Pavanato pode manter vídeo em que chama Erika Hilton de “travesti do Lula"
Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, em maioria, considerou que falas de Pavanato estavam inseridas em um contexto de crítica política

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) decidiu que um vídeo publicado pelo vereador Lucas Pavanato (PL) contra a deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) não precisa ser retirado das redes sociais. A decisão, tomada por maioria nessa quinta-feira (10/9), derrubou uma determinação anterior que obrigava as plataformas a remover o conteúdo.
Na gravação, Pavanato chama Erika de “travesti do Lula” e faz uma série de afirmações sobre a deputada. O caso chegou à Justiça Eleitoral depois que Erika questionou o conteúdo e afirmou que o vídeo apresentava informações falsas ou gravemente descontextualizadas, além de alegar violência política de gênero.
Na primeira decisão, a Justiça havia determinado que o vídeo fosse retirado do ar em até 24 horas, sob pena de multa diária de R$ 1 mil às plataformas. O entendimento era de que uma das afirmações feitas pelo vereador, relacionada à contratação de “maquiadores com dinheiro público”, apresentava uma informação que poderia induzir o eleitor ao erro.
Entenda o caso
- Pavanato publicou o vídeo em 16 de agosto, com críticas e ataques contra Erika Hilton nas redes sociais.
- Erika acionou a Justiça Eleitoral e afirmou que a publicação trazia informações falsas ou apresentadas fora de contexto, além de questionar a referência à sua identidade de gênero.
- Na primeira decisão, a Justiça determinou a retirada do vídeo em até 24 horas e fixou multa diária de R$ 1 mil para as plataformas caso o conteúdo permanecesse no ar.
- Um dos principais pontos analisados foi a afirmação de Pavanato sobre a contratação de “maquiadores com dinheiro público”. Os profissionais citados tinham formação na área, mas exerciam funções de assessoria no gabinete de Erika.
- Para a primeira decisão, apresentar os profissionais como “maquiadores” poderia levar o eleitor a entender que eles haviam sido contratados para maquiar a deputada, e não para trabalhar como assessores.
- Pavanato recorreu ao TRE-SP, e a maioria dos magistrados adotou outro entendimento, concluindo que a publicação não apresentava falsidade ou distorção grave suficiente para justificar a remoção.
- A desembargadora Domitila Manssur ficou vencida no julgamento. Ela defendeu a manutenção da retirada do vídeo por considerar que a forma como a informação foi apresentada poderia induzir o eleitor ao erro.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP
Frequência de envio: Diário
Ver todasPara maioria, vídeo não ultrapassou limite eleitoral
Ao julgar o recurso de Pavanato, porém, a maioria dos integrantes do TRE-SP entendeu que não havia elementos suficientes para classificar as declarações como informações sabidamente falsas ou como uma distorção grave que justificasse a retirada do vídeo. Para os magistrados, as falas estavam inseridas em um contexto de crítica política e, ainda que tivessem tom ofensivo, não ultrapassavam, naquele caso, os limites que permitiriam a remoção do conteúdo.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPO tribunal considerou, em especial, que havia um elemento factual relacionado à afirmação sobre os “maquiadores”: as pessoas citadas tinham formação na área de maquiagem e ocupavam cargos no gabinete de Erika Hilton. A maioria entendeu que a forma como Pavanato utilizou essa informação não era suficiente para caracterizar uma falsidade grave para fins eleitorais.
Isso não significa que a Justiça tenha considerado verdadeiras todas as afirmações feitas pelo vereador no vídeo. O que o TRE-SP decidiu foi que, naquele caso, não estavam presentes os requisitos para obrigar as plataformas a retirar a publicação. Com isso, a representação apresentada por Erika Hilton foi rejeitada e a decisão anterior de remoção deixou de valer.



