Justiça proíbe prefeitura de SP de contratar agência em nome de laranja
Justiça confirma determinação de março da CGM. Prefeitura destaca que, desde aquele mês, novas contratações com MM Quarter estão suspensas

A Justiça proibiu a Prefeitura de São Paulo de celebrar novos contratos com a Associação de Bem-Estar, Esporte e Cultura (ASA) e a agência MM Quarter Produções e Eventos Ltda., investigadas em um suposto esquema de fraudes envolvendo a empresa de economia mista São Paulo Turismo (SPTuris). O escândalo foi revelado pelo Metrópoles.
A decisão de 1º de setembro reforça a decisão tomada anteriormente pela Controladoria-Geral do Município (CGM) e estende a proibição da esfera administrativa para a esfera judicial.
O mandato da vereadora Luana Alves (PSol) acionou a 15ª Vara da Fazenda Pública pedindo a suspensão imediata de todos os contratos e atos administrativos entre a Prefeitura de São Paulo e as duas empresas.
O juiz Kenichi Koyama negou a paralisação dos contratos vigentes, por considerar que a medida não teria efeito prático ou prejudicaria serviços já quitados, e proibiu somente novos acordos. O juízo também manteve os autos de investigação da CGM sob sigilo.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP“Tendo em vista o reconhecimento administrativo da Controladoria-Geral do Município da existência de indícios de fraude e irregularidades nas contratações com as referidas empresas, que implicariam complexo arranjo de desvio de recursos públicos, reconheço a probabilidade do direito no que diz respeito à manutenção, já decretada pela Controladoria, da proibição cautelar de órgãos e entidades da Administração Municipal Direta e Indireta de contratarem, inclusive por meio de acionamento de Atas de Registro de Preço, a empresa MM Quarter Produções e Eventos Ltda. e a Associação de Bem-Estar, Esporte e Cultura (ASA)”, apontou o magistrado.
Em nota ao Metrópoles, a Prefeitura de São Paulo afirmou que, a pedido da CGM, estão suspensas, desde março deste ano, novas contratações com as empresas mencionadas pela reportagem. A medida foi tomada antes mesmo da ação citada, diz a gestão municipal.
“A decisão judicial, portanto, mantém uma iniciativa já adotada e vigente no município. No caso da MM Quarter, o contrato alvo da ação encerrou-se em 31 de agosto de 2026. Além disso, segue em andamento uma apuração aberta pela CGM para verificar possíveis irregularidades nas contratações da empresa. Cabe informar que a prefeitura foi intimada apenas para prestar esclarecimentos sobre o caso e ainda não foi citada na ação”, completa o texto.

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A coluna Demétrio Vecchioli revelou, em fevereiro deste ano, que a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria de Turismo e da SPTuris, tem R$ 183 milhões em contratos com uma agência em nome de laranja.
Nathália Carolina de Souza Silva, única dona da MM Quarter, morava em um cortiço na zona norte da cidade à época da reportagem, mas retirou R$ 16 milhões em lucro da organização no ano passado. Os verdadeiros controladores da agência foram identificados como sendo os irmãos Marcelo Camargo Moraes e Victor Correia Moraes.
A mulher já havia sido sócia minoritária do então secretário-adjunto de Turismo da prefeitura, Rodolfo Marinho, em uma empresa de comunicação. A CGM descobriu que Nathália assinou procurações em cartório dando amplos poderes para Rodolfo Marinho e Victor Moraes gerirem o dinheiro e as contas da MM Quarter, o que configurava um conflito de interesses direto, já que o secretário geria de forma oculta uma prestadora de serviços da própria pasta.
Já a ASA era presidida por Marcelo Camargo Moraes enquanto ele operava a MM Quarter. A associação recebeu R$ 212 milhões da prefeitura desde 2022 e foi responsável pela realização de serviços como o “São Paulo City Tour”.
A SPTuris, por sua vez, servia como ponte para a contratação da MM Quarter e da ASA sem concurso ou licitação, mas por meio de Atas de Registro de Preço. O processo criava uma cadeia com cinco intermediários (quinterização), com a empresa de economia mista pagando valores inflacionados e ficando com uma fatia de administração.
Com isso, a cada R$ 4 investidos pela Prefeitura de São Paulo em serviços envolvendo a SPTuris, R$ 3 eram perdidos no caminho. Na Secretaria Municipal de Cultura, que tem boa parte da equipe de trabalho terceirizada, a conta é que, para contratar um produtor, que tem salário padrão de R$ 7 mil, é necessário repassar à empresa mais de quatro vezes esse valor, cerca de R$ 31 mil.
Após o Metrópoles revelar o caso, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) demitiu o secretário-adjunto de Turismo, Rodolfo Marinho, e o presidente da SPTuris, Gustavo Pires.



