Polícia indicia médico por morte de menino após picada de escorpião
Segundo o delegado do caso, o médico burocratizou o tratamento da criança, que deveria ter sido imediato após notar as picadas de escorpião

A Polícia Civil finalizou o inquérito policial que investigou o caso do menino Bernardo de Lima Mendes, de 3 anos, morto após ser picado por um escorpião, em março deste ano, em Conchal, no interior de São Paulo. A investigação apontou erros de procedimento e indiciou o médico responsável pelo atendimento por homicídio culposo.
Segundo o delegado do caso, Luis Henrique Lima Pereira, o médico “adotou protocolos que acabou por burocratizar a transferência da criança” para um hospital referência no tratamento contra picadas de escorpião. O delegado explicou que o médico deveria ter encaminhado Bernardo para um soro antiescorpiônico imediatamente. O hospital mais perto era o de Araras, uma cidade vizinha.
Porém, de acordo com a investigação, o médico manteve a criança em observação até a piora do caso, tornando o quadro “irreversível”.
“O médico não ligou no hospital e também não ligou diretamente para o SAMU para que providenciasse esse encaminhamento imediato da criança, e por conta desse atraso, nessa transferência tardia da criança, o quadro se tornou irreversível”, explicou o delegado.
Além de indiciar o médico, a investigação também pediu a proibição do profissional de exercer funções de plantonista e atuar em serviços de urgência e emergência em qualquer unidade de saúde. A medida não busca proibir o profissional de exercer a medicina, mas quer o afastamento dele de atividades que apresentem elevado risco à coletividade, como atendimentos imediatos de pacientes em risco de vida.
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Ver todasPicada de escorpião
- Bernardo foi picado duas vezes enquanto estava dentro de casa, na área do fundo do quintal. Na hora da picada, o pai matou o escorpião e encaminhou o filho ao hospital, levando também o animal.
- Ao chegar no Hospital e Maternidade Madre Vannini, o menino de 3 anos foi internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI), onde ficaria em observação durante 6 horas. Se os exames indicassem algo, seria pedido o soro antiescorpiônico, explicou o pai ao Metrópoles.
- Cerca de 15 minutos após chegar na unidade de saúde, a criança começou a apresentar sintomas graves.
- “A gente falava: ‘Cara, não é normal. Meu filho está vomitando muito, suando, com deficiência cardíaca, salivação’, mas nada foi feito”, contou.
- De acordo com o pai, os médicos só notaram a gravidade do estado de saúde de Bernardo após cerca de 3 horas de CTI e, neste momento, começaram a procurar vaga na Santa Casa de Araras, onde o soro estava disponível.
A Associação Filhas de São Camilo, por meio do Hospital e Maternidade Madre Vannini, manifestou pesar pelo óbito de Bernardo.
Segundo a nota, durante o atendimento do menino, foram adotadas todas as medidas clínicas compatíveis com a capacidade da unidade, incluindo acolhimento, avaliações médicas, acesso venoso, analgesia, bloqueio anestésico, corticoterapia, soroterapia e suporte vasopressor, diante da evolução do quadro.









