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São Paulo

Prisão de "funcionário" expõe esquema de policiais com PCC para extorsões

Investigações do Ministério Público de São Paulo (MPSP) identificaram esquema de policiais para ficar fora do radar de investigações

29/09/2026 02:00
Arte/Metrópoles
Policiais envolvidos em esquema com o PCC. Flávio Marcelo Coelho, com Maurício de Oliveira (esquerda) e Itamar Gomes da Silva (direita)

Flávio Marcelo Coelho (destaque na foto), de 51 anos, preso no âmbito da segunda fase da Operação Infiltrados, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) para apurar elo de policiais civis e ex-policiais com o Primeiro Comando da Capital (PCC), agia, segundo as investigações, além de uma espécie de “faz-tudo” dentro do esquema para o então chefe dos investigadores Maurício de Oliveira (à esquerda na imagem), preso em junho deste ano na primeira fase da operação.

Batizada de Infiltrados, a operação deflagrada, em 9 de junho deste ano, por promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), vinculado ao MPSP, e policiais militares do 1° Batalhão de Ações Especiais (Baep) investiga elo de agentes e ex-agentes públicos com o PCC. Naquela ocasião, três pessoas, entre elas, o ex-estagiário do MPSP, Gabriel Lira de Jesus, o investigador da Polícia Civil, Maurício Aparecido de Oliveira e o ex-policial civil Itamar Gomes da Silva (à direita na imagem) foram presos.

Documentos obtidos pelo Metrópoles mostram que Coelho agia não somente como uma espécie de “funcionário” para o investigador Oliveira, que chegou a comandar a Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas, no interior paulista, mas fazia parte do esquema de extorsão e lavagem de dinheiro do policial.

Média mensal de salário

Em um intervalo de um ano — de fevereiro de 2025 a janeiro de 2026 –, o investigador Oliveira recebeu 15 depósitos totalizando meio milhão de reais. Os valores são ao equivalente a sete vezes mais a média mensal do salário líquido, segundo dados que constam no Portal da Transparência do Governo do Estado.

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Relatórios do MPSP identificaram que, entre os valores apresentados, Coelho foi o responsável por depositar o equivalente a R$ 324,2 mil na conta do policial civil. A investigação também identificou mais R$ 181,3 mil em transferências, mas que não há identificação de quem fez os depósitos.

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Segundo a investigação, os depósitos eram feitos em valores diversos, mas todos acima de dois dígitos. O MPSP apura se Coelho recebia o dinheiro em espécie diretamente das mãos do policial civil.

Aparelhinho

As atribuições de Coelho não se resumiam exclusivamente na realização de depósitos. Diálogos obtidos pela investigação mostram que outra função atribuída ao preso era de conseguir “aparelhinhos”. Os celulares, segundo apurado pelo MPSP, eram destinados a policiais para prática ilegais, como extorsões.

Uma conversa entre o ex-policial Itamar Gomes da Silva e o policial civil Oliveira, a qual foi obtida pelo MPSP, evidência a função de Coelho. Nela, os alvos presos na primeira fase da Operação Infiltrados diz: “O Marcelão não me ligou, não falou mais nada sobre o aparelhinho lá. Eu vou lá no menino, amanhã. Tô aqui em Cardoso, já. Eu vou lá no, no comércio dele, amanhã. Aí, se quiser, eu falo com ele. Qualquer coisa, eu vejo com ele, que ele faz um, aparelhinho, por aqui mesmo, né? Aí, pra poder tá falando com você, aí. Aí, você me fala, se quiser, eu falo com ele, aqui”, diz trecho presente na representação da prisão de Coelho.

Relatórios do MPSP explicam que “Marcelão” era como os presos na primeira fase da Operação Infiltrados se referiam a Coelho.

Em outro diálogo coletado por promotores do Gaeco, Coelho envia fotos de um chip de celular. Os alvos conversaram por poucos segundos por chamada de voz.

O MPSP apura se o esquema para entrega de celulares clandestinos ia além dos três personagens presos nas duas fases da Operação Infiltrados. A investigação identificou o policial civil preso já teve outros sete aparelhos, além do que foi encontrado e “feito” por Coelho.

A reportagem não localizou a defesa de Oliveira, Silva e Coelho. O espaço segue aberto para manifestação.