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Eleições 2026São Paulo

Pauta do Senado, impeachment de Moraes é foco de deputado mais votado de SP

Eleito deputado federal com mais de 3 milhões de votos, Lucas Pavanato (PL) afirmou, ao Metrópoles, que prioridade é limitar poderes do STF

10/10/2026 02:00, atualizado 10/10/2026 02:36
Metrópoles
Lucas Pavanato em entrevista no Metrópoles com os repórteres Rebeca Ligabue e Vinicius Passarelli

Deputado federal eleito com mais votos por São Paulo, Lucas Pavanato (PL) disse que tem como prioridade inicial o afastamento de ministros da Suprema Corte. “Meu primeiro foco é limitar os poderes do Supremo Tribunal Federal, o impeachment do Alexandre de Moraes, que vai ser discutido no Senado e eu vou fazer pressão para que ele aconteça”, afirmou, em entrevista ao Metrópoles.

Cabe ao Senado processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. Para que haja condenação, são necessários os votos de dois terços dos senadores. A Câmara dos Deputados não participa do processo.

Na entrevista, Pavanato também destacou que uma das pautas que considera mais importantes é a redução da maioridade penal. “Está parada há anos no Congresso. A maioria da população concorda com essa medida e, ao mesmo tempo, o Congresso não dá uma resposta, porque muita gente tem medo de se posicionar. Eu vou me posicionar da melhor forma possível, vou fazer trabalhar para que esse projeto avance, se possível, um projeto até mais abrangente que eu pretendo propor. Se não possível, a gente faz avançar o que já está lá, que é reduzir a maioridade penal para crimes hediondos para os 16 anos”, ressaltou.

O deputado eleito também mencionou que é a favor do fim da reeleição para presidente, governador e prefeitos. “Você reduz um pouco o incentivo ao populismo eleitoral. A pessoa, na véspera da eleição, tomar medidas simplesmente para se reeleger. Óbvio que vai continuar tendo um incentivo para ele eleger um sucessor. Então, a redução não é tão significativa assim, mas eu acho que uma medida que mostra o desprendimento”, avaliou. “Você tem um ano a mais de um mandato também sem eleição, vai fazer com que o presidente tenha mais tempo para fazer o que precisa ser feito.”

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Antes de se filiar ao PL, o parlamentar integrou os quadros do Movimento Brasil Livre (MBL) e do Novo, nos quais defendeu a terceira via e fez declarações contra o bolsonarismo — a ideologia política atual dele. Questionado sobre Renan Santos (Missão), do partido do MBL, Pavanato disse que é “irrelevante”.

“Tem um deputado federal, apenas um deputado estadual no Brasil inteiro”, apontou. “O Renan fez menos votos no Brasil do que eu fiz no estado de São Paulo. Então, nem mesmo o candidato à Presidência deles consegue superar um simples deputado do PL”, acrescentou Pavanato.

Impulsionamento nas redes

Nas eleições deste ano, Lucas Pavanato gastou R$ 1,352 milhão com impulsionamento de conteúdos – o que corresponde a 50,02% do total de R$ 2.702.190,9 em despesas de campanha.

Pavanato explicou que “via de regra” não faz impulsionamento, mas “na eleição é diferente”. “Eu optei por gastar a maior parte com o meu público digital”, contou.

“Nós usamos os impulsionamento pra chegar nas pessoas que já me conheciam. E, graças a Deus, tem pessoas também que são relevantes, conhecidas, que gostam de mim e me apoiaram nessa eleição. E isso também ajudou a furar um pouco a bolha, alcançar o público que eu precisava”, detalhou.

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Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano
Campopiano é afiliada do PL
O vereador Lucas Pavanato hostiliza a senadora Mara Gabrilli na Avenida Paulista
Lucas Pavanato
Lucas Pavanato, vereador do PL
Lucas Pavanato se torna deputado federal por São Paulo
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Lucas Pavanato se torna deputado federal por São Paulo

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Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano
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Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano

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Campopiano é afiliada do PL
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Campopiano é afiliada do PL

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O vereador Lucas Pavanato hostiliza a senadora Mara Gabrilli na Avenida Paulista
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O vereador Lucas Pavanato hostiliza a senadora Mara Gabrilli na Avenida Paulista

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Lucas Pavanato
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Lucas Pavanato

Vitor Liasch/Divulgação
Lucas Pavanato, vereador do PL
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Lucas Pavanato, vereador do PL

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Lucas Pavanato
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Lucas Pavanato

Redes sociais/Reprodução

Questionado em relação a uma fala recente sobre a extrema direita ter que colocar os opositores “no devido lugar”, e também sobre a própria atuação contra pessoas trans, Pavanato afirmou que a esquerda é minoria na política, mas que ele não se referia às “minorias identitárias que a esquerda tenta dividir”.

“Eu disse que eles são hegemônicos nas instituições hoje. A esquerda, mesmo sendo a minoria da sociedade, que eles ocupam espaços e tem a maioria do poder, mas que agora nós somos maioria no Congresso e que nós vamos colocar a minoria no seu devido lugar, a minoria”, enfatizou. “E também nunca ataquei nenhuma pessoa trans nem nada. Eu só acho que a biologia não pode ser negada”, completou.

Em agosto, no entanto, a Justiça Eleitoral de São Paulo estabeleceu retirada de uma publicação feita nas redes sociais por Pavanato contra a deputada federal Érika Hilton (PSol), reeleita neste ano. Ele havia publicado um vídeo em que a chama de “travesti do Lula”. A juíza do caso também determinou que Pavanato não volte a fazer posts transfóbicos contra Érika.

Atuação como vereador

Na entrevista ao Metrópoles, Pavanato apontou o projeto que proíbe na capital paulista a publicidade relacionada a bets como “um dos mais importantes” do mandato como vereador.

O plenário da Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em setembro deste ano, em primeiro turno, a proposta de autoria do vereador João Jorge (MDB) e coautoria de cerca de outros 30 parlamentares, entre eles Pavanato. O texto ainda deve passar pela segunda votação para ser definitivamente liberado para sanção.

Contudo, Pavanato disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PL) proibiu as casas de apostas no país e zerou impostos de importações para “fingir que é bonzinho”. “O Lula é um vagabundo, o Lula basicamente ele regulamentou as bets para transformar as bets em algo viável no país. Aí agora na reta final, na véspera da eleição, ele viu nas pesquisas que as pessoas majoritariamente são contra as bets e ele proibiu”, disparou.

Lucas Pavanato aprovou apenas seis projetos na Câmara Municipal desde o início do mandato como vereador em janeiro de 2025. Em todas as proposições, o deputado federal eleito é um dos co-autores listados, ao lado de outros vereadores de direita.

Como vereador, Pavanato foi relator na CPI Pancadões e associou o funk ao crime organizado. Depois, recorreu ao gênero musical em peças da própria campanha e na comemoração da eleição como deputado federal.

Questionado sobre a contradição, Pavanato afirmou que o posicionamento é “contra o funk da periferia”. “Eu critiquei apologia, eu critiquei sexualização e objetificação de mulheres e eu continuo criticando isso. Acho que são músicas extremamente nocivas, que prejudicam a imagem da mulher.”

Por outro lado, o deputado eleito se manifestou contra o feminismo, movimento que defende a igualdade de direitos e de oportunidades entre homens e mulheres. Nestas eleições, Pavanato apadrinhou a antifeminista Eduarda Campopiano (PL), eleita a deputada estadual mais votada para a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) nestas eleições.

“O feminismo é contra inclusive o quê? O que é mulher? A definição de mulher. Até porque se eu pergunto pra uma feminista o que é mulher hoje em dia, ela não sabe definir. Ela vai dizer que é qualquer pessoa que se identifica. Ora, se mulher pode ser tudo, mulher não é nada. Então, o feminismo distorce o papel da mulher, não sabe nem mesmo definir o que é mulher”, disse Pavanato.

Contratação de Fernando Holiday

O gabinete de Lucas Pavanato na Câmara Municipal de São Paulo pagou R$ 400 mil reais à empresa de consultoria do ex-vereador Fernando Holiday, padrinho político do vereador. O valor se refere a 20 repasses mensais de R$ 20 mil cada para “serviços de assessoria de marketing para consecução das atividades parlamentares do vereador”, de acordo com as notas fiscais.

Antes de ser eleito como o vereador mais votado da capital em 2024, Pavanato atuou como assessor de Fernando Holiday, que teve dois mandatos como vereador, e chegou a ser chefe de gabinete do aliado. Catapultado pelas redes sociais, Pavanato foi eleito no último domingo (4/10) com cerca de 3 milhões de votos, sendo o mais votado do estado e segundo mais votado no Brasil.

O Metrópoles já havia mostrado que, antes de ter mandato, entre 2023 e 2024, o próprio Pavanato havia recebido R$ 127 mil em serviços de consultoria de marketing para o mandato de Holiday.

A contratação ocorreu em um período em que o Pavanato não estava lotado como comissionado no mandato do ex-vereador. Após ser eleito vereador, os papéis se inverteram: Pavanato passou a contratar Holiday pelo mesmo tipo de serviço.

Na entrevista ao Metrópoles, Pavanato justificou a contratação afirmando que ela está dentro das regras da Câmara e que Holiday é um “marqueteiro de primeira”. “Ele entende muito de marketing e comunicação. Foi vereador durante dois mandatos, tem formação, tem pós-graduação em ciência política e formação em história”, afirmou.

Segundo turno

Lucas Pavanato é aliado de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência que estará no segundo turno contra o presidente Lula. Pavanato e outros deputados eleitos com votações expressivas, como Nikolas Ferreira (PL) estão engajados na campanha.

Segundo ele, há um grupo de mobilização, com agendas previstas em São Paulo, assim como eventos no Nordeste e no Norte. “O máximo que eu puder fazer para o Flávio Bolsonaro ser eleito, eu vou fazer”, disse.