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São Paulo

Líder da Favela do Moinho tem liberdade provisória após mais de 1 ano presa

Alessandra Moja teve prisão preventiva substituída por medidas cautelares. Segundo investigação, ela cumpria ordens do irmão Leo do Moinho

29/10/2026 15:25, atualizado 29/10/2026 16:05
Reprodução/Redes Sociais
líder favela moinho alessandra moja liberdade provisória

São Paulo — O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) concedeu liberdade provisória a Alessandra Moja, líder da Favela do Moinho, no centro da capital paulista, presa desde 8 de setembro de 2025 por suspeita de cumprir e defender ordens do irmão, o traficante Leo do Moinho, integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A decisão da 1ª Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores publicada na última terça-feira (27/10) substituiu a prisão preventiva de Alessandra pelo cumprimento de medidas cautelares, considerando que ela é mãe de uma adolescente e um filho com Transtorno do Espectro Autista (TEA), necessitando de cuidados específicos.

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A presidente da Associação da Comunidade do Moinho, Alessandra Moja Cunha
Alessandra recebeu liberdade provisória nessa semana
Alessandra Moja, irmã de Leonardo Moja, conhecido como Leo do Moinho
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Alessandra Moja, irmã de Leonardo Moja, conhecido como Leo do Moinho

Reprodução
A presidente da Associação da Comunidade do Moinho, Alessandra Moja Cunha
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A presidente da Associação da Comunidade do Moinho, Alessandra Moja Cunha

Alessandra recebeu liberdade provisória nessa semana
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Alessandra recebeu liberdade provisória nessa semana

Reprodução/Redes Sociais

“Tais circunstâncias, consideradas em conjunto com o efetivo e integral cumprimento de pena anterior, mas principalmente por questões humanitárias relacionadas à prole da acusada, reclamam neste momento a substituição da prisão por medidas cautelares diversas que permitam à mesma responder ao processo e, ao mesmo tempo, cuidar e apoiar seus filhos”, segundo consta na decisão.

As medidas cautelares impõem que Alessandra Moja está proibida de se ausentar da comarca onde reside sem autorização judicial prévia; deve comparecer na Justiça a cada dois meses e está proibida de se aproximar da região central da capital paulista.

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A defesa de Alessandra, que foi feita pro bono pelo IDDD (Instituto de Defesa do Direito de Defesa), pelo Projeto Ale Szafir do Toron Advogados e pelo escritório Tofic Advogados, afirma que “a prisão de Alessandra é fruto de interesses políticos para calar uma líder comunitária que foi responsável por articular junto com os órgãos oficiais e a população do Moinho um acordo de reassentamento chave-a-chave a todos os moradores. Anunciada no debate eleitoral como “traficante”, Alessandra provará sua inocência”.

A prisão

Alessandra Moja Cunha foi presa em setembro de 2025 no âmbito da Operação Sharpe, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), da Polícia Militar (PM) e Civil. Ela é irmã do traficante Leo do Moinho, apontado como uma das lideranças do PCC no centro de São Paulo.

A mulher foi presa junto a outras seis pessoas. De acordo com a polícia, ela se apresentava como líder comunitária mas agia para cumprir ordens e defender interesses do irmão, que, segundo as investigações, coordenava um quartel-general na Favela do Moinho.

Leo do Moinho foi preso em 2024 e acumula penas de 8 anos e 7 meses por integrar o PCC e participar do tráfico de drogas na região, além de 16 anos e 9 meses por participação na morte de um usuário de drogas que foi esfaqueado, desovado e queimado na favela.

A defesa da líder comunitária afirma que sua prisão foi política, amparada em laços familiares para sustentar vínculos delitivos e que não foram apontados quaisquer vítimas ou episódios de coerção de moradores, apontando que ela também foi torturada e teve provas forjadas contra si.

Disputa pela Favela do Moinho

A Favela do Moinho, localizada no centro da capital paulista, é palco de disputas entre diversas frentes, principalmente entre o governo de São Paulo, de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o governo federal, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O governador paulista deu início à demolição da favela em abril de 2025, intensificando os embates entre a PM e os moradores. Por conta disso, os dois governos chegaram em um acordo para oferecer imóveis totalmente subsidiados de até R$ 250 mil para cerca de 850 famílias que vivam no local.

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A área ocupada pela Favela do Moinho será preenchida com a implantação do Parque do Moinho
A residência de Manuel era uma das duas últimas casas inteiras no terreno, que está repleto de entulho
As famílias que moravam no local receberam atendimento individualizado e puderam escolher entre diferentes alternativas de moradia
Morador do local há pelo menos 20 anos, o porteiro Manuel Severino Silva dos Santos, de 53 anos, realizou a mudança nesta terça-feira (15/9)
A saída marca o fim da desocupação da comunidade
A saída marca o fim da desocupação da comunidade, em decorrência de um plano de transformação urbana na região.
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A saída marca o fim da desocupação da comunidade, em decorrência de um plano de transformação urbana na região.

Divulgação/CDHU
A área ocupada pela Favela do Moinho será preenchida com a implantação do Parque do Moinho
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A área ocupada pela Favela do Moinho será preenchida com a implantação do Parque do Moinho

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A residência de Manuel era uma das duas últimas casas inteiras no terreno, que está repleto de entulho
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A residência de Manuel era uma das duas últimas casas inteiras no terreno, que está repleto de entulho

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As famílias que moravam no local receberam atendimento individualizado e puderam escolher entre diferentes alternativas de moradia
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As famílias que moravam no local receberam atendimento individualizado e puderam escolher entre diferentes alternativas de moradia

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Morador do local há pelo menos 20 anos, o porteiro Manuel Severino Silva dos Santos, de 53 anos, realizou a mudança nesta terça-feira (15/9)
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Morador do local há pelo menos 20 anos, o porteiro Manuel Severino Silva dos Santos, de 53 anos, realizou a mudança nesta terça-feira (15/9)

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A saída marca o fim da desocupação da comunidade
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A saída marca o fim da desocupação da comunidade

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Lula, porém, afirmou que o subsídio só seria possível devido a uma costura feita pelo governo federal para liberar verba ao projeto existente e criticou a atuação truculenta da polícia na comunidade. Já Tarcísio de Freitas criticou uma suposta demora e burocracia da liberação desta verba e chegou a dizer que daria continuidade ao projeto sem ajuda externa.

Como era a proposta de Tarcísio no começo:

  • As famílias poderiam escolher imóveis novos ou usados, na região central ou em outros municípios, por meio de cartas de crédito da CDHU.
  • O valor máximo era de R$ 250 mil para unidades no centro e R$ 200 mil para outras localidades.
  • O governo oferecia R$ 2.400 para a mudança e auxílio-moradia mensal de R$ 800, mas os apartamentos seriam pagos pelos moradores, com financiamento equivalente a 20% da renda familiar.

Parte dos moradores, porém, afirmou ao Metrópoles que não teria condições de arcar com as parcelas.

Como ficou o projeto acordado pelo governo federal:

  • O projeto oficial passou a prever imóveis de até R$ 250 mil, com subsídios de até R$ 180,5 mil do Governo Federal e R$ 70 mil do estado.
  • As famílias podem escolher imóveis novos ou usados em qualquer município, com o pagamento feito diretamente ao vendedor.
  • Para quem optar por unidades em construção, o auxílio-moradia pode chegar a R$ 1.200 mensais, sendo R$ 800 do Casa Paulista e R$ 400 da Prefeitura de São Paulo.
  • O programa atende moradores que viviam na comunidade até 2 de novembro de 2024 e têm renda familiar bruta de até R$ 4.700.

Em 15 de setembro, o último morador da favela deixou a comunidade. O porteiro Manoel Severino Silva dos Santos, de 53 anos, morava no local há mais de 20 anos e viu seu imóvel ser demolido por agentes da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU).

Ao todo, 851 famílias foram cadastradas no plano de reassentamento conduzido pelo governo de São Paulo em parceria com o governo federal. Dessas, 645 já estão morando em imóveis definitivos.

Governo publica edital

Na última terça-feira (27/10), o governo de São Paulo publicou o edital para contratação da empresa responsável pela implementação do Parque do Moinho, no local onde antes era a Favela do Moinho. O valor do contrato é de R$ 41,3 milhões e os envelopes com as propostas devem ser entregues até 19 de novembro.

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Governo de SP recebe posse de área da Favela do Moinho e mostra projeto para construção de parque
Governo de SP recebe posse de área da Favela do Moinho e mostra projeto para construção de parque
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Governo de SP recebe posse de área da Favela do Moinho e mostra projeto para construção de parque

Divulgação/Governo de SP
Governo de SP recebe posse de área da Favela do Moinho e mostra projeto para construção de parque
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Governo de SP recebe posse de área da Favela do Moinho e mostra projeto para construção de parque

Divulgação/Governo de SP

O terreno pertencia à União, mas foi cedido ao estado em julho deste ano para implementação do parque após o processo de reassentamento da comunidade. O Parque do Moinho, como foi batizado, será destinado a lazer e convivência social, segundo o governo paulista. Futuramente, a expectativa é de que uma nova estação de trem seja instalada no terreno ao lado.