Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
São Paulo

"Não adianta alerta se cidadão não fizer sua parte", diz Tarcísio pós-chuva

Após temporal que deixou estragos e uma morte em São Paulo, o governador anunciou, nesta quinta (15/10), pacote de R$ 29 bilhões em ações

15/10/2026 18:27, atualizado 15/10/2026 18:29
Gabrielle Gonçalves/Metrópoles
Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo - Metrópoles

São Paulo — O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse nesta quinta-feira (15/10) que “o cidadão tem um papel fundamental” no enfrentamento às fortes chuvas que atingem a capital do estado, apesar dos impactos das mudanças climáticas e da necessidade de políticas públicas.

“Nada adianta investir em prevenção, nada adianta emitir alerta, nada adianta drenar, nada adianta você botar sistema de sirene, se as pessoas não acreditarem, se o cidadão não fizer a sua parte. Porque esse conjunto envolve todo mundo, envolve o Estado, envolve os municípios, envolve a Defesa Civil, mas envolve o cidadão, ele tem que acreditar”, afirmou Tarcísio, no Palácio dos Bandeirantes, durante um evento com agentes da Defesa Civil.

Em meio ao temporal que atingiu a capital paulista nessa quarta-feira (14/10), uma mulher morreu soterrada. Além disso, foram registrados congestionamentos, desabamentos, motoristas ilhados, caos em estaçõs de metrô, fechamento parcial do Aeroporto de Congonhas e alagamento do Túnel do Anhangabaú.

O governador citou o Vale do Ribeira como exemplo. Após alerta da Defesa Civil sobre o enchimento da barragem, “as pessoas acreditaram”, segundo Tarcísio. “Elas saíram e elas levaram seus pertences para os abrigos, a chuva veio forte, a água subiu muito, subiu mais do que estava previsto, se previa que ela ia subir 9 metros ou 10 metros, ela subiu 14 metros e as pessoas conseguiram salvar suas coisas”, afirmou.

“Ontem nós tivemos essa chuva forte aqui na cidade de São Paulo e a gente vai ter que viver com isso, a gente tem que entender que esse é um problema, que isso vai ser cada vez mais frequente”, disse Tarcísio.

Tarcísio também destacou que a operação São Paulo Sempre Alerta foi antecipada, e em vez de começar em  dezembro está sendo iniciada em outubro. “O que está se prevendo é a severidade das zonas dos efeitos com as chuvas mais potentes, a gente vai ter vários picos de chuva ao longo desse período”, detalhou.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP

Na ocasião, a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Rezende Andrade, afirmou que será investigado o não fechamento do Túnel São João Paulo II, conhecido como Túnel do Anhangabaú, que alagou durante a tempestade dessa quarta. Ela destacou que a estrutura é operada da Prefeitura de São Paulo, sob gestão de Ricardo Nunes (MDB), aliado político de Tarcísio.

Com a chuva, mais de 25 carros e dois ônibus ficaram submersos no local. O governador também disse que o canal deveria ter sido fechado antes da enchente.

“Ontem houve alerta, mas o túnel do Anhangabaú não foi fechado. Tinha que ter sido. Chega uma hora que mesmo que você tenha um sistema de bombeamento, a sua capacidade de suportar é inferior a quantidade de água que está chegando”, avaliou Tarcísio.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

A Prefeitura de São Paulo informa que a cidade registrou, na tarde dessa quarta-feira (14), a média de 10,8 mm de chuva até as 19h, atingindo 9,6% da média mensal de 112 mm. Somente no córrego do Anhangabaú foram acumulados 42 mm em apenas 40 minutos, o que representa 37% dos 112 mm esperados para todo o município em outubro. Houve ainda rajadas de vento e o extravasamento do Córrego do Sapateiro, na Vila Mariana, das 16h30 às 17h.

A Secretaria Municipal de Subprefeituras (SMSUB) registrou 16 chamados para queda de árvores até às 19h. Desses, seis foram finalizados, um seguia em atendimento, oito aguardavam execução e um dependia de atuação da concessionária de energia elétrica para a conclusão dos trabalhos. A Defesa Civil Municipal recebeu, das 7h às 18h30, cinco chamados de desabamento, sendo um na zona leste, dois na zona norte e dois no centro-oeste, além de um deslizamento na zona sul.

Tarcísio anunciou R$ 29 bilhões até 2029

O governo de São Paulo anunciou, nesta quinta, um pacote que prevê R$ 29 bilhões até 2029 para ações de prevenção e combate a desastres climáticos. A estratégia reúne 181 iniciativas que integram o Plano Estadual de Resiliência às Mudanças Climáticas (PEARC).

O plano englobará um Gabinete Especial responsável por criar níveis de alerta para os municípios e a emissão de boletins diários, desenvolvidos pelo Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Defesa Civil. O objetivo é orientar a atuação do poder público diante dos riscos de temporais, ondas de calor, estiagens e incêndios florestais.

As regiões serão classificadas em quatro níveis operacionais: verde (observação), amarelo (atenção), laranja (alerta) e vermelho (emergência).

Além de do governador Tarcísio de Freitas e da secretária Natália Rezende, o evento de anúncio reuniu o secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, e o chefe da Casa Militar e da Casa Civil, Coronel PM Rinaldo de Araújo Monteiro. O presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) e senador eleito, André do Prado (PL), também participou da agenda.

De acordo com o governo, dos R$ 29 bilhões anunciados, R$ 1 bilhão será usado na construção de piscinões; R$ 1,7 bilhão, no desassoreamento de rios e córregos; e R$ 9,7 bilhões, na estruturação de uma Parceria Público-Privada (PPP) para desassoreamento contínuo, retirada de resíduos, manutenção de barragens e conservação de margens de 182,9 km do Rio Tietê e 27,6 km do Rio Pinheiros. Também foram anunciadas ações para climatização de salas de aula e reforço de vacinas e medicamentos.