Justiça concede habeas corpus a "contador do PCC", que seguirá preso
O empresário Rodrigo Morgado recebeu um habeas corpus no âmbito da Operação Narco Bet, mas permanece detido por outros processos

A Justiça Federal concedeu, nesta terça-feira (17/8), um habeas corpus para o empresário Rodrigo Morgado, conhecido como “contador do PCC“ ou “CEO do Jeep”, que estava preso desde outubro de 2025 no âmbito da Operação Narco Bet, da Polícia Federal (PF).
Apesar da decisão favorável, que também se estende ao influenciador Bruno Alexssander Souza Silva, o Buzeira, Morgado permanecerá preso, em função de desdobramentos da Operação Commodity, da qual também é alvo.
O advogado Felipe Pires de Campos, que defende Morgado no processo decorrente da Operação Narco Bet, celebrou a decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) em nota enviada ao Metrópoles.
“A decisão representa um importante reconhecimento das teses apresentadas pela defesa, especialmente quanto à desnecessidade da manutenção da prisão preventiva. Rodrigo seguirá respondendo ao processo normalmente, cumprindo rigorosamente todas as determinações impostas pelo Tribunal”, diz a nota.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP“A defesa recebe a decisão com serenidade e respeito às instituições, reiterando sua confiança de que, ao longo da instrução processual, serão devidamente esclarecidos os fatos e demonstrada a posição jurídica sustentada desde o início”, conclui o comunicado.

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Ver todasPor que Morgado era investigado?
Segundo a investigação da PF, Rodrigo Morgado seria um “possível operador logístico-financeiro” do esquema e atuava como um “verdadeiro banco particular” de outros investigados, movimentando grandes valores em contas pessoais e de empresas sob seu controle, inclusive por meio de conversões em criptomoedas e repasses a terceiros, tudo de maneira ilegal.
As autoridades apontam que Rodrigo enriqueceu mais de R$ 7,5 milhões entre os anos de 2022 e 2023 e movimentou mais de R$ 313 milhões entre os anos de 2019 e 2024, realizando transações com criptoativos que se aproximam da cifra de R$ 100 milhões. Em algumas ações financeiras, a movimentação bancária envolveu valores muitos superiores aos declarados.
Uma dessas movimentações foi um pagamento de quase R$ 20 milhões à empresa Buzeira Digital, do influenciador Buzeira.
A PF também indica uma relação direta entre Morgado e uma embarcação chamada Veleiro Lobo IV, apreendida pela Marinha dos Estados Unidos entre o arquipélago de Cabo Verde e as Ilhas Canárias, por estar sendo usado para o transporte de mais de quatro toneladas de cocaína, fato que originou a Operação Narco Vela que, por sua vez, resultou na Operação Narco Bet.
Além disso, foi a partir do armazenamento em nuvem do iCloud de Morgado, acessado na época, que a PF colheu as informações necessárias para deflagrar a Operação Narco Fluxo, que prendeu o cantor MC Ryan e o dono da Choquei, Raphael Sousa, em abril deste ano. A ação investigava um grupo criminoso liderado pelo funkeiro, suspeito de lavar R$ 1,6 bilhão.
Operação Narco Bet
- A Operação Narco Bet foi deflagrada pela Polícia Federal em 14 de outubro de 2025.
- Ao todo, 11 mandados de prisão e 19 de busca e apreensão foram cumpridos nos estados de Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Um dos mandados de prisão também ocorreu na Alemanha, com apoio da Polícia Criminal Federal do país. - As investigações apontam que o grupo criminoso utilizava métodos avançados de dissimulação financeira, movimentando valores em criptomoedas, remessas internacionais e empresas de fachada para ocultar a origem dos lucros do tráfico.
- Parte dos recursos lavados teria sido canalizada para empresas do setor de apostas eletrônicas, as chamadas bets, com o objetivo de mascarar os ganhos provenientes do tráfico e inserir o dinheiro no sistema financeiro com aparência de legalidade.
- No total, foram bloqueados R$ 630 milhões em bens e valores. Empresas do ramo de apostas esportivas estão sendo investigadas por suspeita de participação no esquema criminoso.
- A PF não divulgou o nome das empresas de apostas investigadas, mas afirmou que algumas delas são regularizadas e obtiveram licenças com dinheiro ilícito.
Operação Commodity
A PF deflagrou, no final do mês de julho, a Operação Commodity para desarticular uma organização criminosa investigada por enviar cerca de 6,5 toneladas de cocaína para a Europa e movimentar valores bilionários por meio de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro. A Justiça determinou o bloqueio de bens de pessoas físicas e jurídicas até o limite de R$ 1 bilhão.
Ao todo, policiais federais e estaduais cumprem 13 mandados de prisão preventiva e 44 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Espírito Santo.
A operação integra a Missão Redentor II e conta com o apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) de São Paulo e Minas Gerais.
As apurações apontam que, desde 2021, o grupo enviou aproximadamente 6,5 toneladas da droga para diferentes países do continente e mantinha vínculos operacionais com as duas maiores facções criminosas em atuação no Brasil.
Para driblar a fiscalização aduaneira, os investigados utilizavam diferentes métodos para ocultar o entorpecente em cargas destinadas ao exterior. Entre eles estavam a camuflagem da cocaína em sacos de café, cimento e argamassa, além da adulteração química da droga, que chegava a ser diluída em garrafas de refrigerante.
A Polícia Federal também identificou um complexo esquema de lavagem de dinheiro utilizado para ocultar o patrimônio obtido com o tráfico internacional.
De acordo com a corporação, a organização movimentava valores bilionários por meio de empresas de fachada, empresas emissoras de notas fiscais frias, criptoativos, holdings, imóveis de alto padrão e bens de luxo.



