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São Paulo

MPF pede absolvição de empresário ligado a fábrica de fuzis do CV em SP

Procuradoria afirmou não ter provas suficientes de que empresário agiu de forma dolosa ao fornecer estrutura para CV produzir fuzis

01/10/2026 12:37
Arte Alfredo Henrique/Metrópoles
Arte gráfica com dois fuzis com efeito de transparência sore projeto de arma e munições de fuzil - Metrópoles

O Ministério Público Federal (MPF) pediu a absolvição de um empresário do ramo de usinagem usado pelo Comando Vermelho (CV) para a fabricação de fuzis no estado de São Paulo. A procuradoria considerou que não há elementos suficientes para comprovar o envolvimento doloso de Wendel dos Santos Bastos na organização criminosa.

Bastos atua no ramo de usinagem há mais de 20 anos e tem residência fixa e vínculos familiares em Americana, no interior de São Paulo, segundo a defesa. Ele era o gestor e responsável pelo galpão industrial e parque fabril de usinagem localizado em Santa Bárbara d’Oeste, também no interior paulista, e foi investigado no âmbito da Operação Forja.

O imóvel e os maquinários de Santa Bárbara d’Oeste foram arrendados para a empresa de fachada Kondor Fly Parts e utilizados pela organização criminosa liderada por Silas Diniz Carvalho, apontado como articulador do CV, para a montagem de uma fábrica clandestina de fuzis, segundo a investigação.

O MPF chegou a pedir a prisão preventiva de Bastos, mas a Justiça Federal negou o pedido considerando a primariedade, os bons antecedentes, a residência fixa e os vínculos familiares do empresário.

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Mais tarde, a procuradoria deixou de insistir na reclusão do investigado e, após as alegações finais, representou pela absolvição dele, conforme manifestação dessa segunda-feira (28/9).

Em relação aos demais acusados, o MPF manteve o pedido de condenação e a permanência da prisão preventiva. Sete envolvidos estão presos.


CV criou estrutura para fabricar fuzis e pistolas Glock em SP

  • Integrantes do CV migraram a estrutura que fabricava fuzis e outras armas em Belo Horizonte, Minas Gerais, desmantelada após a Operação Wardogs, em 2023, para o interior de SP.
  • O esquema era chefiado por Silas Diniz Carvalho, o Gordão ou Mikhail. Ele coordenava a instalação da fábrica, a validação de maquinários e a contratação de pessoal, mesmo custodiado no Complexo Penitenciário de Gericinó, no Rio de Janeiro.
  • A principal linha de produção foi instalada em Santa Bárbara d’Oeste, no galpão da empresa Kondor Fly Parts Indústria e Comércio de Peças Aeronáuticas Ltda., pertencente a Gabriel Carvalho Belchior, atualmente foragido nos Estados Unidos.
  • A operação funcionava sob a máscara de produção de peças para aviação. Os operadores utilizavam centros de usinagem de Controle Numérico Computadorizado (CNC), tornos digitais e fresadoras de alta precisão.
  • O grupo também usava softwares industriais para desenhar e usinar componentes de fuzis da plataforma AR (AR-15, M4, M16) e HK G3, além de projetos para pistolas Glock. Com a técnica de engenharia reversa, eles copiavam peças originais sem necessidade de plantas oficiais.
  • A quadrilha comprava materiais de fornecedores em Campinas e região, usando CNPJs de terceiros para ocultar o destino real, e mantinha rotas de importação de kits e componentes de fuzis dos Estados Unidos, como peças do HK G3, compradas online e enviadas via encomendas postais.
  • Para escoar o material até o Rio de Janeiro, a quadrilha utilizava motoristas chamados de “mulas técnicas”, que viajavam de madrugada em carros alugados ou de terceiros.
  • As armas eram desmontadas em lotes pequenos e transportadas de maneira oculta em caixas de ferramentas, mochilas ou sacolas para dificultar o flagrante nas rodovias. Quando chegavam ao Rio, o armamento abastecia favelas dominadas pelo CV, como o Complexo do Alemão e a Rocinha.
  • Segundo a Polícia Federal (PF), o grupo fabricava até 10 fuzis por dia, que eram comercializados no mercado ilegal por valores entre R$ 8 mil e R$ 18 mil.

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Defesa de empresário busca absolvição integral

A defesa de Wendel dos Santos Bastos afirmou que ainda deve apresentar as alegações finais à Justiça, confiando “no exame técnico e sereno do Poder Judiciário e no consequente desfecho de absolvição integral dos crimes atribuídos, evitando a responsabilização indevida de pessoa desvinculada de qualquer ilícito”.

O advogado Dinael de Souza Machado Júnior, afirmou acompanhar o caso desde o início “de maneira próxima, técnica e diligente, reiterando que sempre sustentou a inocência de seu cliente”.

“Ao longo de toda a tramitação do processo criminal, foram adotadas diversas medidas fundamentais para resguardar as garantias de Wendel, afastando com êxito requerimentos que visavam à decretação de sua prisão preventiva e, posteriormente, à imposição de monitoramento eletrônico”, disse a defesa.

Machado Júnior destacou ainda que “o recente pronunciamento do Ministério Público Federal está em sintonia com absolutamente todos os elementos de prova produzidos nos autos”.