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São Paulo

Nunes criminaliza possível greve de ônibus de funcionários da Transwolff

Ao Metrópoles, prefeito de SP, Ricardo Nunes (MDB), disse que possível greve marcada para esta quarta (21/10) é ilegal e tem cunho político

21/10/2026 00:14
Jéssica Bernardo/Metrópoles
foto colorida de ônibus da Transwolff circulam normalmente no dia em que MPSP faz operação da empresa por suspeita de ligação com o PCC; na imagem, ônibus da empresa no Terminal Santo Amaro; Justiça tornou dirigentes da empresa réus - Metrópoles

São Paulo — O prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), classificou como criminosa e de “cunho claramente político” a possibilidade de paralisação de funcionários da empresa de ônibus da Transwolff, convocada para esta quarta-feira (21/10), em protesto a três demissões realizadas pela Prefeitura de São Paulo. O grupo opera as linhas D10 e D11 da zona sul da capital paulista.  Em vídeo, Nunes afirma que já registrou Boletim de Ocorrência (B.O.) contra a paralisação no transporte coletivo e promete medidas judiciais. Veja o vídeo:

O prefeito afirma que a paralisação da circulação de ônibus urbano, realizada sem o apoio do sindicato da categoria e ainda e sem aviso prévio, é crime classificado pelo artigo 262 do Código Penal — que trata atentado contra a segurança de meio de transporte público. De acordo com a Prefeitura de São Paulo, 267 mil passageiros foram afetados na paralisação da segunda-feira (19/10).

“Fizeram uma paralização ontem, dia 19, prejudicando 300 mil pessoas, e não foi o sindicato, não tinha nenhuma legalidade. Argumentaram que pararam porque a prefeitura não estava pagando o FGTS e o INSS, óbvio que isso não justifica parar e prejudicar pessoas inocentes. Era na verdade um movimento político. Os três funcionários que cometeram esse ato criminoso foram demitidos e agora querem parar novamente por causa das demissões que eles deram causa. Cunho claramente político”, complementou o prefeito ao Metrópoles.

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Demissões

Os trabalhadores convocaram a paralisação após a demissão de três funcionários que teriam encabeçado a manifestação de segunda-feira (19/10). O grupo reinvidicava o pagamento do INSS e FGTS e a implementação do plano de saúde, porém, as medidas já estavam em processo de regularização, conforme mostrou a SPTrans em reunião.

“O plano de saúde está em processo licitatório para contratar fornecedor. Os depósitos referentes ao INSS e FGTS estão sendo feitos integralmente pela SPTrans, em juízo, aguardando deliberação do Judiciário. Todos os envolvidos que deixaram de trabalhar durante o ato terão o dia descontado de seus pagamentos”, explicou a gestão municipal em nota ao Metrópoles.

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O Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (SINDMOTORISTAS) afirmou que não foi comunicado sobre eventual paralisação dos trabalhadores da Viação Transwolff.

Leia nota na íntegra:

“O Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (SINDMOTORISTAS) esclarece aos trabalhadores, às empresas e à sociedade que não recebeu nenhuma comunicação oficial sobre eventual paralisação dos trabalhadores da Viação Transwolff.

O Sindicato reafirma seu compromisso com a transparência, o diálogo e a defesa dos direitos e interesses da categoria. Ressaltamos que qualquer situação envolvendo reivindicações trabalhistas, condições de trabalho ou possíveis paralisações deve ser tratada com responsabilidade, priorizando sempre informações corretas e os canais legítimos de negociação.

O SINDMOTORISTAS repudia qualquer ação que contrarie ou prejudique os direitos e interesses da categoria e reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos assegurados aos trabalhadores.

A informação responsável, o respeito aos direitos da categoria e o diálogo são fundamentais para a defesa dos trabalhadores.”

Crise da Transwolff por suspeita de envolvimento com o PCC

A empresa está sob intervenção da prefeitura desde abril de 2024, quando o Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrou a Operação Fim da Linha, que apura a inflitração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público da cidade.

A gestão municipal, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte e da SPTrans, afirma que a greve não atende à legislação que prevê aviso prévio de 72 horas ao público em paralisações no serviço essencial de transporte coletivo público.

A SPTrans, que administra e opera as linhas desde a decretação da caducidade do contrato com a antiga empresa Transwolff, diz que está cumprindo com todos os direitos trabalhistas dos empregados e os pagamentos de salários e benefícios estão todos em dia.

Nunes criminaliza possível greve de ônibus de funcionários da Transwolff