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São Paulo

Professor relata agressão no metrô de SP e diz ter sofrido homofobia

Ricardo Akira Matsufuji foi espancado a caminho do trabalho na linha 5-Lilás. Após agressões, professor fraturou a face e perfurou o tímpano

15/07/2026 14:50
Reprodução/Redes Sociais
Imagem colorida mostra professor que denunciou agressão por homofobia no metrô. Metrópoles

O professor Ricardo Akira Matsufuji, de 29 anos, publicou um vídeo nas redes sociais relatando um caso de agressão que ele sofreu na linha 5-Lilás do metrô de São Paulo no último sábado (11/7). Segundo a vítima, a violência foi motivada por homofobia.

 

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Ricardo contou que estava a caminho do trabalho quando foi surpreendido por um golpe pelas costas em meio a ofensas homofóbicas. Ele não conhece o agressor. Após ser espancado, o professor fraturou a face e perfurou um dos tímpanos, além de ter ficado com cortes e hematomas pelo corpo.

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Ao publicar o relato nas redes sociais, ele afirmou que o objetivo do vídeo era “conscientizar sobre a importância de apoiar vítimas de violência durante todo o processo de busca por Justiça”. O professor relatou que, mesmo sendo vítima, tem enfrentado muito desgaste.

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“Já está vulnerável fisicamente, emocionalmente, está com dor, realmente em estado de vulnerabilidade. Aí tem delegacia, hospital, IML, laudos, tem que conversar com gente que questiona você. Já uma preocupação tremenda ter que cuidar da sua saúde. Ainda tem que se preocupar com a questão legal. Gente, buscar justiça não é fácil, acaba sendo um peso para quem foi vítima.”

O professor também questionou o fato de o caso sequer ter sido registrado como homofobia. “Você está confuso, desnorteado. Nem passa pela sua cabeça que você precisa registrar testemunhas ao redor, pegar contato e tudo mais, para comprovar que o cara fez ofensas homofóbicas.” O registro da ocorrência ainda teria listado Ricardo como vítima e autor “porque o agressor saiu com a mão machucada”.

Após a repercussão do caso, Ricardo gravou um novo vídeo para agradecer o apoio recebido e dizer que está se mobilizando para as representações penal e civil contra o agressor.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o caso foi registrado como lesão corporal pelo 27º Distrito Policial (Campo Belo) e encaminhado à Delegacia do Metropolitano. “A autoridade policial está à disposição da vítima para colher mais informações que possam subsidiar a investigação e auxiliar no esclarecimento dos fatos”, informou a pasta. “Durante a apuração, caso sejam colhidos novos elementos, a natureza da ocorrência pode ser alterada, sem prejuízo às investigações em andamento.”

A ViaMobilidade lamentou o ocorrido e falou estar à disposição das autoridades para colaborar com a apuração dos fatos. Em nota, disse que repudia o ato de violência, discriminação ou intolerância ocorrido.

“A concessionária informa que registrou uma ocorrência de desentendimento entre clientes no último sábado (11), no interior de uma composição da Linha 5–Lilás, no trecho entre as estações Campo Belo e Eucaliptos. Assim que o operador foi informado sobre a situação, solicitou a retenção do trem na estação Eucaliptos para a atuação das equipes de atendimento e segurança”, falou.

Violência no metrô

O sentimento de insegurança tem preocupado a população de São Paulo. Em junho, uma mulher de 24 anos desmaiou após ser agredida por um homem na plataforma da estação Parada Inglesa da Linha 1-Azul. Segundo informações do Metrô, o homem foi detido por agentes de segurança e imediatamente encaminhado para o 73º Distrito Policial de Jaçanã, sendo posteriormente liberado.

Pouco antes, em maio, seis pessoas ficaram feridas após um policial de folga reagir a um assalto na estação São Bento da linha 1-Azul. No mesmo dia, dois seguranças terceirizados da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) foram agredidos por um grupo de vendedores ambulantes, na Estação Utinga, da Linha 10-Turquesa, em Santo André, na Grande São Paulo.

Entre janeiro e abril deste ano, foram 33 casos por dia – um total de 3.992 registros no período. Desde 2024, cerca de 3,1 mil suspeitos foram detidos, sendo 454 somente nos cinco primeiros meses do ano.