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São Paulo

Piloto comparou avião da Voepass a "fusquinha" antes de queda

Laudo da Polícia Federal que detalha investigação sobre o acidente em 2024 mostra transcrição de conversa entre tripulação na cabine

06/08/2026 14:05
Piloto comparou avião da Voepass a “fusquinha” antes de queda
Piloto comparou avião da Voepass a “fusquinha” antes de queda

Instantes antes da queda do avião da Voepass, que resultou na morte de 62 pessoas em Vinhedo, interior de São Paulo, em agosto de 2024, a tripulação reclamou dos sistemas de degelo e comparou a aeronave a um “Fusquinha”. A investigação da Polícia Federal (PF), que será apresentada nesta quinta-feira (6/8), aponta que o acúmulo de gelo no avião foi um dos motivos para o acidente.

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Um avião da companhia Voepass, que saiu de Cascavel com destino a Guarulhos, caiu em um condomínio em Vinhedo, interior de São Paulo, matando as 62 pessoas que estavam a bordo
Piloto comparou avião da Voepass a “fusquinha” antes de queda - imagem 3
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Avião da VoePass após acidente em Vinhedo
Avião da VoePass após acidente em Vinhedo
Destroços do avião da VoePass
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Destroços do avião da VoePass

Um avião da companhia Voepass, que saiu de Cascavel com destino a Guarulhos, caiu em um condomínio em Vinhedo, interior de São Paulo, matando as 62 pessoas que estavam a bordo
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Um avião da companhia Voepass, que saiu de Cascavel com destino a Guarulhos, caiu em um condomínio em Vinhedo, interior de São Paulo, matando as 62 pessoas que estavam a bordo

Secretaria de Segurança de São Paulo
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Avião da VoePass após acidente em Vinhedo
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Avião da VoePass após acidente em Vinhedo

Arquivo Pessoal
Avião da VoePass após acidente em Vinhedo
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Avião da VoePass após acidente em Vinhedo

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Avião da VoePass após acidente em Vinhedo

Arquivo Pessoal
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Paulo Pinto/Agência Brasil
Ninguém sobreviveu
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Ninguém sobreviveu

Reprodução
A partir das 13h21 a aeronave não respondeu às chamadas do Controle de Aproximação de São Paulo
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A partir das 13h21 a aeronave não respondeu às chamadas do Controle de Aproximação de São Paulo

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Destroços de avião
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Destroços de avião

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No documento, ao qual o Metrópoles teve acesso, a PF transcreveu as conversas do piloto e copiloto na cabine da aeronave. Às 15h15, um sinal sonoro identificou a falha no sistema de degelo. “É o Airframe que deu fault. Pode tirar, pode tirar, pelo menos a gente já sabe que tá… f*dido”, disse o piloto.

O copiloto responde: “Olha a situação. Se bem que não está reportado isso aí, mas, para a gente não pegar gelo, teria que ir no 110, né? [110 é referência ao nível de voo na altitude FL110]”. No minuto seguinte, um novo sinal sonoro indica que o sensor identificou o acúmulo de gelo na aeronave.

“Foi só eu falar. O avião escutou. Esse avião parece aquele Fusquinha, Herbie. Um filme bem antigo”, reagiu o piloto. Na obra cinematografica, Herbie é um fusca com emoções e vida própria encontrado por uma garota em um ferro velho.

Cerca de uma hora depois, às 16h20, a tripulação inicia os procedimentos de aterrissagem, mas continua com problemas no sistema de degelo. “Essa bosta não tá funcionando, né?”, questiona o piloto. O copiloto assentiu. O último registro de comunicação na cabine registrado pela PF foi um alerta de pull-up, comando de voz crítico emitido pelo sistema de aviso de proximidade do solo, às 16h22.

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Qual é a conclusão da PF sobre o acidente da Voepass

  • Condições meteorológicas e falha em sistema: a PF afirma que o voo aconteceu em condições meteorológicas adversas, com frente fria ativa, ar úmido e formação severa de gelo. O laudo destaca que, embora a aeronave tivesse equipamentos anti-gelo, os sistemas registraram falhas no dia do acidente e nos três voos anteriores.
  • Operação deveria ter sido interrompida: no documento, a investigação conclui que diferentes tripulações não seguiram uma determinação técnica sobre a reinicialização do sistema de degelo e que a indisponibilidade do equipamento deveria vedar a operação da aeronave naquelas condições. A PF, no entanto, ressalta que “não é possível afirmar se o funcionamento adequado do sistema de degelo seria suficiente para evitar o sinistro”.
  • Desempenho insuficiente: os peritos afirmam que, apesar dos alertas, a tripulação não executou os procedimentos previstos. “A sequência de eventos mostra que a tripulação manteve seu foco de atenção em tarefas da cabine, comunicação com o despacho em Guarulhos e preparação para procedimentos de aproximação e pouso, incluindo checklists e briefing, de forma que se mantiveram alheios aos alertas.” O laudo menciona que a tripulação estava habilitada, “de forma que não é possível determinar a razão da não execução adequada desses procedimentos”.
  • Irregularidade no despacho: embora não tenha relação direta com o acidente, o despacho para o voo PTB-2283 não respeitou a Lista de Equipamentos Mínimos (MEL), pois a aeronave operou com os limpadores de para-brisa inoperantes mesmo com previsão de chuva no destino, o que deveria ter impedido a decolagem.
  • Conclusão: “A causa do sinistro foi a perda de controle em voo, decorrente do acúmulo de gelo na aeronave, da inoperância do sistema pneumático de degelo da estrutura e da não execução tempestiva e adequada dos procedimentos”, sintetiza a PF no laudo.

O laudo tem 200 páginas e detalha a análise técnica das autoridades, incluindo exames no local do acidente, registros meteorológicos e o funcionamento de sistemas de proteção da aeronave. Os dados foram obtidos a partir das caixas-pretas do voo PTB-2283, computadores de bordo e vídeos de testemunhas. O texto também detalha o treinamento e protocolos adotados pela tripulação e o histórico de manutenção da aeronave.

Tragédia da Voepass

O voo PTB-2283 caiu em Vinhedo, no interior paulista, em 9 de agosto de 2024. Naquele dia, o avião da empresa Voepass saiu do Aeroporto Coronel Adalberto Mendes da Silva, em Cascavel, no Paraná, às 11h58, com destino ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.

A aeronave era comandada pelo piloto Danilo Romano, de 35 anos, e pelo copiloto Humberto de Campos Alencar e Silva, de 61 anos. A tripulação contava ainda com as comissárias de bordo Debora Soper Avila, 28, e Rubia Silva de Lima, 41.

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Os 58 passageiros tinham comprado as passagens pela Latam, que comercializava os voos da Voepass. Segundo as famílias, alguns deles não sabiam que viajariam pela empresa.

O voo transcorreu aparentemente sem problemas até pouco antes da queda. Três minutos antes do acidente, os pilotos avisaram a torre de comando, em São Paulo, que estavam no ponto ideal para descer rumo ao aeroporto em Guarulhos. Às 13h21, no entanto, o avião começa a perder altitude repentinamente. Um minuto depois, a aeronave caiu no condomínio de casas Residencial Recanto Florido, em Vinhedo, no interior paulista.

O acidente deixou 62 mortos, sendo 58 passageiros e 4 tripulantes. Não houve sobreviventes. Ninguém no solo se feriu.

Minidocumentário do Metrópoles reconta o caso

No ano passado, o Metrópoles mergulhou nas informações sobre o caso, entrevistou familiares, e apurou o que aconteceu desde o acidente até então. O resultado deste trabalho você pode acompanhar no minidocumentário “A história do voo 2283”, que relembra os principais pontos deste caso.

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