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São Paulo

Governo Lula anuncia proibição de bets no Brasil a 9 dias da eleição

Presidente assinou medida provisória que proíbe atuação das bets no Brasil durante agenda oficial, nesta sexta-feira (25/9), em São Paulo

25/09/2026 18:31, atualizado 25/09/2026 19:39
Rebeca Ligabue/Metrópoles
Imagens coloridas mostram o presidente Lula em bandada ao lado de ministros falando sobre proibição das bets no país

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou, na tarde desta sexta-feira (25/9), em São Paulo, uma medida provisória para acabar com as bets no Brasil. A ofensiva ocorre a nove dias do primeiro turno das eleições de 2026.

Na apresentação da MP, Lula estava acompanhado do ministro da Fazenda, Dario Durigan, que detalhou as novas diretrizes.

“A partir de hoje não se pode colocar mais dinheiro nos sites de apostas do país. Os sites ficarão disponíveis para as pessoas, para os apostadores, fazerem o resgate do saldo remanescente até as 23h59 do dia 5 de outubro”, afirmou. No dia seguinte, 6 de outubro, as plataformas saem do ar.

Será responsabilidade dos bancos fazer a devolução, entre os dias 9 e 14 de outubro, do dinheiro para os apostadores que perderam a data limite.

Acompanhe:

A MP será publicada ainda nesta sexta, em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).

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Confira o cronograma

  • 25/9: publicação da MP que proíbe novos apostas nas plataformas.
  • 5/10, até 23h59: prazo para retirada voluntária dos valores pelos apostadores.
  • 6/10, 0h: retirada de sites e plataformas do ar. Bets não podem mais oferecer apostas nem publicidade.
  • 7/10 e 8/10: as bets devem informar às instituições financeiras os saldos remanescentes, por CPF dos apostadores.
  • De 9 a 14/10: prazo para devolução dos saldos aos apostadores pelos bancos.
  • A partir de 14/10: caso os bancos não consigam devolver os valores, a Caixa Econômica Federal providenciará a devolução aos apostadores.
  • Saldos que permanecerem após 180 dias: valores não movimentados serão direcionados para a conta da Caixa Econômica Federal.

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A MP também atinge publicidades. As bets terão até 23h59 de segunda-feira, 5 de outubro, para retirada de todas as peças e ações de publicidade, propaganda e marketing tanto em meios físicos como digitais. O mesmo prazo será dado para a retirada de marcas oriundas de contratos de patrocínio.

O governo reforçará a remoção de sites ilegais e as investigações das movimentações financeiras com uma força-tarefa de vários órgãos de governo reforçará a fiscalização, além de uma integração de forças e compartilhamento de informações estratégicas e reforço de estrutura do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Polícia Federal.

Além da MP, foi anunciado um projeto de lei para repressão ao jogos de azar no país e um nova versão do programa Desenrola (Desenrola 3.0), contra o endividamento e para reestruturação de crédito.

Depois do anúncio, Lula reforçou a importância da ação para o Brasil. “A sociedade ficou absolutamente desprotegida. Esse país trouxe o cassino para dentro de casa. O cassino está na cozinha, está na sala, está com o idoso, está com a criança. É preciso ter um controle”, disse. “Isso [apostas] é como um câncer. Ou a gente tira o tumor, ou esse tumor vai matar a gente.”

Entenda a polêmica

O assunto tem gerado enorme repercussão na sociedade brasileira, principalmente no meio esportivo.

Nos últimos dias, diversos clubes da primeira divisão do futebol nacional, como Palmeiras, Santos, São Paulo, Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco e Cruzeiro, se manifestaram repudiando a medida em conjunto com a Federação Paulista e Carioca de Futebol, e afirmaram que isso poderia ser “o fim do futebol brasileiro”.

Além dos clubes, o principal adversário de Lula nas eleições, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) disse que a MP é “hipócrita, eleitoreira e populista”. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro também afirmou que o petista é “o pai do Tigrinho”, se referindo a uma plataforma de cassino digital.

Flávio deu essa declaração a jornalistas presentes após participar da cerimônia do curso de formação de praças da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.