PMs acusados de matar entregador e plantar arma após crime viram réus
Gabriel Ferreira Messias da Silva, entregador, morreu durante perseguição policial. MPSP denunciou PMs por homicídio e fraude processual

Os quatro policiais militares acusados pela morte do entregador Gabriel Ferreira Messias da Silva, de 18 anos, se tornaram réus na Justiça. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). O caso ocorreu em novembro de 2024.
O sargento Ivo Florentino dos Santos vai responder pelos crimes de homicídio qualificado e fraude processual. Segundo o Ministério Público, ele foi o responsável por atirar contra Gabriel e, depois, teria participado da tentativa de alterar a cena do crime para justificar a ação policial.
Já o cabo Evanildo Costa de Farias Filho e os soldados Ailton Severo do Nascimento e Gilbert Gomes dos Santos vão responder por fraude processual. De acordo com a acusação, eles teriam participado da adulteração da cena do crime após a morte do entregador.
A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público em 30 de junho, recebeu um aditamento no dia seguinte e foi aceita pela Justiça em 2 de julho, quando os quatro policiais passaram oficialmente à condição de réus.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPAgora, o processo está na fase em que as defesas apresentam suas manifestações. Depois disso, a Justiça deverá decidir os próximos passos do caso, incluindo a realização da audiência de instrução, etapa em que testemunhas e acusados são ouvidos.
Relembre o caso
- O entregador Gabriel Ferreira Messias da Silva, de 18 anos, morreu em novembro de 2024, durante uma perseguição policial na Vila Sílvia, na zona leste de São Paulo.
- Os agentes afirmaram que Gabriel caiu da motocicleta ao fazer uma curva e, ao se levantar, sacou uma arma de fogo. Segundo esse relato, o sargento Ivo Florentino dos Santos efetuou um disparo de dentro da viatura.
- O Ministério Público concluiu que a arma encontrada ao lado do corpo teria sido colocada na cena após o disparo para simular um confronto policial.
- Com base nas provas reunidas durante o inquérito, o MPSP denunciou o sargento Ivo Florentino dos Santos por homicídio qualificado e fraude processual.
- O cabo Evanildo Costa de Farias Filho e os soldados Ailton Severo do Nascimento e Gilbert Gomes dos Santos foram denunciados por fraude processual, por supostamente participarem da adulteração da cena do crime.
- Em julho de 2026, a Justiça de São Paulo recebeu a denúncia do Ministério Público e tornou os quatro policiais réus no processo.

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Ver todasMãe lamenta “injustiça”
Para a mãe de Gabriel, Fernanda Ferreira, o sentimento é de injustiça. “Os meses vão passando, a gente vê a injustiça, e nada acontece. O laudo da perícia comprova que ele [o sargento Ivo] colocou a arma no Gabriel, que o Gabriel não tinha nada. Eu não entendo por que a corregedoria não tá com um caso desses. Por que que não pediu a prisão desse homem?”.
“Meu filho mais velho sai para trabalhar e eu tenho medo de ele não voltar, de ele encontrar esse assassino. Porque, se esse policial não fosse perigoso, ele não tinha feito o que ele fez. Ele não se intimidou nem com as câmeras corporais”, diz a mãe.
As imagens também filmaram Gabriel, ainda vivo, implorando por ajuda após ser baleado. No vídeo, ele diz para um agente: “Eu sou trabalhador, senhor, pra que isso comigo, meu Deus? Me ajuda, senhor, por favor”.
A recepcionista faz um apelo: “Eu só queria que o governador olhasse o meu apelo de mãe e visse que o que eu tô pedindo não é injusto. Eu só quero justiça, eu só quero honrar a memória do meu filho, porque a todo tempo eles querem fazer meu filho de ladrão”.













