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São Paulo

Pecuarista da família Vilela é condenada por degradar área de preservação

Ana Luiza Junqueira Vilela, membro de uma família de grandes pecuaristas de SP, ocupou irregularmente uma área de preservação permanente

01/10/2026 02:15
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A pecuarista Ana Luiza Junqueira Vilela foi condenada pelo judiciário paulista por degradar uma Área de Preservação Permanente (APP) em uma fazenda particular em Pirapozinho, na região de Presidente Prudente, no interior de São Paulo. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a condenação em decisão de 8 de setembro.

Ana Luiza é dona da Fazenda Junqueiravi, que faz fronteira com a Usina Hidrelétrica (UHE) Taquaruçu, instalada no Rio Paranapanema. Após a construção da UHE, foi criado um lago artificial, o que demandou a criação de uma faixa de terra protegida ao redor do açude.

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Cerca de 700m² dessa faixa de terra protegida (APP) fica na fazenda particular de Ana Luíza. A pecuarista, no entanto, desrespeitou a proteção do espaço e seguiu com a criação, recria e engorda de gado de alta linhagem, além de serviços de agronomia no local.

Ela foi condenada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) a encerrar a exploração do local, isolar a área cultivada, retificar o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e apresentar um Projeto de Recuperação de Área Degradada (PRAD) sob pena de multa de R$ 10 mil por descumprimento. A pecuarista recorreu da decisão, que foi mantida pelo STJ.

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O Metrópoles procurou a defesa de Ana Luiza, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

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Pecuarista já foi investigada por grilagem

Ana Luiza é filha de Antônio José Junqueira Vilela, pecuarista de grande porte associado ao desenvolvimento do gado Nelore, a raça bovina de corte mais importante e predominante no Brasil. Ele também é responsável pela expansão da fronteira agropecuária a partir do Mato Grosso na década de 1970.

A pecuarista, a irmã dela, Ana Paula, o irmão, Antônio José Junqueira Vilela Filho (o AJ Vilela ou Jotinha) e o ex-marido, Ricardo Caldeira Viacava (o Cadão), seguiram no setor agropecuário e ingressaram no mercado financeiro e empresarial, o que levou a família a circular entre a alta sociedade paulistana.

Em junho de 2016, a família foi alvo da Operação Rios Voadores, deflagrada pela Polícia Federal (PF), Ministério Público Federal (MPF), IBAMA e Receita Federal. O grupo foi  acusado de encabeçar um esquema de grilagem e desmatamento na Amazônia, especificamente nos municípios de Altamira e Novo Progresso, no Pará, em áreas no entorno da terra indígena Mekrãgnoti/Kayapó.

AJ Vilela foi apontado como chefe do esquema criminoso e responsável por financiar o desmatamento ilegal de mais de 30 mil hectares, grilagem de terras públicas federais, uso de “laranjas” para CARs e exploração de trabalho análogo à escravidão. Ele é recordista em multas aplicadas pelo Ibama.

Ana Luiza e a irmã eram sócias em empresas do grupo, sediadas em bairros de luxo de São Paulo, como o Jardins. Também eram titulares de contas por onde passavam recursos das vendas de gado e terras. Ricardo, por sua vez, foi apontado como um dos operadores financeiros do esquema.

A pecuarista chegou a ser presa pela PF ao desembarcar no Aeroporto de Guarulhos de uma viagem aos Estados Unidos, mas foi solta ao ter um habeas corpus concedido pela Justiça.

A Justiça Federal rejeitou a denúncia do MPF contra ela por organização criminosa, obstrução de investigações, grilagem e crimes ambientais. No entanto, ela ainda responde a ação por trabalho análogo à escravidão, que segue em andamento no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).