Vereador pede que MPSP apure evento de R$ 5 milhões no Anhangabaú
A Prefeitura de São Paulo contratou a empresa Now Sports por R$ 5 milhões, com dispensa de licitação, para o evento Fan Zone Anhangabaú

O vereador Nabil Bonduki (PT) acionou o Ministério Público de São Paulo (MPSP) para pedir uma investigação sobre supostas irregularidades na organização do Fan Zone Anhangabaú, evento no centro de São Paulo com shows e transmissões de jogos da Copa do Mundo deste ano. Para a ocasião, a Prefeitura de São Paulo, por intermédio da Secretaria Municipal de Turismo, contratou a empresa Now Sports por R$ 5 milhões com dispensa de licitação.
“A situação se torna mais sensível porque o evento ocorreu no Vale do Anhangabaú, espaço público concedido à iniciativa privada. Parte do orçamento previsto no plano de trabalho foi destinado justamente ao pagamento à concessionária pelo uso do espaço público”, destacou o termo, que solicita a instauração de inquérito civil.
Segundo a notícia de fato, apresentada nessa quinta-feira (16/7), o contrato foi assinado pela gestão de Ricardo Nunes (MDB) apenas dois dias antes do início do evento, o que sugere que a montagem da estrutura pode ter começado antes da formalização legal. A justificativa para a escolha da empresa, baseada em um licenciamento da CazéTV (detentora dos direitos de exibição da Copa), é questionada por falta de provas de que apenas a Now Sports poderia realizar o acordo.
Embora o plano de trabalho indicasse que o evento seria totalmente custeado por recursos públicos, a empresa Binance atuou como patrocinadora, com ativações comerciais e captação de clientes. De acordo com o pedido de apuração, há suspeita de que a Now Sports tenha lucrado com patrocínios privados em uma estrutura paga inteiramente pelos cofres públicos, sem repassar os valores ao município.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP“Há, pela análise do Termo de Patrocínio e do plano de trabalho aprovado, fortes indícios de que a prefeitura suportou a integralidade dos custos e não recebeu qualquer espécie de contrapartida correspondente ao patrocínio da empresa”, evidenciou o documento.
O evento destinou R$ 700 mil à “locação do Vale do Anhangabaú” para a concessionária Viva o Vale. “Trata-se de pagamento expressivo para utilização de espaço público concedido, equivalente a 14% do total do projeto”, apontou Nabil ao MPSP.
“É necessário esclarecer a área ocupada, o número de dias cobrados, a tarifa contratual, os serviços efetivamente incluídos, o fundamento no contrato de concessão, a eventual existência de descontos para eventos de interesse público e as receitas obtidas pela concessionária com alimentação, bebidas, expositores, ativações, cessão de áreas e demais explorações comerciais”, destacou o vereador.
Nabil pede que o MPSP investigue se o município pagou à concessionária pela ocupação de espaço público. Apesar de o projeto inicialmente prever a presença de cerca de 500 mil pessoas, registros feitos pelo próprio vereador mostraram o evento esvaziado na maioria dos dias.
O texto ainda apontou que o Fan Zone Anhangabaú exigiu dados pessoais excessivos dos cidadãos, possivelmente violando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), inclusive para pessoas entre 11 e 17 anos.
Procurada pelo Metrópoles, a Prefeitura de São Paulo não se pronunciou sobre o assunto, até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.



