Polícia investiga se caseiro "envenenou" patroa para obter bens da vítima
Investigação aponta "fortes indícios" de que o caseiro teria "matado a vítima aos poucos" com o objetivo de ficar com a herança da vítima

São Paulo — A Polícia Civil de São Paulo investiga se Maurilio dos Santos Gonçalves, um caseiro, de 34 anos, que prestava serviços para a médica Belkis Paranhos Heuler, de 72 anos, moradora em um sítio na cidade de Itapecerica da Serra, na região metropolitana de São Paulo, teria arquitetado a morte dela na tentativa de ficar com a herança da vítima.
Investigadores acharam “fortes indícios” de que Maurilio teria matado a mulher “aos poucos”, mantendo-a dopada por mais de 36 horas consecutivas e ministrando alguma substância que teria a levado a morte.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP
Frequência de envio: Diário
Ver todasO caseiro teria forjado uma relação amorosa com a médica para ficar com a herança dela. O plano seria, futuramente, abrir o inventário colocando-se falsamente como companheiro da falecida.
Cronologia dos fatos
Segundo a investigação da Polícia Civil, no dia 3 de setembro deste ano, a vítima foi flagrada por câmeras de segurança agonizando no chão da casa no sítio.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPAs imagens mostram a mulher agonizando por cerca de seis horas no chão até que o caseiro do sítio, que ainda não teve sua identidade revelada, chega e a coloca no sofá da sala, onde a mulher fica até o prestador de serviço voltar, na mesma noite, e a levar para o quarto. Em todo esse tempom o caseiro não acionou qualquer tipo de socorrou ou serviço médico.
Assista ao momento em que o caseiro leva a vítima do sofá para o quarto:
Na manhã do dia seguinte, 4 de setembro, o caseiro retorna à casa e, segundo as investigações, entra no quarto para ver a vítima e, posteriormente, sai para aguar as plantas, como se tudo seguisse normalmente. Próximo ao meio-dia, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) é acionado e, ao chegarem ao local, constaram a morte.
Suspeita de fraude de documentos
Segundo a investigação, a vítima não tem parentes no estado de São Paulo. A pessoa mais próxima do caseiro se um amigo, em Portugal, que seria o responsável por administrar os bens dela.
Maurilio declarou ser companheiro de Belkis às autoridades e apresentou uma escritura pública de união estável que teria sido emitida em um cartório da cidade de Curitiba (PR), poucos dias antes da morte da médica.
As autoridades, então, descobriram que a vítima era divorciada havia muitos anos de um suíço, era bem sucedida, não tinha filhos e morava sozinha.
Segundo informações da Polícia Civil, mensagens em um dos aparelhos encontrados no sítio em que Belkis morreu comprovaram que ela nunca teve uma relação matrimonial com o caseiro.
Após o a morte da médica, o caseiro teria rapidamente agiu providenciado a cremação do corpo, sem comunicar qualquer familiar ou pessoa próxima da vítima.
Os investigadores descobriram ainda que Maurilio teria contado com a participação de um casal de Curitiba — Andressa Cavalcanti e Luiz Fernando Cavallis Tscha — para supostamente forjar os documentos que comprovariam uma relação entre o caseiro e a vítima.
Este casal tera seguid para Itapecerica da Serra um dia antes da morte de Belkis, e permanecido em um hotel às margens da Rodovia Regis Bittencourt. Após a morte e a cremação do corpo, os três teriam fugido para Curitiba e não mais retornaram.
Após a fuga dos investigados, o carro da vítima foi fotografado por policiais do Paraná na garagem do casal Andressa e Luiz Fernando, segundo informações das autoridades.
O casal investigado está preso na cidade de Curitiba e Maurilio encontra-se foragido até o momento. A investigação do caso segue.
Versão do jardineiro
No primeiro boletim de ocorrência que Maurilio registrou logo após da morte de Belkis, o caseiro relatou que a vítima estaria acamada desde 2 de outubro, data em que havia sofrido um suposto desmaio.
Segundo o caseiro, no dia 4 de setembro, Belkis, mesmo estando na cama, teria pedido a Maurilio que fosse molhar as plantas e ao retornar e chamar a médica, ele diz ter percebido a ausência de resposta e acionado imediatamente o Samu, que compareceu ao local e o médico responsável constatou o óbito.
De acordo com Maurilio, a vítima sofria de hipertensão arterial e diabetes, apresentava episódios frequentes de desmaio e fazia acompanhamento médico regular, sendo supostamente acompanhada pelo caseiro.
