Dia dos Pais: reconhecimento de paternidade volta a crescer em SP
Número de reconhecimentos de paternidade voltou a crescer em 2026, ano em que o procedimento passou a ter possibilidade de ser feito on-line

O número de reconhecimentos espontâneos de paternidade voltou a crescer no estado de São Paulo, segundo dados do portal da transparência dos Cartórios de Registro Civil. No primeiro semestre deste ano, houve 9.044 registros – quase 43% a mais do que o total do mesmo período no ano passado. O número também é o maior dos últimos cinco anos.
A série histórica iniciou em 2016. Desde então, 2018 foi o ano que bateu recorde de reconhecimentos de paternidade no estado: foram mais de 23 mil registros em 12 meses, sendo 14.074 somente no primeiro semestre do ano.
A expectativa da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil) é que o estado de SP bata recorde de reconhecimentos considerando os últimos cinco anos. Desde 2022, esta é a primeira vez que o primeiro semestre ultrapassa os nove mil registros.
Para a Arpen, o crescimento revela que cada vez mais pais estão buscando regularizar voluntariamente a filiação de seus filhos, “garantindo direitos fundamentais que vão muito além da inclusão de um nome na certidão de nascimento”.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPA associação destaca que o reconhecimento da paternidade assegura identidade civil completa, direitos sucessórios, acesso à pensão alimentícia, benefícios previdenciários, fortalecimento dos vínculos familiares e maior segurança jurídica para toda a família.
“O reconhecimento voluntário de paternidade representa muito mais do que a inclusão do nome do pai na certidão de nascimento. É um ato que fortalece os vínculos familiares, assegura direitos e amplia a proteção jurídica de crianças e adolescentes”, diz afirma Leonardo Munari de Lima, presidente da Arpen-SP.
Número de crianças sem nome do pai se mantém expressivo
- Apesar do crescimento do número de reconhecimentos de paternidade, o total de crianças que têm apenas o nome da mãe na certidão de nascimento se mantém alto.
- Até 28 de julho deste ano, outras 18.198 crianças já haviam sido registradas sem a identificação paterna.
- De 2021 a 2025, a média anual de nascimentos sem o reconhecimento da paternidade é de de 29.523 crianças no estado.
- Ainda assim, a proporção entre reconhecimentos e registros sem o nome do pai vem crescendo de forma consistente.
- Em 2021, os reconhecimentos espontâneos equivaliam a 14% do total de crianças registradas apenas com a mãe naquele ano.
- Em 2025, essa proporção subiu para 21%. Os dados parciais de 2026 apontam para 26,5%.
- Para a Arpen, este é um indício de que a resposta da sociedade ao problema cresce em ritmo mais acelerado do que o próprio problema.

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Desde este ano, o reconhecimento de paternidade pode ser feito on-line, através da plataforma digital dos Cartórios de Registro Civil. A plataforma reduz barreiras geográficas, facilita o acesso para famílias que vivem em cidades diferentes e amplia a possibilidade de regularização da filiação sem a necessidade de um primeiro atendimento presencial.
“Estamos tornando esse procedimento ainda mais acessível, facilitando o exercício da cidadania e incentivando que cada vez mais famílias regularizem essa importante relação de filiação”, afirmou Munari.
Não apenas os pais, mas as mães também podem utilizar a ferramenta para indicar eletronicamente o suposto pai quando a criança não tiver a identificação patna no registro. Nesses casos, o Cartório encaminha o procedimento para as providências previstas na legislação, preservando todas as garantias jurídicas e os direitos das partes envolvidas, garantiu a Arpen.
A entidade lembra que o reconhecimento voluntário pode ser realizado em qualquer fase da vida. Quando o filho é menor de idade, é necessária a concordância da mãe. Se for maior de idade, o consentimento é prestado pelo próprio reconhecido.
O procedimento é gratuito e produz os mesmos efeitos jurídicos do reconhecimento realizado no momento do registro de nascimento, garantindo a plena constituição do vínculo de filiação e todos os direitos dele decorrentes.
Segundo a associação, mais de mil procedimentos já foram iniciados em ambiente digital desde a implantação da plataforma.



