Justiça nega pedido para que empresário Ivo Kos volte à prisão
Acusado de agredir e ameaçar à então esposa, Giullia Falcão, Ivo Kos estava preso desde agosto

São Paulo — A Justiça rejeitou o pedido para que o empresário Ivo Kos, de 48 anos, acusado de agredir e ameaçar a agora ex-esposa — Giullia Falcão, de 27 —, volte à prisão. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) recorreu da liberdade provisória do empresário, que teve o alvará de soltura expedido na última semana.
As agressões aconteceram em 14 de agosto. Na ocasião, câmeras de segurança flagraram o momento em que, após ser agredida dentro do carro, Giullia vai para a rua e se recusa a entrar em casa. Kos teve ajuda de um segurança da rua para levá-la para o imóvel. Segundo o relato da vítima, ela voltou a ser espancada na residência.
Na decisão da última sexta-feira (23/10), o relator, desembargador Heitor Donizete de Oliveira, entendeu pela ausência de requisitos que justificassem efeito suspensivo da decisão anterior, desde que sejam mantidas integralmente as medidas cautelares e protetivas em vigor.
Kos ficou preso preventivamente na Penitenciária de Potim, interior de São Paulo, de 14 de agosto a 22 de outubro.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPIvo Kos teve o alvará de soltura expedido pela Justiça após Giullia afirmar que não se sentia mais amedrontada ou ameaçada pelo ex-marido, desde que preservadas integralmente as medidas protetivas de urgência concedidas, após o fim do relacionamento. O processo de divórcio do ex-casal foi concluído no último dia 15.
Logo após deixar o presídio, ele publicou uma foto com o filho e comemorou a soltura. “Estou de volta ao lado do maior amor da minha vida”, escreveu ao dizer que teve a vida “sequestrada injustamente”.
Para os promotores de Justiça Fabíola Sucasas, Mariana Pieragnoli e Pedro Alonso, a saída da prisão, decorrente do acordo entre Ivo Kos e Giullia Falcão para a formalização do divórcio, ofereceria perigo de dano concreto. Segundo o MPSP, o que se pretendia evitar com o pedido de retorno de Kos à prisão era que houvesse uma nova violência contra a cirurgiã-dentista, algo que consideraram “irreparável”. A Promotoria ainda ampliou a denúncia para acusar o empresário de tortura.

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Ver todasEm nota, a defesa de Ivo Kos disse que o recurso do Ministério Público era “desprovido de razão” e aponta para uma “punição antecipada, sem processo, sem contraditório e sem direito de defesa”.
Segundo a banca de advogados, a soltura do cliente foi fundamentada na palavra da própria vítima, que disse não mais sentir qualquer receio com sua liberdade. O ex-casal, ainda segundo a defesa dele, firmou acordo de divórcio e as medidas protetivas impostas pela Justiça “estão sendo rigorosamente cumpridas”.
Preso por agredir a esposa
- Kos foi preso em flagrante em 14 de agosto deste ano após agredir brutalmente a esposa, a cirurgiã-dentista Giullia Falcão, de 27 anos, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. A vítima ficou com o rosto desfigurado.
- À polícia, Giullia contou que havia saído para jantar com o marido e um casal de clientes dele. Na volta para casa, os dois discutiram e Ivo teria desferido socos contra ela, ainda dentro do carro.
- Ao chegar na rua onde os dois moram, a mulher se negou a entrar em casa, mas foi puxada por Kos, que teve a ajuda de um segurança da rua para colocá-la para dentro do imóvel.
- No relato, Giullia diz que as agressões continuaram dentro da residência, com Ivo usando um taco de beisebol para golpeá-la na mão.
- Giullia afirmou à polícia que Kos a ameaçou com um taser e pegou o celular dela, dizendo também que iria matá-la caso ela saísse para a rua.
- A mulher pediu medida protetiva contra o marido.
- Ainda em agosto, a Justiça havia negado um pedido de prisão preventiva apresentado pela defesa do empresário.
Leia a nota completa da defesa de Ivo Kos:
“A decisão da Juíza que determinou a soltura do empresário Ivo Kos está findamentada na palavra da própria vítima, que disse não mais sentir qualquer receio com sua liberdade e em impecável argumentação, tendo em vista que a prisão preventiva não serve para castigar, mas exclusivamente para prevenir novos crimes. Efetivamente, Ivo já foi colocado em liberdade e a vítima permanece absolutamente segura. Importante salientar que eles se compuseram por meio de acordo de divórcio e as medidas protetivas impostas pela Juíza estão sendo rigorosamente cumpridas, de modo que o recurso do Ministério Público contra a decisão judicial é desprovido de razão. Aliás, seu discurso mal disfarça que pretende uma punição antecipada, sem processo, sem contraditório e sem direito de defesa, razão pela vamos nos contrapor e esperamos que o Tribunal de Justiça mantenha a decisão que é acertada”.














