Rua Maria Antônia é fechada após briga entre apoiadores de Lula e Flávio
Rua Maria Antônia já foi palco de disputa política durante a ditadura militar quando o Mackenzie defendia o regime e a USP era contra

São Paulo — A Polícia Militar (PM) interdita a rua Maria Antônia, na região região central de São Paulo, nesta quinta-feira (8/10) após bate-boca entre apoiadores dos candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O caso aconteceu na altura da Universidade Presbiteriana Mackenzie, após a reitoria vetar manifestações políticas no campus.
Em vídeos do perfil “Mack com Lula”, é possível ver dezenas de alunos reunidos com a presença da União Nacional dos Estudantes (UNE). A manifestação pró-Lula seguiu saiu da Maria Antônia, em caminhada, até a Praça Roosevelt.
No local, acontece o ato “Vamos Virar o Jogo” com a participação de políticos de esquerda, como Guilherme Boulos, Erika Hilton, Sônia Guajajara, Professora Luciene Cavalcante, Natália Boulos, Sofia Favero, Carlos Giannazi, Ediane Maria, Débora Lima, Celso Giannazi e JR Freitas.
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Ver todasDe acordo com o perfil “Mackenzistas com Flávio”, a orientação da direita é que não importunasse o ato lulista. “Não haverá nenhum ato ato hoje na Maria Antônia. Recomendaremos aos nossos apoiadores que não criem um ambiente de hostilidade.”
Reitoria do Mackenzie proíbe manifestações políticas na instituição
A Universidade Presbiteriana Mackenzie proibiu a realização de atos políticos dentro da instituição em um comunicado divulgado na última terça-feira (6/10). A decisão aconteceu após alunos do coletivo “Mack com Lula” convocarem uma assembleia no campus de Higienópolis, no centro de São Paulo.
No comunicado aos alunos, a reitoria do Mackenzie afirma ter tomado conhecimento por meio das redes sociais de “distintos eventos político-partidários dentro das instalações do nosso campus”. A instituição afirma que essas manifestações foram convocadas sem seu conhecimento prévio ou autorização.
A proibição, segundo a universidade, “pretende zelar pela segurança e bem-estar de todos” após receberem preocupações manifestadas por membros da comunidade acadêmica. O documento é assinado pelo reitor, Marco Tullio de Castro Vasconcelos.
O comunicado acontece logo após distintas manifestações políticas de alunos da instituição: na terça (6/10), o coletivo estudantil “Mack com Lula” convocou uma assembleia do comitê no Bosque da Fau, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da universidade, localizada no campus do Higienopólis, para discussão de um calendário de ações “dentro e fura dos muros da institução para disputar cada voto”, diante do resultado do primeiro turno das eleições no último domingo (4/10).
No mesmo dia, um grupo de WhatsApp intitulado “Caça aos Comunistas” iniciou uma articulação contrária às ações do coletivo, que reúne cerca de 20 pessoas. Na descrição, os integrantes convocam a participação no ato marcado para a noite dessa quinta-feira (8/10) encabeçada pelo “Mack com Lula”.
“A gente vai colar no mesmo horário para não deixar o espaço só para eles e fazer o nosso contraponto contra o governo e o comunismo”, como consta na descrição do grupo.
O ato em questão acontece próximo a universidade, mas fora de suas dependências, na Rua Maria Antônia, na Consolação. Nas redes sociais, o coletivo estudantil pró-Lula convoca os estudantes “em defesa do nosso futuro e da nossa democracia”.

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Ver todasA rua escolhida foi onde, em outubro de 1968, alunos do Mackenzie apoiados pelo Comando de Caça aos Comunistas (CCC), grupo de extrema-direita que atuava na ditadura militar brasileira, entraram em confronto com estudantes da Universidade de São Paulo (USP), terminando com um morto e diversos feridos.
Em nota ao Metrópoles, Matheus das Neves, estudante de Direito e diretor da União Nacional dos Estudantes (UNE) e do Diretório Central dos Estudantes Rubens Paiva, o DCE do Mackenzie, afirmou que a decisão da universidade causou profunda estranheza e indignação.
“Em desagravo às ameaças feitas contra nossa mobilização promovidas por um pequeno grupo de estudantes que se denominam CCC – Comando de Caça dos Comunistas, que não representam essa Universidade, convocamos uma manifestação na histórica Rua Maria Antônia, para reafirmar a verdadeira vocação democrática e combativa dos mackenzistas, inspirados no legado dos egressos Rubens e Eunice Paiva, e manifestar nosso apoio irrestrito à reeleição do presidente Lula”, disse.
Mackenzistas na USP
Na manhã desta quinta-feira (8/10), um grupo de estudantes esteve na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP colando cartazes pelo local em apoio ao candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), e imagens de Jesus Cristo.
Um dos presentes é Benjamin Pontes, estudante de direito na Universidade Mackenzie, que conta com mais de 970 mil seguidores no Instagram. Em seus storys, ele afirmou que é um “absurdo o DCE do Mackenzie apoiar a porcaria do protesto do Mack Lula hoje”.






