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Motorista de Haddad dá depoimento à polícia e versão diverge da SSP

Há uma diferença de 43 minutos em um trecho do relato do motorista, em relação à cronologia das imagens divulgadas pela SSP

17/08/2026 21:07, atualizado 17/08/2026 21:42
Foto: Washington Costa/MF
Imagem colorida de Fernando Haddad (PT). Metrópoles

O motorista da campanha de Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, deu depoimento à Polícia Civil nesta segunda-feira (17/8) a respeito da suposta abordagem que ele teria sofrido na última semana. O relato foi colhido na 2ª Delegacia Seccional, na zona sul da capital paulista.

Metrópoles teve acesso a informações do depoimento e apurou que uma parte da versão do motorista diverge da cronologia das imagens de câmeras de segurança divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública (SSP).

Segundo o relato do motorista à polícia, após deixar Haddad em casa depois de um evento na Faculdade de Direito da USP na última terça-feira (11/8), ele teria decidido se dirigir a um hotel na Rua Joinville, no bairro Vila Mariana, zona sul da capital, por volta das 21h58, estranhando o que, àquela altura, teria sido o segundo contato de uma viatura da Polícia Militar (PM) com o veículo dele. O motivo da escolha do local teria sido justamente a presença de câmeras de segurança.

Ainda de acordo com o motorista, já estacionado no local, outra viatura da PM teria se aproximado mais uma vez do veículo e o ultrapassado. Os agentes teriam, então, parado a viatura à frente e desembarcado. Três dos PMs teriam ficado de pé na calçada, e um deles teria ordenado: “vaza”.

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É nesse momento que ele teria estabelecido contato com outra pessoa via WhatsApp (veja a troca de mensagens no final da matéria), relatando o comportamento considerado estranho das viaturas e afirmando que se sentia “monitorado”.

O motorista prossegue o depoimento, afirmando que deixou a Rua Joinville por volta das 23h09, seguindo para sua casa. Não teria havido nenhum outro contato com viaturas da PM.

Divergência com cronologia da SSP

Conforme noticiado pelo Metrópoles anteriormente, as imagens divulgadas pela SSP mostram o carro do motorista de Haddad estacionado em frente ao hotel da Rua Joinville, às 21h58, segundo o registro do equipamento de um condomínio residencial.

Às 22h24, é possível ver uma viatura passando lentamente pelo carro, sem parar. Dois minutos depois, às 22h26, o veículo do motorista deixa o local. É nesse momento que as versões apresentadas pelo motorista e pela SSP divergem: no depoimento, ele afirma ter deixado a Rua Joinville apenas por volta das 23h09, 43 minutos depois do horário registrado na imagem divulgada pela SSP.

A pasta também afirma que a viatura não parou. Já o profissional da equipe de Haddad disse, no depoimento, que a polícia estacionou alguns metros à frente. Ainda segundo a gestão estadual, mais de 70 câmeras foram analisadas.

O depoimento do motorista à Polícia Civil também diverge de um relato anterior dele mesmo. Anteriormente, ele afirmou que, durante o período em que esteve estacionado na Rua Joinville, teria ido até os policiais para perguntar sobre o acompanhamento, momento em que o teriam mandado “vazar”. Segundo o novo depoimento, o “vaza” teria sido ouvido por ele dentro do veículo, não fora.

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Haddad vê “inconsistência grave” em investigação

Também nesta segunda-feira, o candidato petista declarou que há uma “inconsistência grave” no caso envolvendo a suposta abordagem da PM relatada pelo motorista dele, e que as imagens certas que devem ser analisadas para esclarecer o ocorrido.

“Você pode investigar cem câmeras, mil câmeras. Nós estamos levando para o delegado quais as câmeras estão no local, estão instaladas e poderiam comprovar a narrativa do motorista. Agora, se eu pegar uma câmera daqui, eu vou resolver que problema? Eu tenho que pegar a imagem certa. Porque aquela câmera não desmente que a viatura parou, você não vê o que acontece com a viatura depois”, afirmou Haddad.

Segundo o ex-ministro da Fazenda, há uma “inversão dos fatos”, já que o funcionário da campanha foi chamado para prestar depoimento na delegacia nesta segunda-feira, quase uma semana após o episódio.

“Falsa comunicação de crime”, diz Tarcísio

No último domingo (16/8), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse que a análise das imagens indicam que houve uma falsa comunicação de crime no caso.

“A gente está apurando isso com a maior responsabilidade do mundo porque se houvesse algum problema, algum desvio de conduta, a gente ia punir severamente. Mas tudo está mostrando que não houve absolutamente nada e se trata, no final das contas, de uma falsa comunicação”, disse o governador.

“Aquela viatura que passa na rua dele, logo na sequência ela vai para o estacionamento do batalhão. A outra viatura, quando ele está parado no hotel, passa do lado, não para, não aborda”, acrescentou Tarcísio, alegando que o GPS dos carros também foi analisado.

Ainda segundo Tarcísio, a viatura que passou pelo hotel logo depois teria se juntado a outro carro da polícia para fazer patrulhamento em outra rua.

Caso a polícia conclua que houve falsa comunicação de crime, o motorista poderá ser responsabilizado. A pena prevista a quem comunica a ocorrência de um crime ou uma contravenção sabendo que ela não aconteceu varia de um a seis meses de detenção ou multa, segundo o Código Penal.

Mensagens do motorista

Mensagens enviadas pelo motorista da campanha de Haddad mostram o relato feito pelo profissional no momento em que, supostamente, ele estava sendo seguido pela PM. O conteúdo da troca de conversa foi obtido pelos colunistas Ramiro Brites e Vinícius Passarelli, do Metrópoles.

“Não quero deixar vocês preocupados e nem quero esticar esse assunto até o chefe. Mas fui seguido por uma viatura da PM”, disse.

A mensagem foi enviada cerca de uma hora depois que o motorista deixou Haddad em sua residência, no Planalto Paulista, zona sul de São Paulo, após o petista participar de uma aula magna na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. O profissional avisou o advogado às 21h48: “Em casa, tudo certo”.

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