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São Paulo

Ninjas de Guarulhos: mesmo após tiroteio, quadrilha monitora aeroporto

Os chamados "ninjas" são os traficantes que se infiltram na mata, mapeiam o terreno, invadem e introduzem a cocaína no aeroporto

17/08/2026 02:45
Cedido ao Metrópoles
Criminosos mantém vigilância e as atividades no aeroporto de Guarulhos para introduzir cocaína em aviões

Mesmo após o tiroteio nos arredores do Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, ocorrido entre traficantes e agentes da Polícia Federal (PF), em 31 de julho, criminosos têm mantido vigilância e as atividades no maior e mais importante aeroporto do estado de São Paulo para introduzir cocaína em aviões, sejam estes nacionais ou internacionais. A permanência dos chamados “ninjas” (nome dado aos traficantes que se infiltram na mata, mapeiam o terreno, invadem e introduzem dezenas de quilos de cocaína no aeroporto) foi confirmada após a captura de quatro homens em ação deflagrada pela antinarcóticos de Guarulhos.

Os quatro homens foram presos na terça-feira (11/8) e expuseram como os “ninjas” ainda continuam agindo nos arredores do Aeroporto Internacional. Entre os presos estão pessoas residentes da Comunidade do Portugal, localizada no entorno do aeroporto.

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Relatório de investigação, da Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (Dise) de Guarulhos, revela que o grupo manteve o mapeamento das áreas consideradas potencialmente vulneráveis. E fariam, novamente, a introdução das drogas. Contudo, o plano foi frustrado pelos investigadores da antinarcóticos.

O delegado Alexandre Cavalheiro, responsável pela Dise de Guarulhos, afirmou ao Metrópoles que o grupo preso tem ligação direta com os traficantes que participaram do confronto com agentes da PF.

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Naquela ocasião, no dia 31 de julho, cerca de 10 criminosos, com fuzis, trocaram tiros ao terem plano de introduzir as drogas frustrado por agentes federais. Dias depois ao confronto, no início deste mês, três que participaram da empreitada foram presos por policiais federais e da Polícia Militar.

“Policiais desta especializada receberam informação de que que um grupo de criminosos, conhecidos como “ninjas”, iriam introduzir clandestinamente, através do rompimento de grades, entorpecentes no aeroporto internacional de Guarulhos, por dentro da comunidade Jardim Portugal”, explicou.

O plano frustrado dos “ninjas” trouxe revelações importantes para entender dinâmica de uma estruturada quadrilha, com direito a monitoramento das forças de segurança, presença de criminosos fortemente armados e a divisão de tarefas iguais a uma empresa convencional.

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Um dos presos, segundo a polícia, expôs mensagens de um grupo de WhatsApp de como eram decididas as invasões ao aeroporto (imagens acima). Fotos, às quais a reportagem teve acesso, mostram indivíduos fortemente armados e o que cada integrante deveria fazer para a empreitada criminosa.

“Ele [preso] afirmou que pertencia aos “Ninjas”, bem como seus comparsas também capturados, e que pertenciam ao mesmo grupo que trocou tiros com Policiais Federais ao tentar ingressar clandestinamente com grande quantidade de entorpecente no Aeroporto Internacional de Guarulhos”, disse Cavalheiro.

A polícia continua as investigações para compreender a cadeia de pessoas envolvidas no esquema. Até o momento, sete pessoas ligadas aos “Ninjas” foram presas. Contudo, os policiais creem que os criminosos sejam em maior número, já que há fortes indícios do envolvimento direto de pessoas que trabalham no aeroporto.

“Na recente ação, foram apreendidos objetos pertinentes à investigação, como toucas ninja semelhante às utilizadas pelos criminosos envolvidos no tiroteio e veículos usados na nova tentativa”, finalizou o delegado.

Como funciona

Segundo as investigações, o mapeamento das áreas vulneráveis é um dos principais focos dos traficantes. Eles tiram fotos de cada ponto e debatem a melhor estratégia. A partir daí, então, os traficantes cortam as grades de ferro e deixam fardos de entorpecentes que, mais tarde, segundo a polícia, funcionários do aeroporto recolhem e introduzem em aviões que fazem a rota nacional e internacional.

O sistemático método abrange outras táticas do grupo de traficantes, como o acompanhamento de viaturas policiais e rotas para possíveis fugas pela comunidade a qual estão alojados.