é o partido do Bolsonaro, é o partido do Valdemar”, enfatizou.
“Tenho muita gratidão e admiração pelo presidente Bolsonaro, ele fez muita coisa boa pelo país — claro, todo mundo está sujeito a um erro ou outro: eu, presidente Bolsonaro, qualquer um, mas ele é uma pessoa que fez o máximo que pôde, foi para o governo com o desejo realmente de melhorar o país, criou um sentimento, acendeu no Brasil um sentimento patriótico muito importante e eu continuo e digo
com todas as letras: se o presidente Bolsonaro fosse o candidato, eu o apoiaria sem dúvida nenhuma”, salientou Salles.
Além disso, o ex-ministro desceu o tom em relação ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, com quem teve desentendimentos públicos recentes. “O Eduardo é o que fala melhor [entre os filhos de Jair Bolsonaro], é o mais preparado, o mais bem relacionado, e justamente por isso me causou um impacto muito ruim, quando eu vi que ele apoiou o André do Prado. Para mim, é uma coisa inexplicável”, lamentou.
Na pré-campanha, Salles chegou a dizer que Eduardo foi aos Estados Unidos “falar um monte de merda”. Antes de se mudar, o filho 03 do ex-presidente também era cotado para disputar uma vaga de senador por São Paulo. O ex-parlamentar ainda pediu que o ex-ministro abrisse mão da candidatura ao Senado.
“Passar a boiada”
Questionado sobre a frase “passar a boiada”, Salles não demonstrou arrependimento sobre a fala que marcou a gestão no Ministério do Meio Ambiente. A frase foi dita por ele em uma reunião ministerial de 22 de abril de 2020. À época, defendeu aproveitar o momento em que a imprensa estava concentrada na pandemia de Covid-19 para avançar com mudanças de regras ambientais.
Ao Metrópoles, Salles justificou que estava propondo um “trabalho de modernização” e de “desburocratização em todos os ministérios”. “Nós temos que desburocratizar regras contraditórias no Brasil, não só no meio ambiente, mas em todas as matérias, tornar o empreendedorismo, o investimento, coisa que possa ser feita com menos óbices formais”, disse.
“O Brasil é o inferno do empreendedor, é o país que torna a vida de todo mundo uma verdadeira Via Crucis quando se trata de licenças, de autorizações, regras absurdas, tributação absurda e foi isso que eu disse naquela reunião e continuo dizendo”, acrescentou Salles.
Durante o comando de Salles no Meio Ambiente, o Brasil registrou uma alta no desmatamento. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o problema na Amazônia passou de 7,5 mil km² em 2018 para mais de 10 mil km² em 2019 e chegou a 13 mil km² em 2021.
Contudo, na gestão de Marina Silva, entre agosto de 2025 e julho de 2026, os alertas de desmatamento somaram 2.8 km², uma queda de 36% em relação ao ciclo anterior. Trata-se do menor resultado da série histórica para esse período, iniciada em 2016.
“O discurso da Marina é muito bonitinho na história do desmatamento e mudança climática, mas o saneamento básico, que é o principal problema ambiental brasileiro, ela não dá a menor bola”, alegou Salles.
Atualmente, Salles é réu na Justiça por um suposto esquema de facilitação ao contrabando de madeira ilegal extraída da Amazônia. Contudo, o ex-ministro do Meio Ambiente nega as acusações.
“A história de desmonte ambiental foi escrutinada no detalhe pelo Judiciário e foi concluída. Não houve desmonte ambiental nenhum, era tudo mentira”, argumentou. “Infelizmente, no meio daquela confusão que o Brasil vivia, que a imprensa, muitos segmentos da sociedade estavam contra o governo Bolsonaro, as narrativas acabaram prevalecendo.”
Futuro político
Se eventualmente não for eleito senador, Ricardo Salles pretender seguir atuando como advogado. No entanto, ele confirmou a vontade de candidatar à administração municipal de São Paulo.
“Com relação ao futuro, evidentemente que a Prefeitura de São Paulo é algo que qualquer paulistano como eu, decente, que ama a sua cidade, tem vontade de arrumar a cidade, sem estar quebrando financeiramente a cidade, como está fazendo o Ricardo Nunes [MDB], sem lotear a máquina pública, as subprefeituras para vereador, como ele está fazendo, sem lotear secretarias, sem entrar nesse jogo do Centrão. Eu não faço isso de jeito nenhum. Mas essa questão já passou. Eu tentei ser candidato a prefeito, ia ganhar dele, ia ganhar do [Guilherme] Boulos, tenho certeza”, arriscou.

















