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Eleições 2026São Paulo

Política dos cliques: Nikolas e Érika Hilton superam 1 milhão de pageviews

Outros nomes, como Ana Elisa e Lucas Pavanato, também aparecem no estudo da Taboola, apresentando crescimentos de mais de 1.000%

23/10/2026 14:15, atualizado 23/10/2026 14:51
Otávio Augusto/Arte Metrópoles
Política dos cliques: Nikolas e Érika Hilton superam 1 milhão de pageviews

São Paulo — Os deputados federais reeleitos Nikolas Ferreira (PL) e Érika Hilton (PSol) superaram 1 milhão de pageviews nas redes nos últimos 45 dias, liderando o cenário político digital. Em porcentagem, Nikolas teve um aumento de 121% de interesse, totalizando 1,9 milhão de acessos. Já Érika Hilton teve um aumento de 244%, alcançando 1,1 milhão de acessos.

O levantamento é da Taboola, plataforma de descoberta de conteúdo e publicidade, que analisou um período total de 90 dias de dados de engajamento dos leitores na Open Web. Para calcular a variação percentual, a plataforma comparou o volume de pageviews dos últimos 45 dias em relação aos 45 dias imediatamente anteriores.

Outras figuras políticas centrais nos debates digitais também cresceram exponencialmente, como Lucas Pavanato (PL), Eduarda Campopiano (PL), Pablo Marçal (PRTB), Ana Elisa (PT),  Jones Manoel (PSol) e André Janones (Rede). Confirma os dados:

  • Lucas Pavanato (PL): +15.395% , com 627 mil acessos
  • Eduarda Campopiano (PL): +100%, com 865 mil acessos
  • Pablo Marçal (PRTB): +15%, com 496 mil acessos
  • Ana Elisa (PT): +3.673%, com 623 mil acessos
  • Jones Manoel (PSol): +30.859%, com 84 mil acessos
  • André Janones (Rede): +1.708%, com 938 mil acessos

Alguns impulsionamentos podem ser explicados pelos últimos acontecimentos políticos, que acirraram a disputa pela presidência e o cenário polarizado. No caso de Pablo Marçal, o empresário ganhou tração nas redes após se integrar diretamente à campanha de Flávio e ajudá-lo na reta final, com o debate e articulação com influenciadores.

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Erika Hilton celebra aprovação no Senado da PEC que acaba com a escala de trabalho 6x1
Deputado federal Nikolas Ferreira
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Lucas Pavanato se torna deputado federal por São Paulo
Deputado Federal André Janones e presidente Lula
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Deputado Federal André Janones e presidente Lula

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Erika Hilton celebra aprovação no Senado da PEC que acaba com a escala de trabalho 6x1

Carlos Moura/Agência Senado
Deputado federal Nikolas Ferreira
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Deputado federal Nikolas Ferreira

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Lucas Pavanato se torna deputado federal por São Paulo
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Lucas Pavanato se torna deputado federal por São Paulo

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Ana Elisa PT MG
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Ana Elisa PT MG

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Eduarda Campopiano, do PL, foi a deputada estadual mais votada de São Paulo
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Eduarda Campopiano, do PL, foi a deputada estadual mais votada de São Paulo

Redes sociais/Reprodução

Já André Janones protagonizou, após o segundo turno, a mobilização anti-bolsonarista “Exército do Lula”, repassando missões diárias aos eleitores, com objetivo de virar votos e conquistar a parcela da população que anulou o voto ou votou em branco. A mobilização fez com que seu perfil crescesse e se tornasse um dos principais comunicadores da campanha de Lula.

O impulsionamento da Érika Hilton, por outro lado, está ligado mais diretamente à uma pressão popular ao Poder Legislativo: a votação à favor do fim da escala 6X1. O tema foi ferrenhamente debatido nas redes e, após sua aprovação, dominou as timelines tanto dos críticos, quanto dos apoiadores.

Política dos cliques

É claro que, na era digital, o aumento do engajamento em perfis políticos durante as eleições já é algo esperado. No entanto, a utilização das redes sociais por figuras políticas não parece mais ser algo opcional. Agora, quem não sabe utilizar os algoritmos a seu favor, não perde apenas na política institucional, mas na política dos cliques.

De vereadores, até candidatos à presidência, todos precisam aprender a agir como influenciadores para alcançar os eleitores. Essa necessidade se comprova quando, após a vitória de Flávio Bolsonaro no 1° turno das eleições, Lula — que antes focava em discursos com uma linguagem característica de “campanha oficial” — passou a gravar vídeos com a câmera frontal, sem discurso engessado ou grandes preparos, tal qual uma postagem do dia-a-dia de um produtor de conteúdo digital.

Essa mudança, porém, revela algo ainda maior que apenas a digitalização da vida, mas a mudança no interesse da população por discussões políticas e sociais. Hoje, os discursos oficiais de campanha perderam espaço para os cortes rápidos, os conteúdos bem editados e os discursos que cabem nos 60 segundos dos stories do Instagram, em razão da lógica algorítmica que prioriza conteúdos sensacionalistas e moldou a forma como nos relacionamos atualmente.

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Presidente Lula durante live com o deputado federal André Janones (Rede-MG)
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Ana Elisa e Lula
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Flávio Bolsonaro e presidente Lula
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Flávio Bolsonaro e presidente Lula

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Presidente Lula durante live com o deputado federal André Janones (Rede-MG)
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Presidente Lula durante live com o deputado federal André Janones (Rede-MG)

YouTube/ Lula
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Sam Pancher/ Metrópoles
Ana Elisa e Lula
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Ana Elisa e Lula

Reprodução/Instagram
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Reprodução/Redes sociais

“Não é sobre a maneira como os brasileiros acompanham as eleições, mas como a nossa sociabilidade se constitui.  Esse processo de digitalização e de massificação de uso de redes sociais […] fez com que essa separação entre online e offline deixasse de existir” afirma Tathiana Chicarino, cientista política e coordenadora do Curso de Graduação em Sociologia e Política da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).

Questionada sobre até que ponto essa mudança afeta a qualidade do debate democrático, Chicarino diz que é preciso considerar que as eleições nunca foram apenas sobre a discussão racional de números e propostas, mas sobre a disputa entre diferentes projetos políticos e os significados que carregam.

Entretanto, isso não significa que o esvaziamento das propostas observado na atual disputa eleitoral seja irrelevante. Segundo a especialista, embora os algoritmos favoreçam conteúdos sensacionalistas e que despertam emoções, a ausência de discussões programáticas também pode ser uma estratégia deliberada.

“Não é só sobre a questão das redes, tem uma intenção da extrema direita de não discutir propostas, e por que não discutir propostas? Porque as propostas que eles têm significa um projeto que eleitoralmente não é bem visto, então ele não explicitar o que é o projeto da extrema direita, porque isso não vai levar a ter mais votos“, afirma Chicarino.

Para além disso, um ponto essencial apontado pela especialista é a desterritorialização do capital político digital. Atualmente, candidatos podem mobilizar votos de diferentes regiões do país, mesmo entre aqueles que não podem votar diretamente neles. Em um cenário de segundo turno, isso pode ser decisivo.

“A Érica Hilton, embora seja deputada pelo Estado de São Paulo ou o Nikolas Ferreira, pelo Estado de Minas Gerais, são vistos, consumidos e até queridos, por pessoas que estão em muitos lugares, que não necessariamente vão votar em Minas, em São Paulo… Isso é importante nesse momento eleitoral de segundo turno. Porque esse capital político digital não é fixado nesse território, porque é assim que a dinâmica das redes funciona. Então, o eleitor pensa ‘eu gostaria de votar no Nicolas Ferreira, por exemplo, mas não posso votar nele, voto em quem ele apoia’. Assim, os cargos legislativos ganham uma outra dinâmica nesse contexto“, destaca Chicarino.