Amigo de Robinho, Barão do Café foi preso em ação contra alvo dos EUA
João Gilberto Codognotto, apelidado de Barão do Café, é apontado pela PF como operador financeiro de Victor Shimada, sancionado pelos EUA

Enquanto o principal alvo da Operação Exchange, o empresário Victor Shimada, segue foragido, outro personagem chamou a atenção nas investigações: um velho conhecido do sistema prisional paulista preso pela Polícia Federal (PF).
João Gilberto Codognotto passou quatro noites na Superintendência da PF, na zona oeste de São Paulo. Preso na sexta-feira (3/7) e solto na terça-feira (7), ele é apontado como um dos operadores financeiros de Shimada, um dos sancionados pelos Estados Unidos por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Relembre o caso
- No dia primeiro de julho, o Departamento de Tesouro dos Estados Unidos sancionou o empresário Victor Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, além das empresas Victory Trading Intermediação De Negócios Cobranças E Tecnologia Ltda, Pixwave Soluções De Pagamentos Ltda, Wave Construções Inteligentes Ltda e a portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Ltda, por envolvimento com o PCC.
- A medida do governo de Donald Trump antecipou uma operação que estava sendo montada pela PF. Os mandados de busca e apreensão já haviam sido emitidos, mas os agentes esperavam o melhor momento para capturar o alvo.
- A Operação Exchange, saiu às pressas na sexta-feira (3/7) e não encontrou o principal alvo, Victor Shimada, o tio dele Amauri de Oliveira e Ygor Saviolli, que teve o celular apreendido nos Estados Unidos. As conversas extraídas do aparelho deram origem às investigações americanas.
- Nesta semana, alvos como Stella Stefanie de Oliveira e João Gilberto Codognotto, apontado como operador financeiro, foram soltos.
- Na sexta-feira (10/7), o Metrópoles mostrou que Shiamda considera se entregar à PF. A defesa já prepara um habeas corpus que deve ser apresentado na próxima semana ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), para tentar reverter a prisão preventiva.
O Metrópoles entrou em contato com a defesa de João Gilberto Codognotto, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.
Essa não é a primeira vez que Codognotto foi detido. No segundo semestre de 2024, ele foi preso por lavar dinheiro para o PCC em uma operação contra o sistema criminoso liderado pelo traficante Roland Ronald, que foi acusado de ser elo da facção brasileira com organizações internacionais.
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Frequência de envio: Diário
Ver todasUma dessas organizações era as Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (Farc), que segundo a acusação do Ministério Público Federal (MPF), usavam a logística elaborada por Ronald para transportar cocaína a cartéis mexicanos.
Há dois anos, Codognotto foi parar em Tremembé, onde encontrou um amigo dos tempos de liberdade: o ex-jogador de futebol Robinho, preso pelo estupro coletivo de uma jovem albanesa em uma boate em Milão.
No livro Tremembé: o presídio dos famosos, o jornalista Ulisses Campbell narra a amizade entre os dois. Codognotto fez fortuna como empresário no ramo do café e, por isso, é apelidado na obra de “Barão do Café”. A relação com Robinho remonta ao tempo em que eles eram vizinhos em um condomínio de luxo em Guarujá, no litoral paulista.
Segundo o livro, o “Barão do Café” e o ex-atacante da Seleção Brasileira firmaram um pacto de amizade no cárcere.
Assim que estivessem em liberdade, eles se reuniriam na mansão do cafeicultor em Guarujá e tomariam uma xícara do café mais caro do mundo – o “kopi luak”, cujo os grãos são expelidos pela civeta, um mamífero asiático que fermenta o café naturalmente no trato digestivo do animal.
De lá para cá, Codognotto já foi solto duas vezes. Robinho saiu de Tremembé, mas segue preso no Centro de Ressocialização de Limeira.
Barão do Café no esquema de Shimada
De acordo com documentos da PF, uma das empresas do “Barão do Café”, a JGC Intermediação de Negocios Eireli, recebeu dinheiro de Victor Shimada por meio da chave pix com as iniciais de João Gilberto Codognotto.
A PF também interceptou mensagens entre os dois sobre operações financeiras no Brasil e no exterior. Em uma das conversas, Codognotto pergunta a Shimada se ele pode receber dinheiro em Assunção, capital do Paraguai, e diz que pode depositar o equivalente a 50 mil dólares na moeda guarani.
Em outra conversa, Codognotto pede a Shimada uma transferência aos Estados Unidos e envia os dados de uma conta da empresa do setor de energia Raízen, solicitando R$ 120 mil.
A PF suspeita de que a Raízen foi usada como uma empresa de fachada ou para a “triangulação de valores” com o objetivo de “dissimular a origem e o destino dos recursos movimentados”.
Procurada, a empresa disse que prestou esclarecimentos às autoridades e a citação na investigação é indevida.
“A Raízen esclarece que não tem qualquer relação com os fatos investigados no âmbito da operação Exchange e já adotou as medidas judiciais cabíveis para o esclarecimento dos fatos”, disse em nota.
Os investigadores ainda mostram que Codognotto apresentou um potencial cliente para Shimada, que atuaria como doleiro para um terceiro que queria receber 1 bilhão de pesos argentinos, no Brasil, em reais.



