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São Paulo

Marginal Tietê tem mais roubos de celular que 96% das cidades de SP.

Marginal Tietê teve mais de 200 roubos de celular registrados no 1º semestre, número supera o de 96% das cidades do estado de São Paulo

26/08/2026 02:00
William Cardoso/Metrópoles
Imagem mostra trânsito em São Paulo - Metrópoles

A Marginal Tietê teve ao menos 207 registros de roubos de celular no primeiro semestre deste ano, um número de ocorrências maior do que em 621 cidades do estado de São Paulo no mesmo período. Como comparação, a via que atravessa a capital paulista teve mais crimes dessa natureza que cidades como São José dos Campos (165) e São José do Rio Preto (137).

Na última semana, ganhou destaque um vídeo que mostra pessoas em atitude suspeita na altura da Ponte Júlio de Mesquita Neto, na Barra Funda. Eles seriam integrantes da “Gangue da Bananeira”, por usarem a planta como esconderijo, antes de atacarem as vítimas de olho principalmente em celulares. Assim como em boa parte da marginal, os congestionamentos e a lentidão no trânsito são frequentes na região, até mesmo fora dos horários de pico.

No levantamento feito pela reportagem, há duas ocorrências no primeiro semestre em trechos relativamente próximos ao local de atuação da gangue.

Os dados mostram que lugares com grande incidência de roubos de celular estão na margem oposta à bananeira (que foi cortada) e, em alguns casos, ficam a mais de 10 km de distância do local. Nas proximidades da Vila Guilherme, por exemplo, onde a marginal se chama Avenida Morvan Dias de Figueiredo, foram 22 casos.

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Outro nome pelo qual é conhecido um trecho da marginal, a Avenida Otaviano Alves de Lima teve 26 registros de roubos de celular, mas espalhados por diversos bairros, ao longo de 7 km.

Para chegar até os números, a reportagem usou os registros que incluem a Marginal Tietê em seus mais variados nomes, além de seus acessos. Foram desconsideradas as ocorrências em duplicidade (quando coincidiam nome de delegacia, ano e número de BO). Foram contabilizados apenas roubos, quando há violência contra a vítima. Entraram na conta os crimes ocorridos e registrados em 2026.

Casos fossem considerados também os furtos de celular (quando não há violência contra a vítima), seriam ao menos mais 420 crimes em seis meses. Em boa parte dos casos envolvendo esse tipo de crime, entretanto, a vítima pode não ter certeza sobre o local onde foi praticado (percebe apenas ao chegar em casa, por exemplo).

Vale ressaltar que especialistas em segurança pública apontam que existe uma grande subnotificação no que diz respeito aos roubos de celular. Ou seja, nem todo crime vira, de fato, um boletim de ocorrência, o que afeta diretamente os números apresentados pelas estatísticas oficiais.

Marginal Tietê tem mais roubos de celular que 96% das cidades de SP - destaque galeria
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Marginal Tietê na altura da Ponte Júlio de Mesquita Neto
Marginal Tietê na altura da Ponte das Bandeiras
Imagem mostra local onde havia bananeira
Imagem mostra vidro de veículo quebrado
Imagem mostra fio enrolado
Vidro de veículo quebrado
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Vidro de veículo quebrado

William Cardoso/Metrópoles
Marginal Tietê na altura da Ponte Júlio de Mesquita Neto
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Marginal Tietê na altura da Ponte Júlio de Mesquita Neto

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Marginal Tietê na altura da Ponte das Bandeiras
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Marginal Tietê na altura da Ponte das Bandeiras

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Imagem mostra local onde havia bananeira
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Imagem mostra local onde havia bananeira

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Imagem mostra vidro de veículo quebrado
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Imagem mostra vidro de veículo quebrado

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Imagem mostra fio enrolado
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Imagem mostra fio enrolado

William Cardoso/Metrópoles

E a bananeira?

Dados coletados de um radar da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mostram que ao menos 74 mil veículos passam diariamente pelas “pistas da bananeira”, nas proximidades da Ponte Júlio de Mesquita Neto, em direção à Rodovia Ayrton Senna. Ou seja, um volume médio maior do que a frota e a própria população da maioria absoluta das cidades interioranas.

Para além dos números, o que se vê ao redor do local onde se escondia a gangue é um terreno baldio cortado por algumas pequenas trilhas, com árvores e matagal, restos de marmitas de isopor, cabos e fios soltos ou já enrolados para serem levados embora. Dois vidros estilhaçados de janelas de veículos estavam jogados na calçada nesta última terça-feira (25/8), servindo de indícios dos crimes que costumam acontecer por lá.

Em conversa com a reportagem, um reciclador que vive em situação de rua nas proximidades contou que ele e o grupo do qual faz parte trataram de dar um fim na bananeira, porque estavam com medo de ser associados aos crimes na região.

“Nós cortamos a bananeira que os moleques ficavam se escondendo atrás e correndo pra mata. Porque os policiais acham que somos nós, mas não somos nós. Eles estão roubando, ninguém está gostando e está sobrando pra nós”, disse.

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O reciclador também disse que a gangue é formada por oito ou nove menores de idade, que vivem em favela nas proximidades. Relatou também que lideranças da própria comunidade teriam dito que eles não deveriam mais roubar naquele ponto, determinação que foi descumprida. Embora os crimes não tenham cessado completamente, a situação melhorou após o corte da bananeira. Isso ao menos naquele lugar específico.

O que diz a SSP

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirma que as Polícias Civil e Militar atuam de forma integrada no combate aos crimes patrimoniais em toda a capital paulista, incluindo a região da Marginal Tietê.

“Nas áreas abrangidas pela 1ª, 3ª, 4ª e 5ª Delegacias Seccionais, os roubos de celulares apresentaram redução de 13% no primeiro semestre deste ano, em comparação com os seis primeiros meses de 2025. Os indicadores de roubos em geral apresentaram queda de 11,5% e os de furtos caíram 4,1%, no mesmo período. As ações policiais resultaram ainda na detenção de 10.606 infratores e na apreensão de 503 armas de fogo nessas regiões.

Não foram localizados registros de ocorrências na localização citada pela reportagem (proximidades da Ponte Julio de Mesquita Neto, a “área da bananeira”). “As imagens apresentadas foram analisadas e o Centro de Inteligência Policial das Seccionais reorientou o planejamento de operações na região, visando identificar os envolvidos e esclarecer os fatos”, diz.

Segundo a SSP, o enfrentamento aos roubos e furtos de celulares segue intensificado em toda a capital por meio de operações de inteligência, investigação e policiamento ostensivo, com foco na identificação de autores, recuperação de aparelhos e combate aos receptadores.

A secretaria afirma que os dados de roubos de celulares caíram 6,8% na cidade de São Paulo, no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2025.

Desde 2023, mais de 85,2 mil celulares foram recuperados em todo o estado por meio do conjunto de ações de combate a esses crimes, incluindo o programa SP Mobile, que auxilia na localização e devolução de aparelhos roubados ou furtados. Em uma das ações recentes, na área da 4ª Seccional (Norte), a Polícia Civil identificou e indiciou um suspeito por roubos de celulares mediante quebra de vidros de veículos parados no trânsito, após reconhecimento por vítimas e testemunhas.