Mackenzie proíbe atos políticos após alunos convocarem assembleia pró-Lula
Mackenzie divulgou comunicado de proibição na terça-feira (6/10), após convocação de uma assembleia pelo coletivo "Mack com Lula"
08/10/2026 15:16

A Universidade Presbiteriana Mackenzie proibiu a realização de atos políticos dentro da instituição em um comunicado divulgado na última terça-feira (6/10). A decisão aconteceu após alunos do coletivo “Mack com Lula” convocarem uma assembleia no campus do Higienópolis, no centro de São Paulo.
No comunicado aos alunos, a reitoria do Mackenzie afirma ter tomado conhecimento por meio das redes sociais de “distintos eventos político-partidários dentro das instalações do nosso campus”. A instituição afirma que essas manifestações foram convocadas sem seu conhecimento prévio ou autorização.
A proibição, segundo a universidade, “pretende zelar pela segurança e bem-estar de todos” após receberem preocupações manifestadas por membros da comunidade acadêmica. O documento é assinado pelo reitor, Marco Tullio de Castro Vasconcelos.
O comunicado acontece logo após distintas manifestações políticas de alunos da instituição: na terça (6/10), o coletivo estudantil “Mack com Lula” convocou uma assembleia do comitê no Bosque da Fau, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da universidade, localizada no campus do Higienopólis, para discussão de um calendário de ações “dentro e fura dos muros da institução para disputar cada voto”, diante do resultado do primeiro turno das eleições no último domingo (4/10).
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPNo mesmo dia, um grupo de WhatsApp intitulado “Caça aos Comunistas” iniciou uma articulação contrária às ações do coletivo, que reúne cerca de 20 pessoas. Na descrição, os integrantes convocam a participação no ato marcado para a noite dessa quinta-feira (8/10) encabeçada pelo “Mack com Lula”.
“A gente vai colar no mesmo horário para não deixar o espaço só para eles e fazer o nosso contraponto contra o governo e o comunismo”, como consta na descrição do grupo.
O ato em questão acontece próximo a universidade, mas fora de suas dependências, na Rua Maria Antônia, na Consolação. Nas redes sociais, o coletivo estudantil pró-Lula convoca os estudantes “em defesa do nosso futuro e da nossa democracia”.

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Ver todasA rua escolhida foi onde, em outubro de 1968, alunos do Mackenzie apoiados pelo Comando de Caça aos Comunistas (CCC), grupo de extrema-direita que atuava na ditadura militar brasileira, entraram em confronto com estudantes da Universidade de São Paulo (USP), terminando com um morto e diversos feridos.
Em nota ao Metrópoles, Matheus das Neves, estudante de Direito e diretor da União Nacional dos Estudantes (UNE) e do Diretório Central dos Estudantes Rubens Paiva, o DCE do Mackenzie, afirmou que a decisão da universidade causou profunda estranheza e indignação.
“Em desagravo às ameaças feitas contra nossa mobilização promovidas por um pequeno grupo de estudantes que se denominam CCC – Comando de Caça dos Comunistas, que não representam essa Universidade, convocamos uma manifestação na histórica Rua Maria Antônia, para reafirmar a verdadeira vocação democrática e combativa dos mackenzistas, inspirados no legado dos egressos Rubens e Eunice Paiva, e manifestar nosso apoio irrestrito à reeleição do presidente Lula”, disse.
Mackenzistas na USP
Na manhã desta quinta-feira (8/10), um grupo de estudantes esteve na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP colando cartazes pelo local em apoio ao candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), e imagens de Jesus Cristo.
Um dos presentes é Benjamin Pontes, estudante de direito na Universidade Mackenzie, que conta com mais de 970 mil seguidores no Instagram. Em seus storys, ele afirmou que é um “absurdo o DCE do Mackenzie apoiar a porcaria do protesto do Mack Lula hoje”.









