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São Paulo

Nunes fala em “surpresa” após prisão de ex-secretário em operação do MPSP

Prefeito também comentou mandado Milton Leite e disse que tem "muito respeito" pelo político, mas que ele terá de "demonstrar inocência"

17/09/2026 15:23, atualizado 17/09/2026 15:52
Jessica Bernardo/ Metrópoles
Nunes fala em “surpresa” após prisão de ex-secretário em operação do MPSP

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou, nesta quinta-feira (17/9), que ficou surpreso ao saber da prisão de Levi dos Santos Oliveira, ex-secretário municipal de Mobilidade e Trânsito, no âmbito da Operação Vectura Corrupta. Levi foi secretário da gestão Nunes entre 2021 e 2022, e presidiu a SPTrans em 2020.

“Eu não vou negar que vi com bastante surpresa a questão do Levi. O Levi foi presidente da SPTrans, foi secretário, e durante o período que a gente trabalhou junto, eu nunca havia ouvido falar de nenhum tipo de situação de envolvimento, muito pelo contrário. É uma pessoa de carreira da SPTrans, mais de 30 anos de empresa, superconceituado. Mas obviamente a gente não conhece quais são as atividades do dia a dia das pessoas”, disse.

Além de Levi, o aliado de Nunes e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União) tem um mandado de prisão em aberto na mesma operação. Questionado sobre Leite, Nunes minimizou sua relação com o político, disse que não falou com o ex-vereador ainda, mas que Leite terá de se explicar.

“Vocês estão falando muito de aliado… Tenho muito respeito pela história, pela trajetória do ex-presidente da Câmara, Milton Leite, vereador por mais de 20 anos, mas obviamente vai competir a ele agora demonstrar ou não a sua inocência dentro desse processo que vai ter. Por parte da Prefeitura é sempre todo o apoio às investigações”, disse.

O emedebista afirmou que a Prefeitura de São Paulo apoia as investigações do Ministério Público e citou que a administração municipal já atuou como assistente de acusação em outro processo sobre as linhas de ônibus da cidade. “Qualquer dúvida, qualquer situação, tem que investigar. E as pessoas que tiverem algum tipo de envolvimento com qualquer coisa errada têm de pagar”, disse.

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Tarcísio de Freitas, Ricardo Nunes e Milton Leite
Milton Leite (União) e Ricardo Nunes (MDB)
Milton Leite e Ricardo Nunes
Tarcísio participa do lançamento das candidaturas de Alexandre Leite a deputado estadual e Milton Leite Filho a deputado federal
Tarcísio participa do lançamento das candidaturas de Alexandre Leite a deputado estadual e Milton Leite Filho a deputado federal
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o vereador Milton Leite (União Brasil)
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O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o vereador Milton Leite (União Brasil)

André Bueno/Rede Câmara
Tarcísio de Freitas, Ricardo Nunes e Milton Leite
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Tarcísio de Freitas, Ricardo Nunes e Milton Leite

Edson Lopes Jr / Secom / Prefeitura de São Paulo
Milton Leite (União) e Ricardo Nunes (MDB)
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Milton Leite (União) e Ricardo Nunes (MDB)

Lucas Bassi/Rede Câmara SP
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Milton Leite e Ricardo Nunes

Afonso Braga/Câmara de SP
Tarcísio participa do lançamento das candidaturas de Alexandre Leite a deputado estadual e Milton Leite Filho a deputado federal
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Tarcísio participa do lançamento das candidaturas de Alexandre Leite a deputado estadual e Milton Leite Filho a deputado federal

Caiuá Maia / Divulgação Campanha Tarcísio de Freitas
Tarcísio participa do lançamento das candidaturas de Alexandre Leite a deputado estadual e Milton Leite Filho a deputado federal
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Tarcísio participa do lançamento das candidaturas de Alexandre Leite a deputado estadual e Milton Leite Filho a deputado federal

Caiuá Maia / Divulgação Campanha Tarcísio de Freitas
Tarcísio participa do lançamento das candidaturas de Alexandre Leite a deputado estadual e Milton Leite Filho a deputado federal
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Tarcísio participa do lançamento das candidaturas de Alexandre Leite a deputado estadual e Milton Leite Filho a deputado federal

Caiuá Maia / Divulgação Campanha Tarcísio de Freitas

Empresas suspeitas de elo com o PCC

As investigações apontam que ao menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo da capital seriam, em tese, controladas pelo PCC. Nunes relativizou a apuração. “A gente já teve situações no passado em que empresas que estavam [sendo] investigadas, foram condenadas, que teve presidentes de empresas presos, e que depois a Justiça absolveu. Então, a gente não pode fazer um juízo de valor. Nós temos que ter responsabilidade. Não quer dizer, por si só, que seja a pessoa culpada”, afirmou.

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Na sequência, Nunes disse que a investigação sempre vai contar com o apoio da Prefeitura de São Paulo, “mas sempre dentro do quesito da ampla defesa, da presunção de inocência”.

“Uma vez comprovada a participação em qualquer ato criminoso, eu acho que [precisa ter] penas duras, fazer com que pague de forma muito contundente.”

Entenda a operação contra o PCC no transporte

Segundo a investigação, o suposto esquema envolvia empresas, advogados, integrantes do crime organizado e agentes públicos para alcançar os objetivos da facção.

A operação desta quinta-feira é um desdobramento de outra operação, deflagrada em agosto de 2024 e batizada de Decúrio. Na ocasião, as autoridades identificaram uma rede de comunicação entre integrantes do PCC e trocas de mensagens sobre a atuação do grupo.

A investigação cita a “contaminação, pelo crime organizado, de empresas de transporte coletivo de passageiros na capital e no interior”. Essa infiltração, segundo as autoridades, ocorria por meio de uma estrutura organizada que combina o uso de empresas de fachada, direcionamento de licitações, apoio político e lavagem de capitais.

Os criminosos também utilizariam os sócios formais das concessionárias e empresas de ônibus como “laranjas” para ocultar os verdadeiros proprietários das empresas, que seriam integrantes do PCC. Além disso, o grupo teria promovido ajustes prévios para direcionar licitações e obter contratos emergenciais em diversos municípios. Há registros de acordos para que as empresas passassem a ser administradas por membros da facção logo após vencerem as licitações, mediante repasse de propinas a agentes públicos.

As facilidades no setor, segundo a investigação, seriam obtidas em troca do financiamento de campanhas eleitorais de candidatos e cooptação de agentes públicos. Candidato a deputado estadual, Danilo Morgado (PL) foi preso durante a operação desta quinta-feira. Morgado é investigado por envolvimento com o núcleo político do PCC. Segundo a polícia, a campanha dele ao pleito municipal, em 2024, foi financiada pela facção criminosa.

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Os investigadores ainda citam encontros periódicos com ex-gestores do sistema público, como o servidor da SPTrans Levi Oliveira, e políticos que atuariam como responsáveis ou proprietários por empresas do setor, como Milton Leite, apontado como dono da Transwolf.

O dinheiro do crime seria injetado no setor de transporte por meio da negociação de veículos e compra/venda de frotas inteiras de ônibus, com pagamentos de comissão aos laranjas, além da transferência de valores entre as contas das empresas e dos investigados.

A investigação também aponta a existência de um núcleo chamado “Sintonia dos Gravatas”, composto por advogados e operadores ligados à facção, que teriam o papel de intermediar negociações contratuais, atuar em licitações, gerenciar repasses de comissões e disponibilizar contas bancárias e escritórios para reuniões de integrantes do esquema.

“Em síntese, os elementos descritos pela Autoridade Policial procuram demonstrar que a atuação investigada extrapolaria o tráfico de drogas, abrangendo a utilização de empresas de transporte, pessoas interpostas, contratos públicos, articulações políticas e estruturas da área da saúde, além de evidenciar suposta divisão de tarefas e subordinação entre os envolvidos, com atuação coordenada em benefício do PCC”, diz um trecho do documento.

Entenda papel dos investigados

Segundo as autoridades, Milton Leite foi citado nominalmente nas investigações como responsável direto pela operação de algumas das empresas controladas pelo PCC. Também há declarações de policiais militares que apontam o político como dono da empresa de ônibus Transwolf. Já Levi dos Santos Oliveira, da SPTrans, teria se reunido com integrantes do PCC relacionados às empresas de transportes para tratar dos interesses da facção, especialmente após a Operação Fim da Linha.


Quem são os alvos de operação contra o PCC no transporte público

  • André Cassali
  • Carla de Paula Muller
  • Cicero Jose dos Santos Filho
  • Claudionor Aparecido Sabino Tomaz
  • Danilo Marco Morgado Silva
  • Edivania Arruda Botelho Alves
  • Edson Antonio de Souza
  • Eduardo Medeiros
  • José Daniel Satilite
  • José Ronaldo Alves de Sales
  • Julio Salvador Filho
  • Levi dos Santos Oliveira
  • Milton Leite da Silva
  • Milton Mello Milreu
  • Paulo Sirqueira Korek Farias
  • Sergio Luiz Gevaerd de Oliveira

O que dizem os envolvidos

Metrópoles tenta contato com os investigados. Por telefone, Milton Leite negou envolvimento no esquema e afirmou que se apresentará às autoridades dentro de 24 horas. A defesa de Levi dos Santos Oliveira afirmou que foi surpreendida com a notícia da prisão e que aguarda acesso aos autos para adotar as medidas cabíveis.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que a intervenção determinada na empresa Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida para proteger o sistema municipal de transporte. Na mesma ocasião, a administração municipal também determinou a intervenção na UPBus, “mesmo sem qualquer solicitação da Justiça”. A administração municipal diz que sempre agiu com rigor, inclusive encerrando contrato a fim de preservar o interesse público e garantir que a população não fosse prejudicada.

A prefeitura informou, ainda, que abriu processo pela Controladoria-Geral do Município contra as empresas e, desde então, atua em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil no processo investigatório.

Também em nota, a Câmara Municipal de São Paulo disse acompanhar os desdobramentos das investigações promovidas pelo MPSP, em conjunto com a Polícia Civil e o Poder Executivo, e aguarda as conclusões.