PMs são condenados por fazerem "roleta-russa" com adolescente em SP.
Câmeras corporais registraram PM apontando revólver contra cabeça de adolescente durante abordagem em comunidade na zona leste de São Paulo

O Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo (TJMSP) condenou dois policiais militares (PMs) por uma abordagem violenta em uma comunidade conhecida como Caixa d’Água, na zona leste de São Paulo, em fevereiro do ano passado. Imagens de câmeras corporais usadas pelos agentes registraram o instante em que um deles ameaça atirar contra a cabeça de um adolescente, na prática conhecida como “roleta-russa”.
O policial, identificado como sargento Amauri dos Santos, coloca uma bala no tambor de um revólver e gira o dispositivo. A localização do projétil é desconhecida. Ele, então, aperta o gatilho, mas a arma não dispara. O movimento é conhecido como “roleta-russa”. Depois, o sargento ainda aponta o revólver para o pescoço da vítima.
O processo também menciona que, em outro momento, todos os policiais presentes viraram de costas para Amauri, depois de ele fazer um sinal enquanto apontava para a própria bodycam. De acordo com a acusação, o objetivo era “não filmar o sargento cometendo abusos”.
Além do sargento Amauri, outro policial, o cabo Sandro da Silva Nascimento, também foi flagrado apontando um revólver para o olho de um adolescente. Um soldado, que assistia às cenas, aparece na gravação rindo das cenas.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPAs ameaças e torturas teriam sido praticadas para forçar os adolescentes a darem informações sobre o tráfico de drogas na região.

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Ver todasAmauri dos Santos foi condenado a 12 anos e cinco meses de prisão pelos crimes de tortura, abuso de autoridade e fraude processual, por ter feito o gesto com as mãos para que as imagens não fossem captadas pelas câmeras corporais dos colegas.
O oficial ainda responde por peculato, já que entorpecentes apreendidos na comunidade desapareceram sob sua supervisão. Amauri era o encarregado da viatura em que o material foi armazenado depois da operação.
O cabo Sandro também foi condenado por tortura e abuso de autoridade. A sentença foi fixada em quatro anos e 10 meses de prisão, em regime semiaberto. Outros PMs que estavam no local são investigados.
O Metrópoles entrou em contato com a defesa do cabo Sandro Nascimento e aguarda resposta. O espaço permanece aberto para o caso de eventuais manifestações.
No processo, o advogado dele afirmou que o cabo cumpria sua função e “agiu movido pela vontade de combater o tráfico de drogas e combater o crime”.
Já a defesa do sargento Amauri dos Santos contestou a acusação de fraude processual, afirmando que todas as cenas foram registradas pelas câmeras corporais dos policiais. Também alegou que a arma usada seria de brinquedo e, por isso, o adolescente não teria demonstrado qualquer expressão de temor nas imagens. O advogado ainda afirma que o material apreendido pelos policiais não era droga, mas sim lixo, e foi descartado pela equipe.



