Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
São Paulo

Suspeito de elo com PCC, deputado eleito tem precedente desfavorável no TSE

Ex-prefeito de Embu das Artes, Ney Santos ficou inelegível até 2024 e neste ano foi eleito deputado federal. Corte ainda pode vetar mandato

09/10/2026 02:30
Instagram/Reprodução
Ney Santos, eleito deputado e acusado de elo com PCC. Candidatura pode ser vetada pelo TSE - Metrópoles

São Paulo — O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgará um recurso apresentado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) contra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) que liberou o registro de candidatura de Ney Santos para o cargo de deputado Federal. Eleito no último domingo (4/10) com 118.566 votos pelo estado, ele é acusado de ter elo com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Contudo, o ex-prefeito de Embu das Artes, na região metropolitana, enfrentará um precedente desfavorável na Corte. O caso tramita sob a relatoria do ministro Floriano de Azevedo Marques, participante de julgamento que consagrou a tese de que a Justiça Eleitoral pode indeferir o registro de candidatos integrantes de grupos criminosos com base em acervo consistente de provas gerado por investigações, sem a necessidade de condenação transitada em julgado.

Trata-se do caso de Fabinho Varandão, de Belford Roxo (RJ), que teve candidatura indeferida em 2024 por envolvimento com milícia. Naquela ocasião, o TSE estabeleceu, por unanimidade, que a vedação da Constituição Federal — com proibição do uso de organizações paramilitares ou de mesma natureza por partidos políticos — é de aplicabilidade imediata no processo eleitoral.

Para o Ministério Público Eleitoral, a candidatura de Ney representa um “risco à soberania popular e à integridade das instituições democráticas”.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP

Se a instância máxima da Justiça Eleitoral der provimento ao recurso ordinário do MPE, o registro de candidatura será indeferido retroativamente. A decisão provocaria perda do mandato obtido nas urnas.

No entanto, a defesa de Ney Santos alega distinção em relação aos precedentes do TSE sobre milícias. Além disso, o TRE-SP entendeu que a principal ação penal por organização criminosa contra Ney Santos permanece em fase de instrução sem sentença de primeiro grau.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

Candidatura deferida pelo TRE-SP

O ex-prefeito teve a candidatura a deputado federal autorizada pelo TRE-SP, após votação de 3 a 2, em 15 de setembro. Então, o Ministério Público Eleitoral recorreu ao TSE para cassar o registro.

Antes das eleições, os magistrado Regis de Castillo e Maria Cláudia Bedotti acompanharam o voto da relatora Danyelle Galvão, com votos contrários dos desembargadores Mairan Maia Júnior e Roberto Maia. A magistrada Fernanda Massad declarou suspeição.

Agora, a Procuradoria-Geral Eleitoral apresentou parecer favorável ao recurso do Ministério Público e defendeu que a candidatura seja barrada.

Histórico de Ney Santos

Claudinei Alves dos Santos, conhecido como Ney Santos, é réu por comando de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Cumpriu pena por abuso de poder econômico e foi condenado em primeira instância por porte de arma de fogo com numeração raspada.

Anteriormente, Ney Santos foi condenado por formação de quadrilha e ficou dois anos preso por roubo a banco. “Após sua saída do sistema prisional, os órgãos policiais e o Ministério Público continuaram a receber recorrentemente informações e notícias de que Claudinei é membro do PCC e que sua fortuna é constituída essencialmente de dinheiro proveniente do tráfico de drogas”, apontou a promotoria.

Ney Santos também já foi condenado pelo TSE por financiamento ilegal de campanha nas eleições de 2016. Ficou inelegível até 2024.