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São Paulo

PF indicia 13 acusados de infiltrar PCC no setor de combustíveis e fintechs

Segundo a PF, os indiciados estão envolvidos no esquema liderado por Primo e Beto Louco que possibilitou a inflitração do PCC nos postos

30/09/2026 14:13
Divulgação/PF
Viatura PF - metropoles

A Polícia Federal (PF) concluiu o inquérito da Operação Quasar, uma das ações oriundas da Carbono Oculto, e indicou 13 investigados pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta. A investigação aponta que os alvos são executivos de fundos de investimentos, corretoras e fintechs.

Segundo a PF, os 13 investigados estão envolvidos no esquema liderado pelos empresários Mohamad Hussein Mourad, o Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco. Ambos estão foragidos.

Com a conclusão do inquérito, o relatório da investigação foi encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), que deve decidir se apresentará uma denúncia, se pede novas apurações ou se arquiva o caso.


Operação Quasar

  • Deflagrada em outubro de 2025, a Operação Quasar teve como objetivo desarticular uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta de instituições financeiras.
  • A investigação identificou um esquema sofisticado que utilizava fundos de investimento para ocultar patrimônio de origem ilícita, com indícios de ligação com facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC).
  • A estrutura criminosa operava por meio de múltiplas camadas societárias e financeiras, nas quais fundos de investimento detinham participação em outros fundos ou empresas.
  • Essa teia complexa dificultava a identificação dos verdadeiros beneficiários e tinha como principal finalidade a blindagem patrimonial e a ocultação da origem dos recursos.
  • Entre as estratégias utilizadas estavam transações simuladas de compra e venda de ativos, como imóveis e títulos, entre empresas do mesmo grupo, sem propósito econômico real.

Carbono Oculto

A operação Carbono Oculto foi realizada em agosto de 2025, por uma força-tarefa composta por cerca de 1.400 agentes do MPSP, Ministério Público Federal, da Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, Receita Federal, Agência Nacional de Petróleo (ANP), Procuradoria-Geral do Estado, Secretaria de Estado da Fazenda, com apoio de diversas unidades do Gaeco.

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A ação cumpriu mandados de busca e apreensão e prisão nos estados de São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

O objetivo foi desarticular um esquema fraudulento no setor de combustíveis, com infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC). A prática criminosa ia da ponta de entrada de metanol no país até postos de combustíveis pertencentes a pessoas ligadas à facção criminosa.

Ao todo, são mais de 350 alvos na operação, suspeitos de crimes contra a ordem econômica, adulteração de combustíveis, crimes ambientais, lavagem de dinheiro, fraude fiscal e estelionato.

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O grupo criminoso fazia transações financeiras por fintechs, localizadas na Faria Lima – avenida em São Paulo conhecida como centro financeiro do país.

De acordo com os responsáveis pela investigação, a escolha por uma instituição de pagamento – em vez de bancos tradicionais – visava dificultar o rastreamento dos recursos. As fintechs operavam com contabilidade paralela, permitindo transferências entre empresas e pessoas físicas sem que os beneficiários finais fossem identificados.

Em nota enviada ao Metrópoles, a defesa de Roberto Augusto Leme da Silva afirma que não teve acesso aos autos até o momento. “Contudo, diante do que foi informado pela mídia, os fatos tratados na denúncia não têm nenhum relacionamento com Roberto. Sua inclusão no processo parece uma infeliz tentativa de gerar repercussão midiática, como já ocorreu anteriormente.”